Ao abrir seu primeiro
ateliê em São Paulo, quebrou um tabu,
criando para socialites quando era moda mulher de bem vestir-se
em Paris e quando no Brasil só existiam modistas que
copiavam as criações francesas. Este foi o marco
inicial da roupa brasileira com estilo próprio.
Dener
foi o grande percursor da alta-costura brasileira: fugia da
comodidade do copismo, desenhando para clientes de acordo com
seu físico, idade, gosto e em consonância com o
nosso clima tropical.
Como
seu ídolo, Balenciaga, defendia o estilo clássico,
de bases simples, embora nos modelos de festa e noiva recorresse
a bordados suntuosos e a certa dramaticidade. Requinte a parte,
realizava-se mesmo fazendo taieres bem cortados. Mesmo vivendo
cercado de glamour, Dener demostrou ter visão também
para o marketing e os negócios. Tanto que foi o primeiro
estilista a usar a força da mídia para promover
e divulgar seu nome e suas coleções. Com a mesma
sensibilidade e inteligência, percebeu, nos anos 60, que
era hora de lançar sua grife em produtos industrializados.
Pálido, frágil, de gestos delicados e atitudes
excêntricas, o costureiro despertou raiva e paixão.
Dener, naquela displicente e bem dosada arrogância de
retocador de Deus, embeleza as mulheres e enfurece os homens.
Os homens, principalmente os recalcados, odeiam Dener e tudo
o que o genial figurinista representava na frescura de sua masculinidade,
escreveu o jornalista David Nasser. Quando o mundo começou
a mudar, o dinheiro trocou de mãos e surgiu o noveau
riche, sentiu os pilares da educação e elegância
corretas que sempre defendeu, ruirem como castelos de areia.
Foi
um golpe duro. Considerado o último dos românticos,
começou uma triste derrocada voluntária. Morreu
jovem, empobrecido e triste.
Identificando-se
com a personagem de A Dama das Camélias, que tanto admirava,
recusou-se a aceitar as regras de um mundo que fugia dos parâmetros
que tinha estabelecido como ideais.
Breve trajetória de um Mito
1937-
Nasce no dia 3 de agosto em Belém do Pará.
1948 - Inicia sua vida profissional na Casa Canadá, com
apenas 13 anos.
1950 - Faz o vestido de debutante de Danuza Leão, que
o apresenta a Ruth Silveira com quem vai trabalhar.
1957 - Com 21 anos, abre seu primeiro ateliê, na Praça
da República.
1958 - Muda o ateliê para a aristocrática Avenida
Paulista. Veste clientes famosas, inclusive a primeira dama,
Sara Kubitscheck.
1959 - Ganha os prêmios de Agulha de Ouro e de Platina,
no Festival da Moda, patrocinado pela Tecidos Matarasso Boussac.
Entre os concorrentes figurava até o costureiro Christian
Dior. Após a morte desse criador, Dener foi convidado
para dirigir a criação da maison francesa. Por
motivos incertos recusou a oferta.
1962 - Dener é responsável pelo guarda-roupa da
primeira -dama Maria Teresa Goulart.
1963 - Com o apoio da revista Manchete e Cia Brasileira de Tecidos
Rhodiaceta e do Instituto Brasileiro do Café, Dener e
outros estilistas lançam em conjunto a coleção
Brazilian Look, com mais de cem modelos que foram apresentados
na Europa.
1964 - Recebe a Palma de Ouro, no Festival Internacional da
Moda, em Las Vegas, com um vestido de cauda rebordade de águas
marinhas naturais.
1965 - Casa-se com uma de suas manequins, Maria Stela Splendore
na época com 16 anos.
1966 - Nasce seu filho Frederico Augusto
1967 - Nasce sua filha Maria
Leopoldina
1968 - É criada a empresa Dener Difusão Industrial
de Moda. Fica oficializada a criação da primeira
grife de moda nacional.
