É
luxo só

Queen
Mother Elizabeth, faz muito tempo, já
disse: "ser uma rainha é realizar
um trabalho". Obviamente, se vestir como
tal, faz parte da tarefa. Chiffon em
tons claros, duas ou três voltas de pérolas,
um par de luvas e um broche de diamantes são
ícones rapidamente reconhecidos pelos
britânicos como "estilo Rainha-Mãe".
É
fato que, durante a Segunda Grande Guerra, apesar
de toda a depressão instalada, Her
Majesty manteve seu estilo pessoal. Enquanto
o marido usou uniformes militares para visitar
sobreviventes no East End - parte de
Londres mais afetada pelas bombas - ela apareceu
em cor pastel, envolta em pérolas, luvas
e saltos altos. Em seu ponto de vista, as pessoas
ficariam desapontadas ao ver uma rainha mal
vestida, já que elegância faz parte
de sua real obrigação.
No
clima de seu centenário, a onda fashion
de luxo, brilho e sofisticacação
que produz muitos narizes empinados nas passarelas,
editoriais e publicidade, está ainda
mais presente nas ruas de Londres.
Murray
Healy, na Face
de maio/00 brincou com a idéia de que,
em pleno ano 2000, não é preciso
ser uma "velha e rica mulher" (palavras
do editorial) para se vestir como tal. Imagens
recentes ilustram caminhos.
No
último domingo de julho, dirigido pela
toda-poderosa stylist Isabela Blow, o
suplemento Style do jornal The Sunday
Times publicou Toque de Riviera:
muito ouro e pedraria, cores fortes, estampas
sexies. Overdressing e overpricing
localizados em endereços franceses como
Pierre Cardin Couture, Dior Jewellery, Yves
Saint Laurent Rive Gauche e Loris Azzaro.

No
dia 04 de agosto - a data exata dos 100 anos
- o magazine ES encartado no The Evening
Standart convida: Hey you, we're having a party!
Get out your ruched dress and go!* Este
editorial tem muito da cara real e atual das
ruas de Londres, pois mistura de tudo um pouco,
num clima 70's e 80's. Vintage stores,
bazares de caridade e a ainda sugere uma invasão
no armário "de mamãe".
Isto faz o luxo de criativos plebeus.
De Brick Lane - aos domingos - passando
por Camden Town e Portobello Rd., os
brechós na cidade nem sempre são
baratos. Ou melhor, alguns deles são
até mais caros do que fashion stores,
lojas de departamentos ou mesmo roupas de griffe.
Mas esta procura rende, com certeza, divertimento
e inspiração, atiça a memória
e a emoção. Além do que,
famosos e celebridades não se cansam
de declarar que misturam marcas trendy**
com insólitos achados. Nobre ou comum,
um bom olho garimpeiro pode encontrar peças
dignas de rainha por apenas um pound
ou dois.

Onde
encontrar "luxo usado" em Londres:
- 162 - 162 Holloway Rd., N7
- Annie's - 10 Camden Passage, N1
- Blackout II - 51 Endell St., WC2
- Cloud Cucko Land - 6 Charlton Place,
N1
- Cornucopia - 12 Upper Tachbrook St.,
SW1
- Rellik - 8 Golborne Rd., W10
- Steinberg & Tolkien - 193 King's
Rd., SW3
- True Value Vintage Clothing - 110-112
Chesire St., E26EJ / Unit 26 Camden Stables
Market - Chalk Farm Rd. NW1
*Expressão dúbia, que brinca com
a sonoridade da palavra ruched (relacionada
à ornamentação de tecidos
de decoração). Ruched remete
a rush, assim como usada em português
(hora do rush, movimento, dias de trabalho,
etc.). "Hey, você, nós estamos
numa festa. Conquiste um look ornamental
e vá!"
**Expressão
muito usada pelos ingleses. A palavra vem de
trend, que tem a ver com as tendências
de comportamento e de moda, mas é aplicada
a tudo o que é "moderno", interessante,
cult, inovador, "diferente",
cool, etc