Moda
Brasil entrevista Cynthia Garcia
Por
Flávia Viana*

Ela
é carioca, mas adotou São Paulo como sua cidade para residir
e trabalhar. Aos oito anos de idade assistiu sua primeira Ópera
e visitou o museu do Luvre em Paris para conhecer a Moraliza. Gosta
de cultura e arte entre elas a Moda, fala fluentemente vários
idiomas, trabalha na revista Vogue Brasil e no Jornal da Tarde. Conheçam
um pouco mais sobre a vida e a carreira de uma das melhores jornalistas
de Moda de São Paulo, Cynthia Garcia...
Moda
Brasil - Qual é a sua formação?
Cynthia
Garcia - Eu tenho uma formação bastante eclética,
na verdade eu estudei em colégio inglês, francês
e suíço, eu tive a oportunidade de morar em vários
países fora do Brasil como, Estados Unidos, Inglaterra, Itália,
Suíça, entre outros sempre estudando. Minha formação
não é de ordem acadêmica, eu fiz faculdade de História
da Arte em Florença, na Itália, mas minha formação
está inteiramente ligada com a minha vivência nesses diversos
lugares que tive a oportunidade de morar e conhecer. Não fiz
nenhuma faculdade no Brasil só no exterior...
MB
- Atualmente você trabalha somente no Brasil?
CG
- Fui convidada para ser correspondente de uma revista de luxo Mexicana
que começa a ser publicada em fevereiro de 2002. Eu estou batalhando
muito para expandir meus horizontes em termos internacionais também,
para poder utilizar toda essa experiência com o "mundo"
estrangeiro e o domínio de idiomas que tenho, eu nunca estudei
nenhuma língua e acabei aprendendo inglês, francês,
italiano e espanhol também, tudo isso em conseqüência
das viagens que fiz pelo mundo.
MB
- Sobre qual assunto você escreve nessa revista Mexicana?
CG
- Eu escrevo sobre comportamento, são notas sobre São
Paulo, mas estou começando a escrever algumas matérias
também.
MB
- Quando você começou a viajar e estudar fora do Brasil?
CG
- Foi uma coisa involuntária, porque estava ligada a profissão
do meu pai. Quando eu nasci fomos morar nos Estados Unidos, ele trabalhava
em uma multinacional, sempre fui muito curiosa desde pequena, com oito
anos vi o quadro da Moraliza e assisti minha primeira ópera,
adorava museus. Foram momentos muito importantes para mim e definitivos
também para minha formação.
MB
- Atualmente no Brasil você trabalha em quais veículos
de comunicação?
CG
- Trabalho na revista Vogue Brasil, Casa Vogue e para o Jornal da Tarde.
Estou me dedicando muito para Moda e também para arquitetura,
pois me formei em História da Arte, mas sempre gostei de arquitetura,
não fiz o curso porque não gostava de matemática.
No JT escrevo sobre Moda e comportamento.
MB
- A Moda brasileira é uma cópia?
CG
- Não existe criatividade pura e simples, as coisas são
decorrentes de outras. Às vezes especialmente no mundo da comunicação,
você pode ter em diferentes locais do mundo pessoas que imaginam
coisas parecidas. Literalmente existe você pegar uma idéia
do outro e copiar. Esses são pontos que penso, são maneiras
de uma coisa surgir em vários lugares diferentes ao mesmo tempo
podendo ter rótulo de cópia. Nos últimos 10 anos
o Brasil está se valorizando mais, com seus pontos negativos,
é claro, mas tem grandes pontos positivos a se respeitar, com
características muito bacanas. A nossa cultura de país
colonizado não nos dava essa chance de respeitar e se valorizar,
sempre achávamos melhor as coisas dos mais poderosos, rejeitando
coisas nossas. Agora estamos prestigiando o que é nosso, aprendendo
a cada dia.
MB
- A Moda Brasileira hoje...
CG
- A moda brasileira hoje está sendo largamente promovida pelos
canais competentes no Brasil e no exterior, o momento que batalhamos
tanto chegou, estamos sendo observados agora também, é
um momento extremamente importante, devido principalmente ao São
Paulo Fashion Week, o Brasil está aprendendo a fazer sua Moda.

