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Dazed and Confused: confusão da melhor qualidade marca as edições da revista

Dazed and Confused foi criada em 1991 por Rankin e Jefferson Hack, ainda estudantes no London College of Printing. Faz parte da turma de revistas "very London", interessadas em linguagem experimental e inovadora, gente com idéias anticonvencionais, antecipação de ondas estéticas e antenas ligadas no comportamento de gente jovem e cultura de rua. Há quem acompanhe as publicações inglesas e diga que em fashion, Dazed é a melhor, a mais controversa e aquela que mais desafia as fronteiras do styling e da fotografia de moda.

De fato, a começar pela ficha técnica respeitável na área, vale considerar o elogio: Alexander McQueen é um dos editores, enquanto sua musa e parceira de trabalho Katy England é a diretora de moda. Os dois colocaram na história da Dazed, o editorial fotografado por Nick Knight, com modelos deficientes físicos (Setembro/1998). As imagens são tão marcantes que fizeram parte da exposição Century City (Abril/2001), como um dos trabalhos representativos da cidade de Londres e da sensibilidade estética do século XXI.

O último número da revista, é o Narcisism issue e I love me é o título da publicação. Em momento oportuno, o volume discute a questão do individualismo. "Eu me amo, eu me adoro, eu não consigo viver sem mim" são idéias cada vez mais presentes em todos os campos - culturais, artísticos, econômicos, etc. - da sociedade de consumo, num crescente vertiginoso a partir do final da Segunda Guerra Mundial. Levando em consideração os acontecimentos que vem provocando receios da emergência de uma terceira, Dazed - com postura crítica - contrabalança os "pecados" contemporâneos dos excessos e faltas de auto-estima nas redes da arte, música, moda e mídia. Auto-ajuda, auto-promoção, auto-depreciação, auto-confiança, auto-crítica… Obsessão pelo eu e consciência do eu são mesmo separados por uma linha bastante tênue.

A edição inclui o trabalho da fotógrafa Tary Simon que se auto-retrata há 10 anos, colocando em pauta a idéia fixa pelo eu. Simon já foi sua própria modelo até mesmo em campanhas publicitárias para as quais trabalhou e na Dazed Narcisism, é responsável pela capa e um editorial.

A revista também pretende "aturdir" (do verbo to daze) e "confundir" (no sentido de não padronizar o olhar) em relação ao tema, com outras matérias pertinentes: Love my homepage, sobre a proliferação de websites particulares; Wasted, com depoimentos de 7 mulheres que sofrem de distúrbios psicológicos ligados à alimentação - mal que atinge mais de um milhão de pessoas só na Grã-Bretanha e que é muitas vezes relacionado às imposições da mídia e da moda; e ainda outros tantos auto-retratos - com linguagem livre - de 12 artistas de diferentes áreas. Entre eles, a atriz pornô Annabel Chong, que se propôs a ter uma sequência de relações sexuais com 251 homens, no período de 10 horas e a artista Cindy Jackson, que já fez mais de 20 cirurgias plásticas para realizar seu sonho infantil de ter os traços e medidas da boneca Barbie.

E por estar sempre conectada com o que há de mais fresh, a Dazed promove o evento Big Break Awards, em parceria com a Orange e a TopShop. Nas categorias de Fotografia, Música, Design Gráfico, Moda e Tecnologia Vestível, pretende coletar o que há de mais criativo em cada uma das áreas. Mais informações no website da revista que é visita obrigatória mesmo para quem não se interessar pelo concurso. É que a Dazed on-line é um must de design. E tem galeria, música, jogos, webart, entrevistas que ficam de fora da edição impressa, além de oferecer boas amostras do que está publicado e links fantásticos.

Para inspirar os potenciais big breakers, está acontecendo neste mês de Novembro o Big Break Tour. O evento começou na Newcastle University, no dia 13 e segue viajando por outras 9 diferentes cidades, visitando universidades britânicas para exibir de trabalhos em fotografia, vídeo, design gráfico e moda, mais show com bandas e DJ's.

Sem vontade alguma de parar de provocar, o Dazed Group também é responsável pela Rank, lançada em Dezembro de 2000. Para o diretor e fotógrafo Rankin, a revista é "um manifesto provocativo" um tanto autoral, mas a "irmã" da Dazed também se orgulha de dar espaço para novíssimos nomes. Mais recentemente, nasceu também a Another Magazine, que como o nome bem diz pretende dar uma "outra" abordagem à arte, moda, literatura, cinema e afins. Difícil missão, mas Another dá a entender que só começou e que seu "sobrenome" vale a confiança. O primeiro número saiu em Outubro/2001 - com opção de encadernação em capa dura e preço de livro. Com a proposta de aparecer apenas duas vezes por ano vale a atenção dos que gostam de ser instigados com "outros" olhares para o mundo. Em tempos realmente confusos, se deixar confundir ainda mais pode ser a melhor saída.

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