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Veja também: Campanha
Perfumada
Sabia que Deus recomendou a
Moisés para levar na bagagem, ao sair do
Egito, ervas aromáticas para Lhe construir
um Altar de Perfumes?
Sabia que a vaidosa
Cleópatra recebia seu amado Marco Antonio
com um aromático tapete de
rosas-do-Oriente?
Sabia que o Chanel Nº 5,
ícone da perfumaria, usa como fixador uma secreção
natural retirada dos testículos de gatos selvagens indianos?
Pois é, perfume
também é cultura. E está na
moda, tanto para as mulheres quanto para os homens.
Mas esses verdadeiros objetos do desejo não
garantem espaço nas prateleiras das lojas
sem eficientes estratégias de marketing e
ricas campanhas publicitárias. Só no
Brasil, os consumidores gastam mais de US$ 100
milhões por ano para se perfumar. Nos
Estados Unidos o mercado movimenta US$ 2,3
bilhões, levando a concorrência a
lançar cada vez mais produtos e renovar
outros já existentes.
Uma boa amostra do poder da
publicidade e do marketing no reino dos perfumes
está no lançamento do L'Eau d'Issey,
do estilista Issey Miyake. Primeiro foram criados o
frasco e a campanha, só depois surgiu o
perfume. Sua criadora, Chantal Roots, acredita que
ninguém precisa de mais um aroma: "A mulher
precisa é de uma nova imagem."
Os perfumes do início do
século respondiam a uma fantasia pessoal.
Nas últimas décadas começaram
a aparecer perfumes já pensados para um tipo
ideal de pessoa.
Lançado por Calvin Klein
em 1994, o CK One teve uma campanha
milionária estrelada pela top model Kate
Moss, que aparece em fotos ao lado de uma garotada
andrógina, reforçando o
caráter unissex de um estilo que se afirmava
naquele momento. Resultado: o CK One foi um sucesso
de vendas, rendeu muitos milhões de
dólares à empresa e tornou-se o
carro-chefe.
A Maison Dior, em 1980, decidiu
criar um perfume para atingir consumidoras
tão distintas quanto uma de Dallas, nos
Estados Unidos, e outra de Osaka, no Japão.
Batizou sua criação de Poison (ou
"veneno"), investiu US$ 26 milhões e em
apenas 18 meses obteve um retorno de US$ 66
milhões.
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O COMEÇO DE TUDO
A utilização de
perfume começa mesmo com os egípcios.
Eles utilizavam preparados aromáticos na
oferenda aos deuses. A comunicação
com o além se concretiza pelo uso de
essências aromáticas e especiarias na
forma de incensos e pastilhas redondas. O
embalsamento dos mortos foi a segunda
função dessas preciosas
substâncias.
Em seguida os egípcios
passam aos primeiros óleos corporais,
adotados pela vaidosa Cleópatra, que
também costumava perfumar as velas de suas
embarcações, receber o amado Marco
Antonio com tapete de rosas-do-Oriente, além
de tomar banhos com leite de cabra para embelezar a
pele.
Os romanos mandavam seus pedidos
aos deuses através de fumaças
odorizadas, as "per fumum", que deram origem ao
nome perfume. E utilizavam preparados
aromáticos nos cabelos, nos cães e
até para perfumar os ambientes onde faziam
refeições. Os árabes, mestres
no comércio de especiarias, contribuiram
muito para a difusão do perfume.
No Ocidente, durante a Idade
Média, os padres consideravam o uso do
perfume um grande pecado, pois segundo eles
exaltava o lado sensual e profano do corpo.
A primeira
composição ocidental foi a "Eau de
Hongrie", no século XIV. E a perfumaria
tornou-se uma atividade industrial no século
XVI. No século seguinte houve uma
difusão sem limites do perfume, usado
principalmente na higiene pessoal. No fim do
século XVIII nascem as primeiras maison de
perfumaria, como a Houbigant.
No século XIX o
romantismo leva ao sucesso as fragrâncias
florais de Guerlain, Bourjois e outros. Nesta mesma
época, as essências sintéticas
começam a ser fabricadas a partir das
conquistas da química orgânica
moderna.
