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Sleazenation: revista anarquiza e assina embaixo

As capas de Sleazenation não são fáceis de digerir… Não seguem um padrão, sempre surpreendem e causam certo estranhamento: "- Sobre o que é esta revista afinal???" Ironia - marca registrada do conteúdo - já começa aí. Abaixo do nome, as chamadas são sempre uma provocação:
"Uma onda rebelde de moda, arte, música e design mais discussões sobre orgasmo" (abril2001).
"Um coquetel molotov na linha de fogo da moda, arte, música e design com um pouco de nada a ver" (maio/2001).
"Provedores de informação top class de moda, arte, música e design e irreverência descarada" (junho/2001).

As subversões não param: Sleazenation tem seções como Shit hot e Just shit, parodiando as colunas tipo "in" e "out" e mistura a moda em tudo o que pode e o que "não pode", em conexões inusitadas. Anarquiza (e conscientiza?) por exemplo, no editorial fotojornalista que retrata os famosos (e violentos) hooligans - aqueles torcedores que pretendem destruir tudo e todos numa partida. Chamado de "Epidemia, uma história de moda", as griffes são inventadas - ou não - para as roupas dos rapazes.

Capas junho e setembro: nunca se pode imaginar a próxima.

Mas a ironia não é só com os outros… Na capa de setembro, brinca consigo mesma: "Agora ainda mais superficial. Mais de 100 páginas de sucessos e mentiras". Está sempre atrás de publicar nomes novíssimos e mostrar o que está ou vai ser hot - isto não é nenhuma novidade entre as "modernas" da mídia inglesa… Mas digamos que Sleaze é mais ousada e complexa… A coluna State of the fashion nation é um exemplo: é muito sultilmente que grandes chaves da moda são apontadas.

Parte do editorial criado por Scott King: torcedores fanáticos, griffes imaginadas.

O número de setembro traz entrevistas com a dupla inglesa Blaack, a marca americana Wink e o brasileiro Icarius. Sobre as criações de Icarius, a revista afirma que "não se parecem com nada que já foi feito". Sleazenation de olho no Brasil!

Por vezes a revista é completamente convencional nas reportagens, perfis, entrevistas e até mesmo nos editoriais. Mas em geral, honra seu nome* ao tratar os temas que propõe. Por exemplo, no artigo Fashion Prostitutes (março/01). Para falar da obssessão contemporânea pelas marcas de moda, começa perguntando ao leitor "- Até onde você iria para ter um jeans McQueen ou o último Chanel?" E segue com duas entrevistas: um ex-estudante fashion que resolve se prostituir pela paixão por roupas de griffe e uma garota de programa que só atende com roupa assinada, fazendo disso seu diferencial. "Só faço 'a escolar' vestida de Marc Jacobs". Nenhum dos dois deseja outra vida e ela afirma querer um bebê desde que descobriu que Manolo Blahnik aceita encomendas de sapatos de salto estileto(!) para os nenens…

Parte do editorial de moda "Carry on Terry". Garotas tiram as roupas - entre elas, macacão Chanel e vestido Sonia Rykiel - para o fotógrafo Terry Richadson, deitado na cama (maio/2001).

O site Sleazenation é um arraso e faz jus ao prêmio de "Melhor revista na web 2001"**. É interativo, super moderno e inteligente. Dá amostras do que está no papel - incluindo alguns editoriais - e indica links sensacionais. Como a própria revista insiste nas capas, para quem se interessa por "moda, arte, música e design" - mesmo que não necessariamente num estilo sleaze… - uma olhada de vez em quando é essencial. Anarquia e resistência têm sido palavras de ordem em Londres no que há de mais fresco, é claro, em moda, arte, música e design. E Sleazenation entende do assunto.

*Sleaze é uma palavra usada bem informalmente em inglês, quase uma gíria. Significa algo que não tem muito método para ser realizado e um pouco "sujo", "vagabundo", perverso ou subversivo.

**Sleazenation também ganhou "Melhor capa 2001" com a cantora Cher transformada em Che Guevara e a pergunta: "Você acredita em revolução?"

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