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Brand.New
world:
diga-me
o que compras e lhe direi quem és
Por
Cristiane Mesquita*
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Milhares
de rostos "marcados" em frente
a porta de entrada de Brand.New
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"Comprei
cinco exemplares da mesma marca e nenhum me dá
problemas."
"Tenho comprado esta marca há 40 anos."
"Por que somos obssecados por marcas e etiquetas?"
"Descubra a verdade sobre as marcas e o que
elas dizem sobre você."
"Esta exposição contém
informações sobre marcas conhecidas
que deverão surpreender você."
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Milhares
de rostos "marcados" em frente
a porta de entrada de Brand.New
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Slogans
e frases de efeito não faltam. Povoam a
mente de todos nós, habitantes do mundo
contemporâneo. Afinal, este é um
dos trunfos do marketing. "Isso é
que é": vivemos bombardeados pela
comunicação das mensagens de marcas
de todos os tipos, através de palavras,
sons e imagens. Não temos como fugir: "Just
do it"!
Com
curadoria de Jane Pavitt e Gareth Williams, a
exposição Brand.New leva algo deste
universo para a uma das salas do Victoria
and Albert Museum em Londres. Bastante
visitada, reafirma o grande interesse do público
pelo mundo de consumo - tão real quanto
fantasioso - que o rodeia.
De
cara, a instalação Brand Field,
do designer Thomas Heatherwick, recebe o visitante
com milhares - sim, milhares - de fragmentos recortados
de anúncios, pacotes, sacolas, rótulos,
etiquetas. Na imensa sala, um pouco da vida como
ela é nas ruas, supermercados, guarda-roupas,
armários da cozinha ou do banheiro: "marcada".
Uma
marca é muito mais que um nome ou um logo:
no mundo contemporâneo, etiquetas têm
identidades complexas, criadas por equipes de
marketing, comunicação e design.
Constituem um universo subjetivo, cheio de personalidade.
O produto em si? Muitas vezes, é o que
menos importa, em favor de todo um conceito criado
estrategicamente em torno dele. E assim como afirma
a empresa Interbrand Consultancy, presente na
exposição, "qualquer coisa
ou qualquer pessoa é capaz de se tornar
- ou ser tornado - uma marca".
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Dentro
de cada lata de feijão um universo
diferente
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Exemplos
não faltam: é só prestar
atenção ao mundo da política
ou das celebridades ou ainda dormir com a frase
do jovem e cult artista inglês Damien Hirst:
"eu me tornei uma marca". Em outras
palavras: o que leva seu nome dispensa maiores
explicações. Obras de caridade,
partidos políticos e até mesmo nações,
se fazem e se apresentam como marcas. A partir
de posturas socio-culturais, econômicas
e filosóficas, além de muito estudo
de psicologia do consumidor, comunicam seu contexto
através da mídia e, bem ou mal,
se vendem. Pesquisadores afirmam que, não
muito distante, até mesmo os genes - o
potencial de vida humano - terão logotipos.
Há que se refletir a respeito e a exposição
segue, percorrendo alguns pontos cruciais: da
história às perspectivas; de produtos
`a perfis; do conceito à subverção.
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Foto
de Graham Brandon para o V&A
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Um
segundo ambiente apresenta vitrines dedicadas
a inúmeros produtos e marcas registradíssimas,
bem conhecidas pelo público. A estrela
- e quem mais poderia ser? - é Coca Cola.
Criada em 1886, é exemplo de marca que
deu certo - muito certo - e ganhou o mundo. Já
em 1917, mais de 300 nomes semelhantes tentavam
seguir o mesmo caminho de sucesso e se estabelecer.
Alguns foram processados e outros tantos subsistem,
mas nem Universal Cola e nem mesmo Christo Cola
conseguiram o mesmo milagre. No ano de 1950, seu
fenômeno de expansão foi tamanho
que foi chamado de "colonização-coca-cola".
Seu inventor, Dr. John S. Pemberton declarou:
"se eu tivesse U$25.000,00, gastaria U$24.000,00
em anúncios e o restante fazendo Coca Cola."
