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McQueen
por Anne Deniau
Ver
e ser visto: questão para se pensar no
último show de Alexander McQueen, na London
Fashion Week 2000/01 .As modelos atuaram
em caixas de vidro espelhado, como "prisioneiras",
condenadas a ser vistas e não ver nunca.
Apenas no final, uma das caixas revelou nudez
e borboletas. Única modelo a se deleitar
com a dupla via de ser olhada e também
poder olhar.
Os
desfiles de McQueen
são muito mais do que simples exibições
de roupas. São verdadeiras performances,
dramáticas e surpreendentes, onde o estilista
e sua equipe manipulam conceitos de arte e tecnologia
de forma primorosa. Capturar seus universos não
é tarefa muito simples e demanda sensibilidade
mais do que documental.
"Eu
sou efêmera. Eu sou uma testemunha silenciosa.
Sou bruxa e fada(
)Se eu fosse uma japonesa
eu seria caligrafista. Se fosse uma terra, eu
seria uma ilha. E se eu morrer - com minhas mãos
cheias de imagens - não fechem meus olhos,
queimem meu corpo e dêem minhas cinzas ao
mar."
As
palavras da fotógrafa francesa Anne Deniau
sobre ela mesma, presentes no convite da exposição
Insensé, apontam o que será visto
nas fotografias espalhadas pela loja de Alexander
McQueen, em Londres: um olhar especial para captar
o designer e suas criações, para
além da obviedade. Visão suave para
imagens agressivas, ângulos inesperados,
locações surpreendentes e retratos
do próprio McQueen. Singular e sensível,
a fotógrafa foge do glamour e prefere sugerir
sensações mais sutis.
 O
resultado é poético, em imagens
de cor sépia ou preto e branco. Expostas
de forma simples, em molduras e tamanho tímidos,
o difícil é escapar à sedução
de olhar e tocar as roupas da coleção
de inverno 2000 - ao vivo e à cores - e
esquecer das fotografias. Portanto, a exposição
vale duas voltas nas araras de McQueen, na 47
Conduit St., até o dia 20 de outubro. E
para quem não estará por aqui até
então, vale então abrir os olhos
para imagens de Anne Deniau. Em qualquer lugar.
Alexander McQueen - 47 Conduit Street - Londres
W1 - Metrô Oxford Circus - Até 20/10/00
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