Pashmina, um conforto para o inverno

Por Patrícia Douat*

Muitos acham que pashmina é a denominação da famosa manta. Na verdade, este é o nome do fio usado. O fio de pashmina é transformado em blusas, cobertores, xales e, por fim, nas famosas e tão cobiçadas mantas.

Cada vez mais a pashmina, como é conhecida manta no Ocidente, vem demonstrando que chegou para ficar. Hoje é um dos itens indispensáveis no quarda-roupa da mulher elegante. Mas é indispensável conhecer um pouco mais sobre esta peça.

De origem controversa, a palavra pashmina possui várias explicações. Uns dizem que vem da palavra Persa para lã, outros que deriva da palavra ipashami que significa se refere a fina lã da Chvangrai, a cabra selvagem do Himalaia ( Capra Hibiscus Ibex) .

Muitos confundem a pashmina com o cashmere. Apesar de serem parentes próximos, existem substanciais diferenças entre os dois. O cashmere, originário da região de Cachemira, no norte da Índia, possui uma textura mais grossa e áspera que a pashmina. Feito da totalidade do pelo das cabras da montanha apresenta uma fibra mais grossa, por volta de 16 a 19 microns em diâmetro contra a grossura de 10 a 16 microns da pashmina. Esta diferença se deve ao fato de apenas o sub-pêlo da barriga das cabras selvagens serem usados para a produção da pashmina. Já o cashmere aproveita o pelo das cabras na sua totalidade.

Por outro lado a confusão intensificou-se, em parte, devido a um acordo firmado pelo marajá de Cachemira, que dava a esta região direitos sobre toda a produção do Nepal deste material. Sendo assim, por muito tempo apenas a Índia podia produzir os tão cobiçados tecidos.

Não existe registro de quando a pashmina surgiu na história da Ásia, mas por mais de 1.000 anos tem se mantido como um sonho de consumo tanto da realeza quanto da plebe. Sua trama é tão fina que demanda um fio de mais de 3 quilômetros para completar um pequeno xale. São necessários 7 animais para produzir uma única peça.

Em princípio, o uso da pashmina era reservado à nobreza. Tudo começou com uma peça shahtoosh , a mais fina de todas as tramas de pashmina. Por volta do século XVIII quando governador da Cachemira presenteou um visitante de Bagdá com um desses belos xales que este tecido tornou-se conhecido dos ocidentais. Esta peça terminou nas mãos de Napoleão Bonaparte que o deu a sua esposa Josephinne. Esta por sua vez demandou peças de todas as cores possíveis dando início, assim, a paixão ocidental pela pashmina.

A suavidade da pashimina é devido ao tipo e a grossura do pelo usado na sua confecção. Esta fibra possui uma grossura inferior a 15 microns de diâmetro, o que é bastante significativo quando consideramos que o fio de cabelo humano possui uma grossura de 75 microns.

Cada cabra selvagem produz de 80 a 100 gramas de pashmina por ano. Por outro lado, o shahtoosh é consideravelmente mais fino e leve que a pashmina, podendo uma manta deste material, passar facilmente por dentro de um anel. Shahtoosh é uma combinação da palavra persa Sha que significa “Rei” e toosh “xale”. Estes maravilhosos e cobiçados xales tem sido produzidos em Cashemira e disputados pelos nobres e poderosos por muitos séculos.

Infelizmente, para colher a matéria prima do shahtoosh é necessário a morte do antílope que o produz. Sendo assim, sua exportação e venda nos países ocidentais foi devidamente proibida.

Muitos produtores de pashmina dizem que a cabra doméstica, que pode ser facilmente criada, pode produzir uma pashmina da mesma qualidade que a selvagem e bastante similar ao shahtoosh. A diferença é que a pashmina pesa o dobro do shahtoosh, mas já se desnvonvem métodos de procesamento para a criação da shahmina , um fio intermediário mais leve que a pashmina clássica.

Enquanto a pashmina é vendida por um valor que varia de US$50 a US$ 1.000 o shatoosh custa entre US$ 3.000 e US$ 15.000, ou mais.

Dizem que entre 629 e 645, o explorador chinês Hsuan Tsang, viajando entre a Ásia e a Índia, ficou fascinado com a maciez e delicadeza do shahtoosh. O primeiro europeu a visitar a Cashemira, o francês François Bernier, registrou sua admiração pelos delicados xales em 1660. a partir de 1770 estes xales se tornaram o coqueluche da nobreza européia.

Segundo o Catmando's Shoppe Craft, existem 3 tipos de pashmina:

  1. 140 NM/2 seda com Pashmina – muitos comerciante vendem estas peças como 60% pashmina – 40% seda; 70% pashmina – 30% seda ou, 75% pashmina – 25% seda. Mas na realidade o que se tem é 45% pashmina – 65% seda.
  2. 210 NM/2 seda com Pashmina – isto é vendido como 70% pashmina – 30% seda; 75% pashmina – 25% seda. O que se tem aqui é por volta de 60% pashmina – 40% seda.
  3. Pashmina com Pashmina – isto é 100% pashmina.

Cuidar de uma pashmina não é difícil.

Guarde seu xale enrolado para evitar desgaste na área dobrada.

O ideal é mandar lavar a seco, mas se lavar em casa tome alguns cuidados.

Não ponha na máquina, jamais. Lave à mão.

Primeiro escove com delicadeza para remover o excesso de fibras.