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CADA DÉCADA TEM SEU CHEIRO
O casamento entre moda e
perfumaria teve início no final do
século XIX, quando Guerlain assinou um
perfume. Porém foi o Chanel Nº 5 o
primeiro a trabalhar bem a publicidade; acabou
tornando-se um mito.
A Maison Guerlain, com mais de
250 perfumes criados por vários membros da
família, é responsável por
duas obras-primas da perfumaria francesa: Mitsouko,
de 1919, e Shalimar, de 1925, cuja
composição relembra os aromas do
Oriente, a base de benjoim, patchuli, incenso e
opopânace.
Shalimar foi um marco nos loucos
anos 20, ao lado do Chanel Nº 5. Criado em
1921, o Nº 5 (o próprio nome já
era uma ousadia para a época) foi o primeiro
perfume lançado por um criador de moda e
não por um perfumista. Logo tornou-se
clássica essa mistura de rosa de maio,
jasmim de Grasse, muguet, aubépine e
junquilho, potencializada pela
utilização de aldeídos. Coco
Chanel costumava dizer que "uma mulher que
não se perfuma não tem futuro",
tomando para si a frase cunhada pelo amigo poeta
Paul Valéry.
Outra obra-prima dos perfumes
desta época foi Arpège, de Jeanne
Lanvin, criado em 1927: uma mistura de
rosa-da-Bulgária, jasmim-de-Grasse, muguet
selvagem, camélia e jacinto-azul.
Nos anos 30 foi criado o perfume
que até hoje é considerado o mais
caro da indústria francesa pelas
proporções que usa de
jasmim-de-Grasse e de rosas-da-Bulgária: o
Joy, de Jean Patou, que em sua
composição ainda exige muguet e
ylang-ylang. O frasco foi desenhado em cristal
Baccarat.
L'Air du Temps, de Nina Ricci
(1948), e Miss Dior (1947), de Christian Dior,
correspondem à euforia do
pós-guerra.
L'Air du Temps, até hoje
um dos perfumes mais vendidos em todo o mundo, tem
sua composição estudada pelos alunos
de perfumaria como um clássico de
arquitetura floral. Trata-se de uma mistura de
gardênias, sândalo, jasmim,
ylang-ylang, cravo e rosa.
Na década de 50 os
perfumes americanos fazem frente aos franceses, a
partir de lançamentos como Youth-Dew, de
Estée Lauder, em 1953. A década de 60
traz os aromas de patchuli e
almíscar.
Nos anos 70 explode a
indústria do perfume. A nova
independência da mulher é traduzida
por florais verdes como Charlie, da Revlon,
enquanto a onda "disco" elege Halston, do estilista
das celebridades, e Opium, de Yves Saint Laurent.
As fragrâncias dos anos 80 refletem a
problemática e o psiquismo de uma
geração agressiva, ousada, sexy.
Exemplos: Poison, de Dior, e Paris, de Saint
Laurent.
Na década de 90 as
fragrâncias mais sutis ganham espaço,
com flores exóticas aliadas a notas frutais.
Enquanto mais e mais perfumes são
lançados, as mulheres se voltam
também para os clássicos.
Família e compromisso são os valores
atuais, assim como a consciência ambiental.
É ainda o momento da Aromacologia, com as
fragrâncias aromaterápicas de efeito
relaxante e anti-stress, além dos perfumes
sem álcool, a exemplo do infantil Petits et
Mamans, de Bulgari.
Vale destacar ainda Relaxing
Fragrance, da Shiseido, uma mistura oriental de
ervas como ginseng, flores como rosa-chá e
especiarias como cardamomo. Outra novidade é
a linha de tratamento para o corpo e o
espírito lançada por Kenzo, que
inclui o Thé de Beauté - um
chá relaxante e revitalizante -, gel de
banho e hidratante.
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FRASCOS PARA SONHAR
Se o perfume é o
prolongamento da personalidade de quem usa, o
frasco representa um convite ao deleite visual e
tátil. Em forma de folha, de gota, de
espiral, de estrela ou de corpo feminino, os
frascos de perfume são verdadeiros tesouros
da imaginação, cheios de
criatividade, beleza e arte.
É por isso que não
compramos apenas um perfume, mas "um frasco de
perfume".
