Como escolher o
melhor caminho na hora de investir?

Por Danillo Mitsujima e Stefano Dalle Olle*

Hoje, muitas pessoas falam sobre investimentos. Mas, afinal, o que é um investimento, como posso fazê-lo, o que quer dizer essa montueira de letras (CDB, DI, RF, PGBL, VGBL, etc.)? Neste artigo, vamos simplificar um pouco as coisas. Primeiro, é ideal que seja definido o que é um investimento. De acordo com o Aurélio, investimento é aplicar ou empregar capitais. Em outras palavras, investimento é empregar capitais em negócios próprios, em imóveis, em fundos bancários, em objetos de coleção, etc. Neste artigo, nós preferimos nos voltar para fundos de aplicações bancários. Antes de definir o que quer dizer a sigla de cada aplicação, é importante saber algumas definições.

Aplicação de Renda Fixa: fundos de aplicações com baixo risco e rentabilidade, com carteiras formadas normalmente por títulos públicos mistos (pré-fixados e pós-fixados) com rentabilidade predefinida.

Aplicação de Renda Variável: Ao contrário da renda fixa. Estes fundos possuem alto risco de perda, mas em compensação possuem alta rentabilidade, estes fundo são formados por uma carteira de ações que variam de acordo com a cotação da bolsa de valores.

Aplicação Pré-fixada: Aplicação onde antes mesmo de se aplicar capital o investidor sabe o quanto seu capital irá render após certo período de tempo.

Aplicação Pós-fixada: Aplicação onde à rentabilidade varia de acordo com a taxa de juros, isto é a rentabilidade não é predefinida no final de certo período de tempo.

Liquidez: Maior ou menor facilidade de se negociar um bem, convertendo-o em dinheiro.

Dividendo: Valor distribuído aos acionistas, em dinheiro, na proporção da quantidade de ações possuídas. Normalmente, é o resultado dos lucros de uma empresa.

Ação: Título Representativo da menor parcela em que se divide o capital de uma companhia.

Estas definições são importantes para se entender melhor as especificações de cada fundo que descreveremos abaixo. Vamos classificar por riscos, começando com as aplicações de baixo risco até alto risco.

CADERNETA DE POUPANÇA: É o mais simples e popular dos investimentos, que remunera suas aplicações com taxa igual à TR + 6% ao ano.

  • Vantagens: Único investimento sobre o qual não incide cobrança de Impostos de Renda, possui baixo risco e a rentabilidade é igual em todos os bancos.

  • Desvantagens: Oferece baixa rentabilidade.

FUNDOS DE RENDA FIXA: São fundo de baixo risco, onde o investidor (cotista) compra parcelas (cotas) dos papéis que formam o fundo, é como se o investidor comprasse parte de uma empresa e recebe os dividendos de acordo com sua quantidade de cotas.

  • Vantagens: possui baixo risco e é acessível para investidores com baixo capital.

  • Desvantagens: Possui baixa rentabilidade, o administrador do fundo (bancos) cobra elevadas taxas administrativas que literalmente sugam a rentabilidade do fundo.

CERTIFICADO DE DEPÓSITO BANCÁRIO (CDB): São compromissos assumidos pelos bancos que lhe oferecem uma determinada rentabilidade num certo período de tempo, em outras palavras é como se o investidor emprestasse dinheiro para o banco num certo período e o banco depois do período devolve o dinheiro mais a rentabilidade prometida. Normalmente a rentabilidade é definida como um percentual do CDI que é baseada na taxa Selic de juros básica.

  • Vantagens: Quando tem percentual de rentabilidade próximo a 100% do CDI, é uma das melhores e mais seguras aplicações do mercado, além de não sofrer taxa de administração.

  • Desvantagem: Por ter taxa pré-fixada não acompanha a variações do mercado, e outro fator importante é que se o banco falir, o investidor não tem nenhuma garantia do recebimento da quantia aplicada. E outro fator é que após o período determinado pelo banco o capital não é reaplicado e é cobrado CPMF em todas as transações tanto de aplicação como de resgate. E é um fundo que não possui Liquidez.

FUNDOS DI: São fundos pós-fixados com rendimento baseado no CDI que acompanham as oscilações da taxa de juros através de negociações de títulos.

  • Vantagens: É uma boa forma de acompanhar os juros que em geral crescem em épocas de recessão.

  • Desvantagens: Possuem taxa de administração e podem dar rendimentos negativos quando há uma queda dos juros básicos.

FUNDOS DERIVATIVOS: fundos que investem em títulos com risco elevado, podendo estes render lucros altíssimos como perda considerável de patrimônio.

  • Vantagens: Oportunidade de ganhos muito acima da média

  • Desvantagens: Possuem taxa de administração e alto risco de perda.

