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Todas
as mulheres de Helmut Newton
Percorrer os 10 ambientes de Helmut Newton
Work - a maior exposição já
realizada sobre seu trabalho - é se dispor
a um mergulho no imaginário vigoroso do
fotógrafo alemão de 80 anos (40
de carreira), cujo estilo é dos mais influentes
na história da fotografia e imagem de moda.
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Auto
retrato, 1993
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Com
curadoria de sua mulher, June Newton - uma das
maiores influências no trabalho de Helmut
Newton - 200 fotografias assolam a Barbican Gallery,
no Barbican
Centre. O universo HN é separado
tematicamente - as salas principais são
Big Nudes, Fashion e Portraits - e pontuado por
um vídeo-documentario. Newton by June é
um making of sem muitas preocupações
técnicas e revela intimidades de um homem
encantador, visto por sua mulher. Momento raro,
já que a grande obssessão de Newton
é, ao inverso, ver as mulheres, ou ainda,
expô-las à toda sorte de olhares.
Acusado
de retratá-las como objetos, rotulado como
misógino, porno-chic ou perverso, o fotógrafo
nunca teve medo de percorrer as fronteiras entre
moral e estética e reinventar à
sua maneira, conceitos como o feminino, o erotismo,
sexualidade e poder. Ironicamente, um dos tons
mais fortes da exposição é
exatamente o poder feminino: sobre este homem
que parece comandá-las e sobre o espectador
a admirá-las.
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Mulher
"selada" para a Vogue Homme, 1976
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Na
opinião da crítica Ruth Padel, se
a onda sado-masoquista se tornou um forte estilo
de moda atualmente, Newton tem seus méritos.
Fetichista confesso, salto estileto, é
o que não falta em suas imagens. Em 1980,
realizou um editorial de joalheria em raio-X,
"para ver como ficava um colar de diamantes
de 3 milhões de dólares em radiografia".
Revela que, ao levar suas modelos ao radiologista,
pediu para olhar através da máquina,
uma "fascinante imagem": a forma dos
pés femininos sobre saltos altíssimos.
Ao expor seu vouyerismo ao extremo, evoca o lado
exibicionista da moda - porque não dizer
do feminino - e ressoa em universos profundos
de todos nós.
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Atitude
na publicidade de Laurence Steele, 1996
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HN
começou na Vogue francesa, em 1961. Daí
para frente, inúmeras grandes marcas e
publicações já atravessaram
suas lentes, desde que passassem pelo crivo de
seu estilo forte e poderoso. O lado esquálido
ou assexuado da moda ficam longe dele. Newton
é mais Cindy Crawford do que Kate Moss
Seu
olho poderoso e provocativo é um dos precussores
em tirar a moda de seu pedestal de sonho e misturá-la
em campos mais "perigosos" da realidade
ou da fantasia. O lesbian-chic para YSL, em 1975,
ou Jerry Hall (ex-Mick Jagger) segurando um pedaço
de carne crua sobre o olho (1979) são pura
sensibilidade visionária newtoniana. Há
mais de 20 anos, ele insiste que conceito é
muito mais importante do que roupa.
Além
disso, o fotógrafo que detesta estúdios
e prefere as ruas, quartos de hotel ou ambientes
aparentemente ilícitos, também mistura
objetos insólitos como selas de cavalo,
cadeiras de roda ou aparelhos cirúrgicos,
muito além da moda. Segundo ele mesmo:
"minhas fotos favoritas são aquelas
que evocam um forte sentimento de 'eu já
estive por aqui antes
'" Ou ainda: "quando
me deparo com algum problema ou terror, eu pego
minha câmera e fotografo. Isso me ajuda
Tenho fotografado meus médicos, eu mesmo
no espelho do hospital, como se a camêra
pudesse ser um anteparo entre mim e o horror."
Assim como Picasso, Helmut também afirma:
"eu odeio o bom gosto. Isso é o que
de pior pode acontecer a uma pessoa criativa."
As
imagens HN constantemente evocam contradições
- sem maniqueísmo, mas de forma provocativa.
Real e artificial, feminino e masculino, sujeito
e objeto, nu e vestido, são apenas algumas
delas. Portanto, mesmo em fashion, mulheres nuas
são imagens recorrentes e assumida obssessão.
Homens observando mulheres é outra
Newton insiste na pergunta: "como vemos as
mulheres de fato?" Definitivamente ele já
deixou sua resposta para o mundo.
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Quem
comanda a cena? O exibicionista ou o vouyer.
Foto para Max Smith Men's Fashionwear. 1995
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Barbican
Gallery - Barbican Centre - Silk St., London EC2.
Metrô Barbican.
Até 08/07/2001
O
segundo andar da galeria abriga a exposição
Jam - arte, moda, música, quadrinhos, fotografia
- unindo Tóquio e Londres. Mais sobre Jam
em junho, no LondonLink.
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