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Fabric
of fashion
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Poster/divulgação
de Fabric of fashion. Saia com flores em
alto-relevo e top em tecido puff de I.E.Uniform,
outono/inverno 2000. Foto de Michael Danner
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Pesquisas
na área têxtil e desenvolvimento
de matéria prima são dos maiores
desafios da moda contemporânea. Formas já
não mudam com a imponência da primeira
metade do século XX, cores vêm e
vão, enquanto texturas e tratamentos diferenciados
de tecidos têm tido lugar privilegiado no
mundo fashion. Por isso, ganha quem experimenta
e inventa. Não é por acaso que designers
de A a Z vêem tentando ter seus "momentos
Issey Miyake", desafiando fronteiras entre
criar sobre tecidos e criar o próprio tecido.
Por
outro lado, tudo aquilo que é 'feito à
mão' redimensiona sua importância
para a moda dos últimos tempos, em justa
contraposição à massificação
das tendências e banalização
do prêt-a-porter. Coleções
pequenas, com um quê de alta-costura e um
perfume das costureiras, bordadeiras e tricoteiras
de antigamente, tanto provocam quanto inspiram
a grande indústria têxtil.
Duas
ótimas razões para Fabric of fashion
(www.fabricoffashion.co.uk) acontecer. E melhor:
a dupla intenção da exposição,
realizada pelo British Council, (www.britishcouncil.org/arts)
em cartaz na Crafts Council Gallery, (www.craftscouncil.org.uk)
une estas importantes características da
moda contemporânea, através da curadoria
de Marie O'Mahony e Sarah Braddock. O mix de alta
tecnologia e artesanato, experimentalismo e técnica
é marca registrada do trabalho de jovens
e talentosos criadores. Através de propostas
ímpares a galeria expõe trabalhos
assinados por 15 nomes que vêm fazendo história
na moda inglesa atual.
Logo
na entrada, a instalação digital
Portrayal, de Jane Harris, desafia a percepção
com uma animaçao em 3D. Seriam reais ou
simulados tais tecidos? Os movimentos e formas,
os corpos e roupas inventados ali, apenas anunciam
o bom encontro entre tecnologia e moda, proposta
de Fabric of Fashion. Nos dois ambientes que se
seguem, roupas e acessórios questionam
as fronteiras entre design, estamparia, modelagem
e técnica.
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Instalação
em 3D da artista Jane Harris
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Tecido
que parece papel, couro com cara de pano, fotogramas
que simulam texturas, cortes a laser que dispensam
costuras, são apenas alguns exemplos do
que está exposto no Crafts Council. Marcas
como Vexed Generation, I.E. Uniform e Mulligan
- esta última com peças inspiradas
em artistas como Christo e Louise Bourgeois; estilistas
como Eley Kishimoto, Sophie Roet e Jessica Odgen
modelam, costuram e estampam originalidade e conceitos
singulares, enquanto a arquiteta e designer têxtil
Savithri Bartlett, nascida no Sri Lanka, inventa
texturas em silicone, papel e poliester para a
dupla Boudicca.
Bem
humorados, Paul Murray Watson experimenta em calçados
- formas, estamparia e aviamentos, como a bota
toda feita de zipers, que se desmonta de cima
em baixo e Jo Gordon perde a cabeça em
chapéus que reproduzem - com a técnica
de aquecimento e moldagem aplicada no feltro -
o formato de cortes de cabelo históricos
e divertidos.
Destaque
para as "poesias" de Shelley Fox que
queima tecidos criando neles cicatrizes, quem
sabe marcas de dor, com a mesma dramaticidade
com que estampa em código Braille, refletindo
sobre cegueira e moda; de B.Earley com estampas
que inventam superposições imaginárias
de roupas: um velho colete de tricot sobre um
terno de microfibra, uma camisola antiga de renda
surrada, sobre vestido básico contemporâneo;
e ainda - como não poderia deixar de ser
- de Hussein Chalayan (linkar com o LL Puro Chalayan),
com seu vestido feito de seda enterrada e exumada,
cheio de marcas da terra e do tempo, da vida e
da morte.
A
exposição promete ainda emocionar
cidades como Helsinki, Moscou, Copenhagen e Praga
no ano 2001. Até 14 de Janeiro continua
em Londres, oferecendo também palestras
e workshops.
Crafts
Council Gallery - 44A Pentoville Road - Londres
Metrô Angel
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