FUNDOS CAMBIAIS: Fundos que investem em título que pagam juros em dólar.

  • Vantagens: Acompanham a variação cambial, isto é aumentando a cotação da moeda o investido recebe mais.

  • Desvantagens: Há taxa de administração e existe perda quando a moeda brasileira está em alta. Nesse caso, ha ainda o fato de os dividendos oriundos dos resultados das empresas que compõe a carteira de cada banco não serem repassados ao investidor.

FUNDO DE AÇÕES: Fundos que adquirem ações em geral procurando oferecer a seus cotistas uma rentabilidade próxima a renda média das ações.

  • Vantagens: É a forma mais simples de negociar ações exigindo mais conhecimento do mercado do que conhecimento das empresas.

  • Desvantagens: Possui taxa de administração e grande risco de perda, além de estar sujeito a variações políticas, riscos econômicos, especuladores e às incertezas do mercado.

AÇÕES: São participações nos resultados de empresas, que distribuem dividendos quando ocorrem lucros.

  • Vantagens: Quando operadas com grande conhecimento do mercado, oferecem boa rentabilidade.

  • Desvantagens: Exigem grande conhecimento do comportamento do mercado, da empresa, da economia e da política, além de possuir alto risco de perda.

FUNDOS BALANCEADOS: São fundos que atuam com características mistas (renda fixa e renda variável) a fim de contrabalançar os riscos excessivos.

  • Vantagens: Podem trazer rentabilidades acima da média e possuem menos riscos que ações e também não delimitam a rentabilidade como Renda Fixa.

  • Desvantagens: Possuem taxa de administração e o investidor pode perder capital quando há mudança brusca no mercado.

PLANO GERADOR DE BENEFÍCIOS LIVRE (PGBL): É um planejamento financeiro administrado por uma instituição financeira. Isto é a administradora capta recursos periodicamente por um determinado período e após esta data limite oferece uma renda perpétua, ou por um período ou todo o montante para o investidor.

  • Vantagens: Para quem não pretende investir tempo na construção de um plano financeiro a longo prazo é uma boa opção.

  • Desvantagens: Há incidência de Imposto de Renda que será pago no resgate, além de haver taxa administrativa e o dinheiro investido fica bloqueado impedindo resgates parciais.

VGBL: É um planejamento financeiro igual ao PGBL

  • Vantagens: O VGBL possui as mesmas vantagens que o PGBL, com a diferença que o imposto de renda é sobre o rendimento e não sobre o montante total.

  • Desvantagens: Possui taxa administrativa e imposto de renda sobre o rendimento, além de bloquear o dinheiro aplicado há um tempo mínimo de permanência no plano para que se realize o resgate total do montante.

Tanto no fundo de ações como nas aplicações em ações, o investidor deve considerar o prazo que os recursos permanecerão aplicados. Nesses dois modelos, considerados de altíssimo risco, são recomendados prazos longos para o resgate, pois variações no cenário econômico poderão compensar eventuais perdas caso a rentabilidade venha a ser negativa durante determinados períodos.

Deve-se ter atenção com outros produtos que são comercializados pelo banco sob a máscara de investimentos, mas que são apenas títulos de capitalização e que são reajustados apenas de acordo com a TR. Para esses títulos, são cobrados depósitos mensais regulares, e impedem o resgate a qualquer momento pelo investidor. São uma alternativa para pessoas que necessitam guardar dinheiro por prazo de médio a longo. O valor do resgate é proporcional ao percentual pago do valor negociado da carteira.

A maioria destes fundos de investimento possui taxa de administração. Temos que tomar muito cuidado com taxas acima de 2% ao ano, pois estas acabam retendo praticamente quase toda a rentabilidade do fundo.
Outro fator que devemos nos preocupar é a liquidez do fundo e quantidade mínima de capital a ser aplicada. Uma frase importante para refletir é "Não confie plenamente no seu Gerente, ele é apenas um vendedor de serviços do Banco". Acreditamos que este artigo já é suficiente para suprir as suas dúvidas básicas sobre investimentos, agora basta reunir seu capital, conversar com seu gerente e começar a se familiarizar com o mercado financeiro e diversificar suas aplicações. Uma coisa muito importante para ter em mente é: nunca aplique todo o seu recurso apenas em um fundo, se este der rendimento negativo, você acaba perdendo dinheiro. Sempre que possível, diversifique seus investimentos.

Danillo Mitsujima é biólogo formado pela Universidade Santa Cecília e pós graduando do curso de MBA de Gestão Empresarial na Universidade Anhembi Morumbi.

Stefano Dalle Olle é graduado em Turismo pela Universidade Anhembi Morumbi, bem como pós graduando do curso de MBA de Gestão Empresarial na Universidade Anhembi Morumbi.