|
Jam:
geléia de cultura visual promove encontro
entre Londres e Tóquio

 |
|
Poster/
divulgação de Jam com
desenho de Paul Simon
|
A
primeira Jam aconteceu em 1996, inspirada
pela idéia de "jam session" -
encontro informal entre diferentes músicos,
que rende improvisação, troca e
momentos únicos de criação.
Juntando moda, vídeo, música, fotografia,
mídia, artes gráficas e novas tecnologias
(ufa!), pela primeira vez, uma grande instituição
como o Barbican misturava tantas e tão
diferentes linguagens.
Desta
vez, Jam veio para misturar ainda mais, pois celebra
um encontro entre Tóquio e Londres. Definindo
como conceito a "globalização
da cultura urbana no começo do novo milênio",
a exposição mostra uma seleção
de talentos e britânicos e japoneses. Do
desenho à fotografia, da televisão
ao computador, da moda de rua ao figurino, cruzamentos,
diálogos e contrastes são apenas
alguns dos percursos múltiplos que a mostra
propõe.
 |
|
Gente
fashion no metrô. Desenho de Paul
Simon em exposição na Jam
|
O
mix de linguagens e mídias enriquece o
resultado: tem designer de moda fazendo vídeo,
escultor de olho em streetfashion, músico
expondo objetos. E é este o grande mérito
de Jam. Assim como dizem os designers da marca
68/76, "estamos circulando entre filmes e
websites. Fazer somente roupas, é algo
que pode levar você à loucura, especialmente
em Londres, onde todos são obssecados conquistar
o look ideal. Tentamos nos misturar e adicionar
detalhes nas roupas que façam as pessoas
pensar."
E
já que cultura de rua é ponto forte,
além da exposição de fanzines
e revistas, músicas selecionadas por DJ's
e a explícita influência da estética
dos flyers de clubes e bares, os cruzamentos se
fazem em outros e diversos sentidos. Os desenhos
de Paul Davis remetem imediatamente aos frequentadores
do East
End - uma das áreas trendy de Londres
no momento - através das roupas, cabelos
e acessórios. Da mesma forma, as esculturas
de Tomoaki Suzuki são completamente estilosas.
Moda de rua para além da fotografia.
 |
 |
|
Esculturas
de Tomoaki Suzuki. Moda de rua em madeira.
|
Se
ainda assim, razões especificamente fashion
forem importantes, é bom saber que Jam
conta com:
- o vestido-carta de Hussein
Chalayan - remexendo conceitos de presença
e ausência;
- seu vestido-avião, em "vídeo-parceria"
com Marcus Tomlinson;
- a coleção de Sheley
Fox, inspirada no alfabeto Braille: para
além da visão moda explora sensações;
- os trajes da Undercover, mostrando inusitados
pontos comuns para diferentes materiais;
- as projeções em slides sobre croqui,
de Simon Thorogood, extremamente inspiradoras
para desenvolvimento têxtil ou estamparia;
- as fotos de Elaine
Constantine, presença importante
na imagem de moda da última década.
 |
|
Aeroplane
dress de Hussein Chalayan em vídeo
de Marcus Tomlinson.
|
No
mais, computador é o que não falta.
Para muitos dos artistas, principalmente os japoneses,
o espaço é este: digital. Destaque
para a simulação de animais de estimação
que podem ser enviados por e-mail, da artista
Kazuhiko Hachiya, sacudindo as relações
entre prazer e tecnologia. E até mesmo
a Shiseido - patrocinadora da mostra - produziu
seu stand com o Beauty Navigator: em determinados
dias, a marca de cosméticos oferece aos
visitantes a oportunidade de imprimir resultados
de diferentes técnicas e produtos de make-up,
numa experiência de "maquiagem virtual
interativa" (!)
Jam
se concentra, principalmente, na Barbican Gallery,
no andar acima de Helmut
Newton Work. Mas também se espalha,
reforçando mais uma vez seu conceito. Aparece
inesperadamente em outros andares do Barbican
Centre e em outras galerias da cidade, como a
Dazed & Confused e a Artomatic. E como não
poderia deixar de ser, se expande na rede através
do imperdível website www.onlinejam.co.uk,
especialmente desenhado pela Airside. Além
de mostrar muito da exposição em
si, é ele mesmo, um grande trabalho de
design.
Nos
espaços físicos, o design é
assinado por Shin e Tomoko Azumi e desafia os
parâmetros de uma mostra convencional. No
meio de muita grama artificial branca, móveis
inusitados e boas idéias como as roupas
de Jessica Odgen sobre rampa de madeira e revistas
suspensas por suportes elásticos. Real
ou virtual, delícia de geléia. Impossível
não se misturar.
Até 08/07/2001
Barbican Gallery - Barbican Centre - Silk St.,
London EC2. Metrô Barbican.
|