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London Calling
By
Carmem Maia *
Tem lugar e dia
melhor para se pensar na vida do que um domingo
de manhã?
Ou melhor, um Sunday morning quente de
setembro, very early in the morning,
no Regent’s
Park, em Londres?
Sim, você vai responder.
Tem sim. Tem o domingo de manhã do inverno
carioca, no calçadão do Leblon.
Tem o barulho do mar e o mergulho na Praia de
Itacimirim, litoral norte da Bahia.
E, claro, tem o domingo de manhã na Cocaia,
no deck do Moa, com a Luli aos pés e a
cachoeira ao fundo.
Mas, na maioria das vezes não
é possível unir o útil ao
agradável.
Ou melhor, muitas vezes o útil não
combina e pode não ter a ver com o agradável.
E ainda, para não misturar o que é
útil e necessário com o que é
agradável, descobri - antes tarde do que
nunca - que o melhor é manter cada coisa
em seu devido lugar, sem querer misturar, para
que cada situação e cada estado
mantenha sua identidade, característica,
lembrança e personalidade, sem contaminar
um ou outro.
Mas, chega de filosofia de domingo
de manhã e vamos falar do que está
acontecendo por aqui, já que estou em Londres
e meu atual estado de felicidade máxima
está relacionado ao primeiro parágrafo
do texto: i.e. um domingo hiper super ensolarado
(para os padrões londrinos, of course),
uma xícara de café e uma volta de
bicicleta pela inner circle do Regent’s
Park.
Quem
acompanha o ModaBrasil
deve se lembrar do site que a Cris Mesquita, ou
melhor, mantinha, chamado LondonLink. A Cris morou
aqui durante dois anos e nos deixava semanalmente
informados sobre alguns eventos de moda em Londres.
Hoje a Cris está de volta ao Brasil, e,
desde que estou aqui, ando ensaiando para aceitar
o convite da Kathia Castilho, editora do ModaBrasil,
para prosseguir com o LondonLink. Agora estou
chamando o site de London Calling e pretendo
também transmitir pela Radio
Brasil 2000 FM, se tudo der certo, of course...
Melhor esclarecer e abrir um parênteses
aqui (aliás, quem continuar lendo, vai
perceber que adoro um parênteses, já
que meus textos são recheados de pensamentos,
e pensamentos são não lineares...).
Bem, continuando, é bom esclarecer que
não tenho formação em moda,
nem sou jornalista de moda. Sou jornalista e morro
de inveja - vou confessar - dos jornalistas de
moda, cercados de gente bonita, interessante,
chic, etc.. Mas, infelizmente, não foi
por aí que me especializei, apesar de ter
trabalhado vários anos da minha vida com
professores de moda da Anhembi Morumbi: Kathia,
Cris, Carol, Dario, Sérgio, entre outros...
Voltando, não tenho a menor pretensão
de escrever sobre Moda como a Cris fazia tão
bem... Mas, posso tentar trazer um pouco da minha
visão muito pessoal sobre o que está
acontecendo em Londres, e vcs, especialistas em
moda vão entender e, quem sabe, essa leitura,
além de prazerosa, também seja útil...
Estive
no Brasil em agosto, e li em uma Vogue - não
me recordo a data da edição - a
coluna da Constanza Pascolato sobre Londres. Ela
realmente descreveu seu roteiro fashion londrino
de forma minuciosa e prazerosa. Eu, que estava
só de passagem pelo Brasil, fiquei morrendo
de saudades de Londres... Em poucas linhas, mas
com um conhecimento de causa impecável,
ela saiu de Chelsea, percorreu a moderníssima
Bruton
Street, onde a loja da Stella
McCartney faz um tremendo sucesso e galerias
de arte se misturam a lojas de novos estilistas
do mundo todo, passando pela Oxford Street - Topshop,
Selfridges. De lá, caminhou para Convent
Garden, que é sempre uma parada deliciosa.
Pena que o roteiro feito por Constanza
não foi de bicicleta. Parte do roteiro
dela foi de táxi, parte a pé. De
bici, a visão da cidade é bem diferente.
Igualmente deliciosa, mas bem diferente. Andando
de bicicleta por Londres dá para entender
muito da cidade, das pessoas, dos carros, das
lojas, das ruas. Quem não entende porque
aqui se dirige “ao contrário”,
vai logo entender se sair de bici pela cidade.
E, vai perceber, que onde se dirige “errado”
é no resto do mundo e não aqui...
A cidade é praticamente toda plana, pouquíssimas
subidas e ladeiras quase nenhuma. Ou seja, é
uma cidade para se andar a pé, de bicicleta
e, é claro, de metro.
