Por Roberto Pires

Encantar, interagir, chamar a atenção. É assim que a designer baiana Goya Lopes costuma pensar quando está desenvolvendo suas inventivas pinturas sobre tecido, que além de serem comercializadas em sua loja em Salvador, Bahia, podem ser encontradas no restante do país sob a chancela da Exclusiv, empresa paulista do setor de decoração.

Todo ano a artista baiana lança uma coleção inspirada em conteúdo atual e com embasamento no complexo étnico afro-brasileiro. Via África, as influências de textura, cor, cheiro, sensações. "Mas a cor tem a luminosidade de Salvador", apressa- se em explicar. Goya resgata valores e simbologias, mas reorganizando tudo ao seu modo. "Não gosto quando confundem 'resgate' com se vestir igualzinho aos africanos. São situações e ambientes diferentes".

Na exposição "Árvore", tecidos, roupas e acessórios nos falam de fertilidade, rituais, mitos. A estamparia capricha nas tintas para revitalizar o símbolo da vida, da sobrevivência. Como informa a frase inscrita numa camiseta de malha, "a árvore é carregada de força sagrada, porque é vertical, porque cresce, porque perde as folhas e as reconquista".

A idéia da árvore surgiu pela atualidade do tema - na questão do meio ambiente - e para reafirmar a sua beleza, simbologia e importância. "Para sensibilizar as pessoas sobre o que elas estão estragando", resume. As peças da exposição podem ser adquiridas na loja instalada no Pelourinho: tecido para canga de 1,70 m. X 1,18 m. (R$ 25,00), tecido a metro (R$ 39,90), camiseta (R$ 20,00), além de sacola, bolsa, colete, saia pareô, regata e o exótico caftã, uma espécie de túnica bem solta e confortável.

Artista plástica e designer, Goya Lopes desenvolveu uma linguagem especial para lidar com as necessidades do cliente e com as próprias. Seu trabalho é funcional, mas com uma conotação artística. "Não é moda, é uma referência", esclarece.

Goya estudou design durante três anos na Itália, onde também cursou litografia. De volta ao Brasil, iniciou a criação de um produto com status de peça única e que transmitisse não só o lado estético mas sobretudo a cultura afro-brasileira. O projeto Didara ('bom', em iorubá) existe há 11 anos com esse ideal.
O trabalho é feito em equipe (13 pessoas divididas na estamparia e na confecção), enquanto o marketing é terceirizado. Para distribuir o produto em todo o país, o mais adequado é a parceria com outras empresas. Exemplo disso são os estofamentos que vem criando para a Exclusiv, de São Paulo, empresa há 20 anos no mercado. A parceria começou em junho do ano passado, com a comercialização de cinco estampas - em vários jogos de cores - de temática rupestre.

Existe proposta também para fazer mosaicos e cúpulas de luminárias. Sensata, Goya só pretende expandir o mix de produtos depois de consolidar os tecidos em 1998.