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Estilo Brixton: música e moda ao sul do Tâmisa

por Daniela de Oliveira*
edição: Cristiane Mesquita

Felix Button e Simon Ratcliffe decidiram ser DJs, uma opção natural na cidade em que quem domina a pick-up, é rei, quase Deus. Felix e Simon viviam no Sul de Londres (ou "Sarf" London, num sotaque mais local) e isso não poderia deixar de influenciar o trabalho da dupla. O house deles ganhou roupa nova, misturando-se a ritmos latinos, ao reggae ao hip hop sem preconceito. Assim nasceu o Basement Jaxx, a batida que predomina na noite do lado "de baixo" do Tâmisa.

Atravesse qualquer uma das pontes por sobre o rio e você estará convidado a andar por Brixton, Peckham e Camberwell - este último, o bairro dos dois DJs. Se tudo o que você conhece da London attitude, são os bares, clubs e a moda do West End, prepare-se para rever seus conceitos. Não é de surpreender que as vocalistas da dupla - que se revezam no palco na execução de seus megahits - sejam negras. Também não é surpreendente que mulatas, plumas e paetês tenham encerrado o último show (Rooty - 22/06/01), na Brixton Academy, dançando ao som da quase brasileira Bingo Bango, um dos sucessos do primeiro álbum, o aclamado Remedy. E não foi só: teve capoeirista de fundo para a nova Bongoloid.

O Basement Jaxx se sente em "casa" em Brixton. Na música de Simon e Felix - assim como no sul da cidade - as barreiras culturais vão por água abaixo e se condensam. O bairro tem um quê de "termômetro da área". Apesar de sua fama de lugar violento, abriga todas as tribos e tem vida cultural intensa. Caminhar por suas ruas de dia ou de noite é uma experiência visual mais do que interessante.

Assim como no restante da região sul, o estilo black domina, grande parte dos moradores é de origem caribenha, jamaicana e africana. Tem dreadlock, sarongues e roupa comportada de ir à igreja aos domingos. Tem garotas de jeans apertado e barriga de fora, garotos de streetwear e correntões de ouro. Tem também clubbers ultracibernéticos e outros nem tanto.

A loja M.M. Cosmetic City (35-37 Eletric Avenue), especializada em produtos afro-caribenhos como perucas e apliques.

A moçada se acaba numa noite inteira no Fridge, um dos clubs mais efervescentes da cidade. Ou então, no Fridge Bar - irmão do Fridge - para dançar black music e R and B - rythm'n'blues - e exibir o visual à Destiny's Child e Puffy Daddy. Ou ainda, no The Mass, do outro lado da rua, onde tem DJ experimentando drum'n'bass com batidas funk e latinas, todo mundo é mais casual e vai dançar com a roupa que estava em casa.

Vários são os estilos que cabem em Brixton. Assim como na música dos dois DJs, o lugar não tem muita frescura. Cool é menos ser chique do que ter atitude e naturalidade. Portanto, algumas compras para a balada podem ser feitas no próprio mercado local. Aberto de segunda a sábado, neste dia ganha movimentação especial com a feira de alimentos que ocupa a rua lateral. Na parte interna, lojas de tecidos típicos e alegremente africanos, bazares com tudo o que se pode imaginar para inventar penteados e mais mercearias temperadas com sabores de todo lado do mundo - inclusive Brasil.

Stands fashion do Brixton Market (Eletric Avenue). Jeans estampados na onda streetwear do momento. Brilho e moda a preços baratos.

Diante de tanta casualidade sulina, é normal que a tendência dominante seja também a de abastecer parte do guarda-roupa nos brechós, ou ainda, não dar muita bola para marcas, coisa e tal - ainda que às vezes se dê exageradamente… Lojas como a MK One (Brixton Rd.) e a Primark (Peckham Rd.) são baratíssimas. Estão para as high streets do lado oeste de Londres, assim como a high street está para as marcas mais caras: ali se encontra de tudo que está na moda a preços módicos.

Talvez para ouvidos e olhos menos abertos fique difícil se soltar e entrar nessa coisa despretensiosa do Basement Jaxx e do sul londrino. De qualquer forma, a impressão que fica é que Joãozinho Trinta ia amar - tanto a região quanto a performance dos DJs. No sul de Londres não é pecado ser exuberante. Nunca.

Daniela Oliveira vive em Londres há 3 anos e é jornalista freelancer.

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