É
andando de bicicleta por Londres que a gente se
sente respeitado como ser humano, como pessoa,
como um motorista. Aliás, bicicleta aqui,
é considerada um veiculo de locomoção,
que como tal, merece todo o respeito de uma cidade
civilizada, ou seja, faixa apropriada: em alguns
lugares, ruas inteiras com faixas só de
bicicleta, com direito a farolzinho e tudo.…
Os ônibus esperam você ultrapassar,
os carros não buzinam, por mais barbeira
que vc possa ser ou parecer... Enfim, aqui, você
se sente um ser humano. E, não pensem que
é preciso coragem para andar de bici em
London. É uma questão de costume
e de ser “confident”.
Be confident, they say. Confident in what? In
yourself. Well, don’t look back, look straight
ahead, being confident they will respect and trust
you. Traduzindo: tenha segurança.
Sinta-se seguro do que está fazendo. Sendo
confiante e mostrando segurança vai dar
segurança para o ônibus, para o táxi
ao lado, para os pedestres. Vai ser respeitado.
É só não olhar para trás.
Olhe para frente, vá em frente, tenha confiança
em você mesmo e assim será respeitado
e confiarão em você. Conselho que
vale para tudo, não é mesmo???
Bem,
foi andando de bici em London, que me deparei
certo dia com um pensamento sobre o que estou
chamando de exército verde-limão.
E, pensei, posso estar bem errada, mas muito do
que se vê nas ruas londrinas tem a ver com
a roupa dos motoristas de bicicleta.
Sabe aquelas calças que estão usando
direto por aqui com bocas bem estreitas e dobradas?
Pois é, muito útil para quem vai
andar de bici... Bocas largas engancham na corrente...
Nada prático, não é mesmo?????
Outra idéia bacana é
a do poncho. Nada a ver com o antigo poncho de
lhama que era moda nos anos 70... É um
mini poncho que está nas ruas para se usar
por cima de tudo, camisetas, bikinis (muito prático
para ir ao parque tomar sol...), bem curtinho,
para não atrapalhar se estamos de bici...
Os
tênis, mega fosforescentes, sem cadarço
(cadarço é o fim para ciclistas,
ainda mais em Londres...). Botas são sempre
úteis e lindas, ainda mais se são
coloridas, como as que vendem na Selfridges, da
Mariko (sueca, designer de coisas de cozinha...
lindas, lindas e caras, caras...)
Mas
tem também as botas de bolinhas, na Selfridges,
bem mais baratinhas... Aliás, o bom de
Londres é isso. Ao mesmo tempo que você
tem uma Stella McCartney e uma Bruton Street,
a Fernwick, a Harrods e a Bond Street, você
tem também a Oasis, a Topshop, a Accessorize,
a John Lewis, a Selfridges - que sempre tem coisa
gostosa, além da seção dos
chás ayurvédicos...Ou seja, vc não
precisa ser “posh”(sofisticado,
chic) para desfrutar da cidade e das delicias
da cidade, pois Londres é uma cidade que
se reinventa e tem de tudo para todos e para todos
os bolsos e gostos....
Falando em praticidade, a moda vem da praticidade,
não vem? Acho que vem... Sandálias
havaianas aqui custam uma fortuna. As mais coloridas
- verde limão, por exemplo - só
são encontradas nas lojas mais “in”de
Covent Garden e custam entre 15 e 20 pounds...
Práticas? Nem tanto, já que andar
de havaianas nas ruas londrinas deixam o nossos
pés praticamente irreconhecíveis
após algumas horas de caminhada, de sobe
e desce de metro. Ou seja, ficam marcados por
tiras pretas do dust das ruas londrinas... Uma
pena, pois adoro andar de havaianas nas ruas,
dá um ar de liberdade... Acho que é
por isso que fazem tanto sucesso: um misto de
liberdade com displicência que os londrinos
amam...
Outro
sucesso londrino que eu adoro são os vestidos
ou saias em cima das calças, é tão
London e tão óbvio. As indianas
usam direto, as muçulmanas também.
Porque não usar a criatividade e usar e
abusar também???? Além do que, é
prático, sabe por que? Eu também
não sabia até chegar aqui e morar...
Porque é uma oportunidade de usarmos mini
saia, já que os dias de verão são
raros... É uma oportunidade de se vender
os vestidos e minis das lojas... e só dá
para usar com calça durante o ano. E por
que não durante o verão também...
So London London........I love it...
Next
week, more and more, please, comments, suggestions,
advises and critics are always very welcome...
Cheers.
Carmem
Maia from London
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