Fause Haten: uma história de sucesso brasileiro

Por Flavinha Viana

Em 1999, entrou no mercado americano através do envolvimento com a grife californiana Giorgio Beverly Hills. Em 2000, ganhou o prêmio de melhor estilista brasileiro. Em 2001, foi o primeiro estilista brasileiro a desfilar na Semana de Moda de New York. Mas tudo começou em 1987, quando ele lançou no mercado a marca Der Haten. Alguns anos depois, voltou a assinar suas criações com o seu próprio nome. Ele é chic e elegante, sua moda mistura elementos da alta-costura com o prêt-à-porter. Mais do que nunca está no auge do sucesso, não só com sua marca Fause Haten, mas também com sua assinatura nas suas novas criações para Riachuelo, uma das maiores lojas de departamento do Brasil e também patrocinadora oficial do São Paulo Fashion Week - Calendário Oficial da Moda Brasileira.

Para uma maior divulgação dessa coleção para Riachuelo virou até "garoto propaganda", ao lado das atrizes Giovana Antonelli, Camila Pitanga e Malu Mader. Uma de suas marcas registradas são tecidos de alta qualidade como renda, couro, mohair e jeans com aplicações que inserem na sua moda feminina a sofisticação como elemento chave.

A elegância é o seu lema maior diante de suas criações para o homem e para a mulher. Quer saber mais? Confira a seguir a entrevista exclusiva que Fause Haten concedeu ao site Moda Brasil.

Moda Brasil - Nome?
Fause Haten - Fause Haten

MB - Idade?
FH - Não costumo dizer a minha idade (risos).

Formação Profissional:
Na verdade eu sou um autodidata, não tenho formação em curso superior.

MB - Quando e porque começou a fazer Moda?
FH - Comecei a trabalhar com moda quando era adolescente, de dezesseis para dezessete anos. Tinha o ideal de viajar e queria fazer dinheiro e isso foi uma maneira de conseguir não só dinheiro, mas também um meio de sobrevivência e não um ideal de moda. Sempre gostei de trabalhar com roupas, eu tenho uma grande aptidão com as mãos, nunca estive parado e adoro o que eu faço. Nunca cursei uma faculdade de moda, na realidade eu comecei quatro faculdades e nenhuma delas eu terminei, pois não existia curso superior que eu quisesse fazer na minha área, então abandonei todos os cursos que comecei. Um dia fiquei sabendo que existia um curso técnico de Moda na Universidade Anhembi Morumbi-SP e fiquei lá por um ano, tudo isso foi antes de surgir a faculdade de Moda, a graduação mesmo, que acabei não fazendo.

MB - O que mais te atrai na moda?
FH - O que mais me atrai na moda é a questão estética, que me agrada muito, a questão social que envolve a moda e ao mesmo tempo eu gosto muito desse lugar que ela ocupa hoje, o universo de cada pessoa, pois, muitas vezes, a moda faz isso, ela faz bem, acrescenta valoriza, dá mais que um prazer estético dá um prazer emocional e eu gosto muito disso.

MB - Moda brasileira?
FH - Moda Brasileira...Hum... Ela existe, e isso é ótimo.

MB - São Paulo Fashion Week?
FH - É uma vitrine, eu me orgulho de poder participar desse projeto e de todo processo que passei desde o Morumbi Fashion (hoje São Paulo Fashion Week). Comecei com o Phytoervas e hoje estou aqui, na verdade eu vivi desde a raiz que me levou a estar onde estou hoje.

MB - Quando você passou a ser reconhecido e a participar do calendário de moda brasileira e mundial?
FH - Isso aconteceu assim, quando eu assumi e resolvi assinar o meu nome como o nome da marca. No início eu assinava outro nome, Der Haten e isso veio paralelamente ao início do meu processo internacional. Cada degrau que a gente foi subindo foi levando o meu nome para outras esferas. O Phytoervas levou o meu nome para o Brasil todo, pois era super conhecido em São Paulo. O São Paulo Fashion Week levou o meu nome para o mundo desde o Morumbi Fashion, que já passou do nível de Brasil. O processo da minha segunda marca que é H.F hoje e todo esse trabalho que a gente faz com os acessórios como meus óculos, por exemplo, nos leva o meu nome para um outro patamar, a gente está criando um universo de desejo Fause Haten, e isso tem sido progressivo.