Na
sequência, a seção Personalizando
as marcas só enfatiza a história
que já está sendo contada: sete
saletas mostram produtos que representam fortes
conceitos trabalhados por marcas contemporâneas
como Autoridade, Amizade, Lealdade e Consciência.
Não é por acaso que a moda é
a mais pura imagem dos três outros: Autenticidade,
com jeans Levi's a toda prova; Status, através
da imponência de Burbery, Chanel, Dior,
Gucci, Louis Vuitton e Versace; e Irreverência,
nas fronteiras da comunicação de
Benneton, French Connection e Diesel. Fashion
brands sabem se fazer! Habitam os corpos, vestem
as próprias personalidades.
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Bolas
de cricket Pepsi Cola, vendidas na India.
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Sendo
assim, Marcando personalidades, a grande sala
seguinte, dialoga com o ambiente anterior. Agora
na perspectiva do consumidor, uma série
de curtas-metragens retrata respostas individuais
às marcas. Microuniversos cercados de etiquetas
por todos os lados. Barbie, Nike, Adidas, Guess,
Tesco, Boots, Gap, Sony, Apple, Nokia, Muji, Hello
Kitty
"Por que esta e não aquela?"
Percepções e expectativas pessoais
são alimento puro para o sucesso dos produtos.
Ao mesmo tempo, definem parte de nossa própria
identidade. Oráculo contemporâneo:
"diga-me o que compras e lhe direi quem és!"
Finalmente,
depois da inevitável sensação
de ser mesmo "gado marcado", o último
ambiente é um sopro de contravenção.
Subvertendo marcas alivia com uma série
bem humorada, de exemplos mais ou menos "do
contra": falsificações, cópias,
apropriações, releituras e paródias.
Cópias
impressionam pela semelhança, releituras
são divertidas em sua ambição.
E como apropriação, é interessante
o caso Pepsi Cola, sucesso total na Índia.
O fenômeno é tal, que faz surgir
sapato Pepsi, pregador de roupa Pepsi, bolas de
cricket Pepsi - tudo isso fabricado por pequenas
empresas locais e totalmente fora de controle
da grande marca de refrigerantes.
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Camiseta
parodiando a Nike, exposta na sala das subversões.
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Outras
tantas manifestações artísticas
subvertem logos e slogans e anarquizam o maravilhoso
mundo da publicidade, satisfazendo o visitante
mais crítico, com um quê de rebeldia
e vestígio revolucionário. Bem radicais,
os Adbusters, www.adbusters.org grupo canadense
que atua em diversos sentidos, tem como proposta
"fazer que se pense a cultura do consumismo".
Através de publicações, "anti-comerciais"
de TV, performances públicas e a realização
do Buy Nothing Day - um dia no ano de manifestações
contra o consumo - afirmam que, diante do poder
do marketing e da mídia "o produto
é você". E advertem: "houve
um tempo no qual comprávamos o que precisávamos.
Agora, não precisamos de muito, mas compramos
por outras razões: para impressionar uns
aos outros, para preencher vazios, para matar
o tempo. 20% da população mundial
usa 80% dos seus recursos naturais. Nosso excesso
de consumo está matando o planeta."
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Manifesto
Adbuster: dia de não comprar nada
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Saindo
da mostra, obviamente, o visitante cai na loja
Brand.New, onde pode adquirir o catálogo,
souvenirs, cartões e mais um sem número
de produtos de empresas que fazem parte da mostra.
A possibilidade de "consumir" a exposição
não poderia faltar.
· Workshops de fotografia, conferências
e palestras dirigidos a estudantes, professores
e profissionais da área ainda estão
programados no decorrer de dezembro e janeiro.
Maiores informações através
do site www.vam.ac.uk
(imperdível!)
· Exhibitions Courts - Room 39 - Victoria
and Albert Museum
Cromwell Road, South Kensigton - Metrô South
Kensington
Até 14 de janeiro de 2001
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