As formas desses preciosos
"porta-jóias" são, no decorrer da
história, de uma infinita variedade
graças à maleabilidade do vidro e
às diversas técnicas de
fabricação. Obras-primas de alguns
dos maiores criadores, considerados
autênticos "gênios da garrafa". Do
inesquecível René Lalique ao moderno
Fabien Baron, passando pelos competentes Pierre
Dinand e Serge Mansau.
Exímio fabricante de
jóias, o francês René Lalique
teve no vidro sua grande fascinação,
explorando ao máximo esse material ao qual
seu nome ficou ligado para sempre. Ele já
desenhava e esculpia no vidro luminárias,
vasos, taças e objetos de mesa, quando em
1907 conheceu Robert Coty, da famosa marca de
cosméticos e perfumes, que encarregou o
artesão de projetar o frasco perfeito para
conquistar definitivamente as mulheres. Uma
parceria intensa que resultou em diversas
obras-de-arte, como "L'Effleurt", "Ambre Antique" e
"Cyclamen".
A partir daí, a maison
Lalique criou frascos de perfume para griffes como
Worth ("Dans la Nuit", de 1920, por exemplo) e Nina
Ricci ("L'Air du Temps", de 1947; "Capricci", de
1961; "Farouche", de 1974).
René Lalique teve dois
filhos: Suzanne, que se dedicou ao design
cênico, trabalhando com a Comédie
Française, e Marc, que até 1977
esteve à frente da empresa desenhando belos
frascos. Hoje quem comanda a Lalique France
é Marie-Claude (também uma excelente
designer), da terceira geração da
família.
O designer francês Fabien
Baron vive em Nova York há quase duas
décadas. Aos 38 anos, dirige a agência
de design e publicidade que leva o seu nome, Baron
& Baron, e também atua como diretor
artístico da conceituada revista de moda
Harper's Bazaar. É muito respeitado por seu
estilo contemporâneo, moderno e provocante.
Tanto que em 1994 recebeu o Prêmio Especial
da Influência nas Artes, concedido pelo CFDA
- Council os Fashion Designers of America.
No currículo de Fabien
Baron constam os desenhos de frascos que ele fez
para o CK One, de Calvin Klein, e para os perfumes
de Jean-Paul Gaultier e Issey Miyake. Além
do Poême, o mais recente lançamento da
Lancôme. Segundo Baron, "o frasco de
Poême é um prisma que transfigura a
luz como a poesia transfigura a realidade." Ele diz
ainda que "quando as pessoas compram um perfume,
levam para casa mais que um simples frasco."
Com 67 anos, o também
francês Pierre Dinand figura entre os grandes
designers. Foi ele o criador de inúmeros
frascos para a Tiffany, assim como do perfume
Opium, de Yves Saint Laurent, AV, de Adrienne
Vittadini, e de 400 outras fragrâncias, como
Eternity e Obsession, ambas de Calvin Klein.
O frasco que ele desenhou para o
perfume feminino Armani teve
inspiração nas linhas
arquitetônicas italianas da Villa Rotunda,
projetada por Andrea Palladio. Atual designer da
empresa Parfums Créatifs, desenvolveu os
frascos dos perfumes C'est Moi, Perle Noire e
Casbah, comercializados pela Avon. Dinand considera
o frasco "a casa em que vive uma
fragrância".
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DICAS
Não experimente mais que
três perfumes quando for comprar. Você
corre o risco de acabar confundindo o seu olfato e
sair com o perfume errado.
Perfume "certo" é aquele
que combina com a sua pele. Lembre-se que ele
está relacionado à raça e ao
metabolismo de cada pessoa. Portanto,
atenção na escolha
Procure não se perfumar
quando for se expor ao sol. Sua pele pode acabar
manchada por causa da fotossensibilidade.
Não existem perfumes
específicos para cada estação.
Use mais no inverno e menos no verão.
Segundo a aromaterapia, o
perfume da Rosa estimula a mulher para o amor.
Alecrim aguça o carisma masculino.
*Roberto Pires, jornalista e pesquisador, é
autor do curso "Perfume: Histórias e Mitos" e da exposição
de frascos de perfume "Frascos de Sonho".
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