MB
- Sobre Tendência...
CG
- Você não pode ficar alheio a ela, você pode observar
as tendências e traduzir do seu jeito e moldar um caminho seu,
num conceito estético você desenvolve o que é teu
com originalidade.
MB
- Em uma palestra na Semana de Moda da Universidade Anhembi Morumbi
você falou muito em "números" dentro da Moda,
você acha que ela deixou de ser só "glamour"
como as pessoas sempre pensaram e passou a ser um negócio também?
CG
- A indústria têxtil (me refiro a toda cadeia da Moda),
está com uma volta do fio à boutique, uma personalização
de produtos. Houve um momento só de boutiques, depois só
de cadeias e agora uma vontade de produtos mais individualizados, não
estão tão pasteurizados e massificados, estão surgindo
grupos diferentes como, de artesãos, pessoas criativas de talento
que estão fazendo isso em menor escala, com peças exclusivas
ou uma série de 10 à 20 peças, uma coisa muito
boa e interessante também. A indústria de Moda é
extremamente importante economicamente no Brasil, é o maior empregamento
de mão de obra feminina, isso é muito importante é
uma atitude louvável, que está movimentando muito dinheiro
na economia mundial.
MB
- Você adotou São Paulo pelo campo de trabalho? Pois viajou
o mundo todo e nasceu no Rio de Janeiro?
CG
- Foi sim, adotei São Paulo por esse motivo, o campo de trabalho
e também porque sou uma pessoa bastante urbana, gosto de ver
o que está acontecendo, gosto dessa cultura...
MB
- Fala-se muito no trabalho de Moda brasileira no exterior, a que se
deve esse "início" de sucesso?
CG
- Começando pela mulher latina que tem uma sensualidade espontânea,
especialmente as brasileiras, e isso serve para os estilistas também,
nós sabemos nos comunicar muito bem em todos os sentidos, só
isso...
MB
- Qual a diferença entre as Semanas de Moda brasileiras e as
estrangeiras?
CG
- A nossa cultura é mais afável, mais receptiva e isso
traduz a maneira que nós trabalhamos, os brasileiros gostam de
agradar em tudo, na Europa e nos Estados Unidos às pessoas são
mais duras e menos receptivas que nós aqui no Brasil.
MB
- Qual é o caminho da moda brasileira?
CG
- O caminho é esse que estamos trilhando, a valorização
da moda em todos os segmentos, de mostrar que a moda não é
uma coisa frívola, fazer do produto agradável e chegar
ao glamour que é último estágio dela, pois as pessoas
que fazem Moda trabalham e muito...
MB
- Um estilista estrangeiro...
CG
- Jonh Galiano, Armani, Versace, Dona Karan, Prada, entre outros, cada
um tem sua personalidade, é dicífil escolher um só...

MB
- Um estilista brasileiro...
CG
- Alexandre H., Reinaldo Lourenço, Glória Coelho, Carlota
Joaquina, Fórum, Triton, Zapping, Zoomp, André Lima, Mário
Queiroz, Walter Rodrigues, Lino Villaventura, M.Officer, entre outros.
E não podendo deixar a nossa Moda Praia de fora, como, Blue Man,
Rosa Chá, Salinas, Cia. Marítima, entre outras e Jóias
de designer brasileiros como, Antônio Bernardo e Carla Mourin.
MB
- Modelos brasileiras...
CG
- Aqui em casa o nome de Gisele Budchen não pode deixar de ser
citado de jeito nenhum, mas gosto muito também da Caroline Ribeiro,
Fernanda Tavares, Ana Cláudia Michels, Jeíza, Mariana
Weicht, a índia Suyane, a Fabrícia (uma beleza negra),
mas acho que os rapazes são muito baixos, deveriam ser mais altos
para se destacarem mais tanto no Brasil como no exterior.
MB
- Um bom texto de Moda é?
CG
- Aquele que prende a atenção do começo ao fim
do texto.
MB
- As pessoas estão entendo mais a Moda (conceitual e comercial)
hoje?
CG
- Sim, pois a moda se tornou uma coisa importante, hoje não é
mais considerada somente uma futilidade, é necessária
mesmo...
MB
- Moda no conceito de Cynthia Garcia...
CG
- Não é uma fórmula, Moda é um determinado
comportamento cíclico acompanha do estilo que é perene,
onde você pode ter mudanças modais, o estilo é ligado
à personalidade de cada pessoa.
Flávia
Viana é
acadêmica de jornalismo na Universidade Anhembi Morumbi - São
Paulo. Trabalha na área de assessoria, consultoria de Moda. Desde
1996 tem realizado trabalhos de produção de moda para
televisão.