O
estilo Bridget Jones
Por
Daniela Oliveira*
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Capa
do livro de Helen Fielding que inspirou
o filme.
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O
filme O diário de Bridget Jones,
uma co-produção anglo-americana,
dirigida por Sharon Maguire, começa quase
como no best seller de Helen Fielding.
De ressaca e com vários quilinhos a mais
em virtude da orgia das festas de final de ano,
a quase anti-heroína Bridget (a texana
Renee Zellweger, perfeita como londrina, com
sotaque e tudo) vai ao turkey curry buffet
dos amigos da família, pronta - mas nem
tanto - para as eventuais perguntas sobre sua
(fracassada) vida amorosa.
Ela
chega encapotada, sobretudo e cachecol. De cara,
recebe a intimação da anfitriã,
Una Alconbury (Celia Imrie), para vestir algo
mais apropriado. O resultado é uma combinação
escarlate de jardineira e camisa, tão
floridas quanto as cortinas de muitos lares
ingleses, o que faz a moça se sentir
nem um pouco à vontade. Para piorar,
sua mãe Pam (Gemma Jones) e os amigos,
comovidos com a solteirice de Bridget, tentam
"arranjá-la" com o politicamente
correto advogado, especializado em Direitos
Humanos, Mark Darcy (Colin Firth).
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Bridget
: roupas erradas e má impressão.
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Ele
até seria atraente de costas, mas quando
se vira para ser introduzido à Bridget,
revela um pulôver de lã com um
alce estampado. Esse primeiro encontro causa
uma má impressão em ambos. Segundo
as palavras do próprio Mark, Bridget
se veste tão mal quanto à mãe
vulgar dela (!!!). Ódio à primeira
vista.
Esse
não é único momento em
que as roupas erradas, nas ocasiões que
deveriam ser certas, atrapalham a vida de Bridget.
A busca do outfit perfeito, incluindo underwear,
permeia as aventuras da balzaquiana mais famosa
do mundo ocidental, que vêm lotando as
salas de cinema da Europa e Estados Unidos.
Bridget
Jones é uma office girl londrina,
trabalha no departamento de publicidade de uma
badalada editora de livros e tem uma queda grande
pelo chefe, Daniel Cleaver (Hugh Grant). Apesar
de prometer a si mesma que não cairia
na tentação de dormir com ele,
decide um belo dia, ir ao escritório
de microssaia preta e top transparente
Daniel, um típico yuppie, estilo
casual chic, é um conquistador
nato e não resiste à tanta volúpia.
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Diferentes
cartazes do filme para a Inglaterra e
EUA.
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Ela
briga com a balança do começo
ao fim, mas não deixa que o fato de estar
gordinha signifique ser menos sexy. Ousa
em decotes, transparências e vestidos
reveladores. Bridget é o espelho da mulher
da high
street londrina. Ela própria
admite no livro, ser filha da cultura Cosmopolitan
se veste em lojas como Warehouse e Miss Selfridges,
compra básicos na Marks
& Spencer e ousa na lingerie
em momentos especiais. Chega a questionar a
real conveniência de gastar menos nas
lojas de departamento
Afinal, por que
comprar roupas de que nem gosta tanto se, pelo
preço de 3 ou 4 peças, ela poderia
ter um top de uma loja realmente descolada?
Ok, mas Bridget não ganha tanto assim
para se permitir esse luxo e, como a maioria
das mulheres, tem que aliar preço e conveniência.
Acaba com alguns itens encalhados no armário.
Preto,
cinza e tons pastéis (e pijamões
de ficar em casa devorando coisas engordativas
e taças de vinho Chardonnay, é
claro!) dominam seu guarda-roupa de inverno.
Muitas das profissionais da capital inglesa
seguem a cartilha de Bridget: tailleurs comportados,
jóias discretas e casacões de
lã preta, no auge do frio, podem vir
inusitadamente acompanhados de um par de sandálias
sexy, o que deixa a pergunta no ar: "como
elas conseguem?" E não é
só no horário comercial - mas
principalmente na hora da balada - a londrina
não deixa que as frentes frias estraguem
o efeito. O lema é: poderosa sempre que
necessário, quem liga para São
Pedro?
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Calçados
Pied à Terre, em estilo
comum nos escritórios e ruas de
Londres. O desejo de ser sexy não
se importa com as previsões climáticas.
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Mas,
apesar de suas desventuras amorosas, Bridget
tem bons e fiéis amigos. Entre eles,
está Jude, que vive entre o céu
e o inferno com o namorado, mas vai bem de carreira,
obrigada. Não se importa em gastar e
numa das passagens do livro, salva nossa heroína
na ocasião de uma festa fatídica
- as Bodas de Rubi dos pais de Mark Darcy. Bridget
tem os acessórios - meia-calça
com lycra e sapatos da Pied
à Terre mas falta o principal:
o vestido. Um preto clássico da amiga
abonada é solução. E ela
se sente tão chique quanto à festa.
Mas já que a vida de Bridget não
é um mar de rosas, o modelito inspira
o seguinte comentário de Natasha, a acompanhante
de Darcy: "Um John Rocha? Do outono passado?
Eu reconheço a bainha!".
Veneno
à parte, isso não arruina o desfecho
feliz que espera Miss Jones. Que, apesar de
sua imperfeição de mortal, vive
em Londres e, portanto, vence com improviso
e estilo próprio.
O Diário de Bridget Jones chegou
às telas européias e americanas
em abril, e tem estréia prevista do Brasil
em agosto. Site oficial: http://entertainment.msn.com/bridget/.
Mais Bridget em http://www.bridgetjones.co.uk
e http://spring.net/karenr/mdbro/bjd.html.
Daniela
Oliveira vive em Londres há
3 anos e é jornalista freelancer.