MB - Como está sendo aceita desde 1999 sua moda lá fora? Como foi esse processo?
FH - Em janeiro de 1999 eu fiz um desfile no São Paulo Fashion Week e existia uma marca de perfumes chamada George Beverly Hills que estava lançando um perfume novo e queria lançar junto com ele um designer desconhecido no Brasil e nos EUA. O diretor dessa empresa estava passando férias no Brasil no natal, não em SP, não onde o SPFW acontecia e ele acabou vendo a cobertura do evento pelos jornais e ele viu que o Brasil poderia ser o país onde estaria esse designer que procurava. Voltando para Los Angeles ele entrou em contato com a embaixada e com a gente aqui no Brasil também, pediram o nosso material e em abril ele esteve em SP e marcou conosco e se agendou com vários outros estilistas entre uns 14/15 ele me escolheu e foi assim que tudo começou. Depois que esse um ano se passou, foi mais ou menos um caminho natural eu ir para a semana de moda de NY. Nós apresentamos nossas coleções duas vezes por ano, 2002 excepcionalmente vou fazer uma vez só porque pulei a coleção passada, mas a gente já fez um total de cinco desfiles internacionais sendo quatro na semana de moda 2001/02.

MB - Em suas coleções e criações, a marca registrada de Fause Haten é sempre o estilo e a elegância. O que é uma mulher elegante e o que te inspira tanto?
FH - Mulher elegante acima de tudo é uma mulher confortável. Isso é o mais importante, independe de altura, de físico ou da beleza, eu acho que o conforto traz a elegância, isso é uma coisa que vem de dentro e a gente pode moldar, melhorar, viabilizar, mas é uma coisa interna de cada um. E como nós estamos em um momento de trabalhar muito mais o interno do que o externo é um bom momento para se falar de elegância.

MB - Na sua opinião, qual a diferença entre os desfiles nacionais e internacionais?
FH - Olha, são dois mercados completamente diferentes, é óbvio que aqui eu estou em casa e lá não. As primeiras edições foram muito mais difíceis, muito mais que o nosso último evento que já me senti mais em casa, pois já eu já tinha um respeito de todos, uma equipe de pessoas que sabiam quem eu era, comecei a ter um respeito da imprensa também dentro do evento então tudo mudou e posso dizer hoje que eu praticamente me sinto em casa. Agora desfilar fora do Brasil para estilistas brasileiros ainda é uma coisa de idealista, é um trabalho árduo, sofrido para todos, não é fácil e a gente acaba abrindo portas para um monte de estilistas que estão vindo atrás da gente. Eu não gosto de me colocar como único, maravilhoso, é uma coisa que eu vejo muito por aí, estilistas colocando as coisas dessa maneira, mesmo nem sendo estilista, enfim, o que me incomoda de uma certa forma, porque eu acho que cada um tem o seu trabalho e o seu valor por isso.

MB - Como foi se tornar uma figura da Moda? Uma figura pública?
FH - Apenas uma maneira das pessoas passarem a conhecer o meu trabalho de uma forma mais abrangente, antes poucos conheciam, hoje, muitos conhecem as minhas criações e as minhas roupas.

MB - Inverno 2002, o que se espera desta estação?
FH - Bom 2002 já aconteceu, a coleção já foi vendida, já está nas lojas e a gente teve uma ótima receptividade e está indo muito bem, e agora é esperar que isso se repita no verão o mesmo sucesso. Estou trabalhando no momento a minha linha de acessórios também, estou dando um bom enfoque para isso, lançamentos e tudo mais...

MB - Cite um estilista brasileiro e um estrangeiro:
FH - É difícil dizer isso, não gosto de citar, a cada coleção tem ou outro que chama mais a atenção e que gosto do trabalho, temos ótimos trabalhos nacionais e internacionais, cada um tem o seu estilo e o seu momento.

MB - Uma dica de moda:
FH - Fique sempre confortável...

MB - O que jamais uma pessoa deve usar dentro do segmento Fause Haten?
FH - Está na hora das pessoas pararem de pensar na Moda como uma coisa fechada, anos 80. Hoje ela está aberta mais para fora, um pouco mais clara, menos sombria.

MB - Ser autêntico e ter estilo?
FH - Ser você mesmo...

MB - O Glamour da moda é?
FH - O Glamour da Moda é começar todo dia...

MB - A moda por Fause Haten... Fause Haten é?
FH - Fause Haten é o meu trabalho...

Flávia Viana Costa é jornalista e produtora de moda em Campo Grande e São Paulo.