Basta lavar em água morna para fria, com um xampu natural e orgânico para cabelos com PH baixo. Muitos fabricantes usam o xampu Aveda, que consideram o melhor para isto. Para a secagem, torça delicadamente com a auxílio de uma toalha felpuda, estenda o xale para que reassuma seu formato natural e deixe secar sobre uma superfície plana, em área bem ventilada. Use uma escova bem macia para escovar o xale, levemente, na direção das fibras para afofá-lo. Passe com leveza com um ferro a vapor.

Para os budistas é importante considerar a importância das cores. Ainda que os teóricos discutam o uso de cores, na prática sua importância é reconhecida devido ao seu forte apelo emocional e, por conseguinte, sua importância religiosa e efeito esotérico. As combinações e as cores sólidas são usadas para despertar as respostas emocionais desejadas. Por esta razão as cores tendem a ser fortes e profundas, desprezando, na maioria dos casos, nuances esmaecidos. Os pigmentos são tradicionais e adotados por seu valor simbólico dentro da sociedade budista.

Ainda que o contexto varie de região para região, o budismo identifica algumas cores principais como importantes em uma variedade de circunstâncias e isto se reflete noas pashminas que mantiveram um status sagrado por centenas de anos:

Branco: tudo está presente na cor branca, nada é escondido ou desconhecido. A deusa do conhecimento e aprendizado, Saraswati, é representada com a cor branca. A mensagem desta cor é de que o conhecimento e aprendizado não deve ser escondido mas deve estar ao alcance de todos. Seu simbolismo é duplo, representando a frieza da neve e o escaldar do metal fundido. Pode ser ameaçadora, representando o final de uma etapa mas, ao mesmo tempo, regeneradora, com o início de uma nova fase. É a cor da deusa Tara, a mais antiga das deusas Indianas, no seu aspecto Tara Branca que representa a longevidade. Este aspecto da deusa denota pureza, claridade e santidade. “Aquela que guia para além da escravidão escura”.

Preto: significa a escuridão primordial. No reino da escuridão existe o som que não se ouve por ser tão alto que a audição não consegue captar. As maravilhas da criação podem se manifestar através do baixar gradual das vibrações. Ainda que o uso do preto nas imagens sagradas ou thangkas , seja recente, esta é uma cor altamente mística e de profundo significado esotérico. É a cor do ódio, transmutado, pela alquimia da sabedoria, em compaixão. Representa a eminência do absoluto, o limiar da experiência. É usado para terríveis ações rituais quando se dá a conquista radical do mal em todas as suas formas.

Azul: símbolo da eternidade, verdade, fé, pureza, caridade, castidade, paz e vida espiritual em todas as culturas. No budismo tanto o azul turquesa, que simboliza as qualidades da pedra que lhe dá o nome, quanto o azul escuro, simbolizado pelo lápis-lazúli, são consideradas cores extremamente importantes. O azul turquesa simboliza a imensidão do céu e do mar. Esta imensidão representa a capacidade de ascenção do espírito. Seu aspecto mais importante é a sua capacidade de absorver os pecados. É uma cor sagrada, também para a cultura persa, aonde representa a pureza. Já o lápis-lazúli ou o azul escura é usado para representar tudo que é puro e ou raro. Acredita-se possuir um poder curativo e de fortificação para todos que o usam. É a cor do principal Buda da medicina, tornando esta cor uma das mais importantes dentro do misticismo budista.

Vermelho: também importante dentro das pinturas religiosas é uma cor usada em poderosos rituais. É a cor da paixão transmutada em discriminada sabedoria. Sua associação com o coral, presente da Mãe Oceano aos homens, nos lembra nossa eterna fundação. O coral é uma das cinco pedras sagradas do budismo, logo esta cor simboliza a energia da força da vida. Protege contra a inveja e acredita-se que cure doenças e mesmo seja um antídoto contra envenenamento. É uma cor auspiciosa para a cultura tibetana, sendo uma das cores dos cinco Budas e a cor das vestes dos monges. Para os chineses o coral é o símbolo da longevidade e na Índia é usado para prevenir hemorragias.

Amarelo: é a cor do dia. Possui o maior valor simbólico dentro do budismo. É a cor do hábito dos monges e lamas. É a cor sagrada do manto do Dalai Lama. Esta cor foi usada pelos criminosos até ser escolhida pelo Buda Gautam como símbolo de sua humildade e desapego ao materialismo. Significa renuncia, desprendimento e humildade. É a cor da terra e , portanto, símbolo das raízes e equilíbrio da terra.

Verde: representa, para os budistas, as qualidades de equilíbrio e harmonia. É a cor da natureza e da vida. Cor de um dos aspectos da deusa Tara, a deusa mais reverenciada no Tibet. Tara Verde representa a união do branco, amarelo e azul, cores simbolizando respectivamente os aspectos de paz, crescimento e destriução. A cor verde representa, também, o vigor da juventude e atividade. O Senhor do Carma budista, Amoghasidhi, associa-se a esta cor, reforçando a idéia de que verde é a cor da ação.

Dourado: outra cor muito importante dentro do misticismo budista. O apego dos tibetanos pela cor dourada vem de tempos imemoriais. O dourado representa, para os budistas, a cor do sol e do fogo. É sue metal mais valioso e recebe status sagrado através de sua associação com Surya, o deus sol do panteão budista.

No que diz respeito ao uso de sua pashmina, o aspecto mais importante é saber que quanto mais uso seu xale tiver mais macio e suave este se tornará, proporcionando, assim, conforto e calor, tanto no sentido físico quanto no sentido emocional.