TATUAGEM: UMA HISTÓRIA QUE PERMANECE NA PELE

*Por Camila Finucci, Luciana Böhm e Mariana Bartol

Por baixo de algumas camadas de tinta eternizadas na pele, a tatuagem, ao contrário do que muitos pensam não é coisa de gente moderna.  O ato de marcar o corpo é tão antigo quanto a humanidade. Marcas adquiridas em guerras, lutas corporais e caças geravam orgulho e reconhecimento ao homem que as possuísse, pois eram expressões naturais de força e vitória. Então o homem passou a marcar-se voluntariamente, fazendo ele mesmo seus ferimentos pelo corpo, que com o passar do tempo deu espaço para a criação de desenhos utilizando-se de tintas vegetais e espinhos para introduzi-las à pele.

A partir daí, diversos povos, de diversas culturas começaram a usar pinturas definitivas por motivos espirituais, em rituais de várias espécies, para a guerra, para marcar os fatos da vida como o nascimento, puberdade, reprodução e morte entre outros.


Nos dias de hoje, inconscientemente, resgatamos as origens da tatuagem quando perguntamos aos jovens os motivos pelo qual se tatuaram. Para muitas pessoas, desenhos estampados no corpo são uma forma de homenagear entes queridos. Segundo Fernanda, 22 anos, que tatuou uma estrela em lembrança da irmã que faleceu há dois anos. Suzana, 29 anos, tatuou no braço esquerdo o nome de seu filho que acabou de nascer. Já Beatriz, 19, acredita que a tatuagem significando paz em hebraico é algo que atrairá boas vibrações para sua vida.


Apesar de ser considerada um costume masculino, há 2.000 a.C  era uma pratica feminina. Foram encontradas no Egito múmias de mulheres tatuadas como a de Amunet, sacerdotisa de Hathor, encontrada em 1922. Tatuagens em múmias do sexo feminino tinham função mágica de proteção contra doenças, rituais de fertilidade e finalidades estéticas, como pode ser observado atualmente homens e mulheres que se tatuam para se diferenciar e para se sentirem mais bonitos e atraentes, como Ana Carolina, 23, que tatuou um tribal no cóccix apenas por achar o lugar sensual e o desenho bonito.


Povos do norte europeu acreditavam que as tatuagens lhes davam poder e força e que os desenhos ficavam impressos na alma para que eles pudessem ser identificados após a morte por seus antepassados. Seus guerreiros recebiam as tatuagens depois de um ato de bravura. Os desenhos serviam para distrair o inimigo, além de representarem a conexão de todas as coisas sobre a terra. Roberto, 34, tatuou nas costas um dragão, pois considera uma figura forte que impõe respeito e lhe daria poder.


O mais importante é percebermos que, apesar do modismo, muitas pessoas ainda mantêm os costumes e tradições de outras civilizações mesmo sem ter conhecimento sobre o assunto. Um simples desenho carrega muitos significados e reflete a personalidade de cada um, marca que permanecerá registrada na pele ao longo de sua vida.

*Camila Finucci, Luciana Böhm e Mariana Bartol são alunas do 6º semestre do Curso de Negócios da Moda da Universidade Anhembi Morumbi.