1969 - Termina seu casamento com Maria Stela.
1970 - É o fim dos anos áureos da alta-costura.
Transfere seu ateliê para a Al. Jaú. Estréia
como jurado do programa Flávio Cavalcanti.
1971 - Transfere seu ateliê para a Al. Franca.
1972 - Lança o livro autobiográfico Dener, o Luxo,
e o manual Curso Básico de Corte e Costura.
1973 - Uni-se a outros costureiros para formar as bases da Associação
da Moda Brasileira, cujo objetivo seria lutar contra a evasão
de divisas.
1975 - Casa-se com Vera Helena Pires de Oliveira Carvalho. Tranfere
seu ateliê para R. Groelândia.

1976 - Separa-se de Vera, desativa seu ateliê e atende
em sua casa algumas clientes fiéis da alta-costura.
1977- Vive tempos difíceis. Já doente, lança
a coleção A Grande Valsa, inspirada no filme A
Viúva Alegre.
1978 - Desgostoso com os rumos da moda, optou pelo exílio
voluntário. Morre no dia 09 de novembro em São
Paulo aos 41 anos.
Dener: O Luxo
Recortes de seu livro
autobiográfico lançado pela Editora Laudes, Rio
de Janeiro, onde mistura realidade e fantasia para contar sua
vida e trajetória profissional.
Eu
estava decidido a inventar a moda brasileira, sabia que podia
e não me faltava o talento de figurinista.
Devo
muito à Casa Canadá que foi minha primeira escola.
Até os 17 anos aprendi ali os grandes segredos da alta-costura,
aprendi a diferença entre ser vedette e ser vulgar, aprendi
a viver, usando a froça, para fazer o que me desse na
veneta.
O
que eu pude fazer para chocar e chamar a atenção
eu fiz.
|
|
Há
uma diferença grande entre mulher bem vestida,
mulher chique e mulher elegante. Agora criei uma nova
categoria: a mulher luxo.
|
Mulher
luxo: quando aparece no salão, todos sabem que alguem
chegou e não é a governante!
A
mulher luxo é fora de série, hors concours. Criei
essa classificação para acompanhar o desenvolvimento
brasileiro.
Uma
mulher luxo não lança, ela consagra a moda lançada
pelas elegantes.
...agora
nos exigimos mais, e por isso parece que o que temos é
menos.
Como
o brasileiro adora novidade e é vaidosíssimo,
o resultado de sua melhora de vida são roupas mais caras.
A
alta costura é o laboratório da moda de um país.
A alta costura inspira os modelos, mexe a engrenagem de todo
o mundo da moda, lança padrões, estilos. Nenhum
país tem moda própria, se não tiver uma
excelente alta costura.
O
brasileiro só não compra roupas caras, se não
tiver dinheiro. Fica sem comer, mas está pagando a prestação
de suas camisas e dos vestidos da mulher. Quando não
tem dinheiro, está doido para ter...para comprar roupas.
Croquis originais
Outros croquis de Dener...
Museu Virtual - suas criações


Para
entrar no Museu Virtual clique nas imagens
Suas clientes, seus amigos
|
|
Srª.
Salma Antun
Com traje criado para a ocasião em que foi madrinha
de casamento.
Vestido cor de pérola e o chapéu em tons
que variavam do sulferino ao rosa.
Dener compareceu à cerimônia para presenciar
o sucesso. Ele era o responsável por todo seu guarda
roupa. Além de cliente era amiga e cúmplice
nas ousadas criações que lhe eram propostas
como o vestido ao lado.
Vários de seus trajes realizados por Dener podem
ser vistos em nosso museu virtual.
|
|
|
Pierre,
trabalhou com Dener durante 15 anos, tempo no qual de
mordomo se tornou grande amigo.
Conta
histórias maravilhosas do tempo vivido com o estilista
e conserva com carinho um acervo pessoal de recortes e
revistas onde Dener era notícia.
|