Moda
na mesa de conferências
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do IFFTI com imagens londrinas mais o
prédio do London College, no alto,
à direita. |
Todo
mundo já sabe que não se entende
de moda olhando somente as passarelas e devorando
a sensibilidade dos grandes criadores... Sequer
mastigando o que é veiculado pela mídia...
E já faz muito tempo que as ruas são
fontes de pesquisa. Cultura, música e
arte então, nem se fala.... Mas é
fato mais recente e ainda visto com desconfiança
pelos mais conservadores, que este campo profissional
ganhe, cada vez mais, espaço na academia.
Ponto para todas as costuras, que promovem a
moda assim como ela deve ser vista: assunto
tão sério quanto glamouroso.
Sendo
assim, nada mais justo que isso aconteça
em âmbito internacional e de forma abrangente.
E o IFFTI - rede que congrega instituições
dedicadas ao avanço da educação
em design, tecnologia e negócios de moda
- se consolida, a cada ano, neste sentido. O
primeiro encontro aconteceu na Índia,
em 1998. No ano passado, a anfitriã foi
a Universidade Anhembi Morumbi, em São
Paulo. Neste ano, a terceira conferência
se realizou em Londres, sediada pelo
London College of Fashion, entre 07
e 10 de novembro.
Com
o título Fashion Directions : Visioning
the Future, o London College promoveu um evento
de excelente qualidade, reunindo delegações
das 21 escolas participantes (incluindo países
como Austrália, Grécia, Holanda,
Noruega, França, China, entre tantos
outros), interessadas trocar experiências
e avançar no intercâmbio entre
educadores, pesquisadores, estudantes e profissionais
de moda de diversas áreas
O
primeiro e último dias foram dedicados
às discussões internas e workshops
educacionais e contaram com a apresentação
do site do IFFTI, por Carmem Maia, diretora
de Desenvolvimento Tecnológico da UAM.
O site pretende ser o espaço de comunicação
entre os participantes, assim como um banco
de dados que reunirá informações
de moda sobre cada uma das escolas, designers
e empresas dos países envolvidos.
Na
quarta feira, um big painel de discussões
sobre tendências de moda, comportamento
e consumo foi coordenado por Martin Raymond,
nada mais, nada menos do que o editor da Viewpoint,
uma das revistas mais sérias e conceituadas
em termos de pesquisa, verdadeira "bíblia"
de antenados. A mesa contou com a participação
de nomes como Hilary Alexander, editora de moda
do Daily Telegraph, Barbara Kennington, diretora
de criação do site de pesquisa
WGSN,
Eric Musgrave, da Drapers Record e Marie Christine
Viannay, pesquisadora de tendências e
analista de comportamento, que garante: "para
pesquisar moda eu leio livros de antropologia,
psicologia, sociologia e não vejo quase
nada das passarelas".
E
ela não foi a única a colocar
o quanto a forma de abordar tendências
tem outra cara no século XXI. Globalização
e internacionalização da moda
(linkar com o LL "Alta moda de rua")
foram características mais do que repetidas
por palestrantes de todas as áreas: "tudo
está nas ruas, tudo está feito,
a criação tem de seguir caminhos
muito diferentes de idéias como 'agora
me inspirei na África', ou 'estou fazendo
os anos 60' e coisas assim...", completou
o muito bem humorado Tonny Glenville, comentarista
de moda internacional. Ele apareceu todo vestido
de brechó e fez questão de deixar
isso claro, quando chamou atenção
para a questão "marcas versus preços"
e como o consumidor tem se posicionado nesta
batalha.
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Parte do
traje The final home, desenhado por Kosuke
Tsumura. Verdadeiro guia de sobrevivência. |

Outras
palavras-chave da conferência foram:
- Internet , é claro... Tecnologia para
a educação, recursos digitais,
cyber design, desfiles virtuais... E muito,
muito mais nesta direção;
- Rapidez, velocidade em todos os sentidos...
Mas, principalmente, na circulação
de informações e de mercadorias;
- E-commerce ou o estrondoso aumento do comércio
pela rede e desenvolvimento de estratégias
para a moda;
- A idéia de "sociedade 24 horas",
abrangendo, obviamente, as concepções
contemporâneas de tempo, espaço
e trabalho;
- A idéia de personalização
de atendimento, adentrando o consumo de massa;
- O desafio de unir criatividade, técnica,
marketing e comercialização nas
equipes de trabalho (Martin Raymond acha que
toda equipe de design deve ter um pesquisador
teórico envolvido...)
- Desenvolvimento de posturas éticas,
em todos os sentidos;
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Bolsa-estola
da Vexed Generation: funcionalidade ornamental.
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E
a mesa de conferências não parou
por aí. No penúltimo dia, reuniu
pesquisadores de diversas áreas como
novas tecnologias, cultura, imagem, comportamento
do consumidor, desenvolvimento têxtil
e educação. As apresentações
em plenário e os grupos de discussão
mantiveram e reforçaram muitas das idéias
apresentadas na quarta feira, consolidando toda
uma rede de informações bastante
consistente.
Não
foi por acaso que o desfile de encerramento
- reunindo escolas inglesas como a De Montfort
University, a Nottingham Trent University e
o próprio London College of Fashion -
teve muito menos espectadores que as palestras...
Como imagem do encontro, a exposição
The supermodern wardrobe (que está na
galeria do LFC até 05/12) é muito
mais forte para expressar o que aconteceu ali,
em termos de troca de conhecimento: explora
caminhos para trajes urbanos, femininos e masculinos,
em 30 criações assinadas por gente
como Hussein Chalayan, Patrick Cox e Issey Miyake.
Trabalhando conceitos como proteção,
mobilidade e múltipla funcionalidade,
outros nomes menos conhecidos do grande público,
como Kosuke Tsumura e Vexed Generation transformam
filosofia e realidade em roupa. O refuge wear
de Lucy Orta, mais a jaqueta desenvolvida em
parceria pela Philips e a Levi's são
puros retratos sociais contemporâneos.
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Jaqueta
Philips/Levi's que incorpora tecnologia.
Ao fundo o refuge wear de Lucy Orta: roupa
para se virar em qualquer lugar.
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A
exposição organizada pelo London
College em parceria com o Victoria and Albert
Museum é a própria cara do que
o 3º IFFTI deixa como mensagem: enxergar
o futuro é trabalhar conceito em roupas
e acessórios com os olhos bem abertos
para ver o que as pessoas estão lendo,
ouvindo, fazendo, pensando e querendo. Para
muito além do guarda-roupa.