A tatuagem ou a pintura corporal vem sendo realizada desde muito tempo por povos primitivos e civilizações espalhadas pelo mundo. O conjunto dos costumes de um povo é sempre marcado por um estilo e estes formam sistemas.

As pinturas do rosto conferem ao indivíduo sua dignidade de ser humano, operam a passagem da natureza/cultura, do animal "estúpido" ao homem civilizado.

Em seguida, diferentes quanto ao estilo e a composição  segundo as castas, expressam uma sociedade complexa com a hierarquia do status.

No grupo dos CADIUEU, a pintura corporal é sempre realizada pelas mulheres, enquanto os homens cuidam das esculturas.

A pintura é feita com uma fina espátula de bambu mergulhada no suco de genipapo-incolor no início, mas que se torna azul noite por oxidação.

O estilo curvilínio de pintura é mais comumente adotado para os grafismos de rosto e o estilo geométrico para os do corpo.

É importante colocar aqui que o grupo indígena dos CADIUEU vivia na região do Mato-Grosso e foi pesquisado pelo etnólogo francês Claude Levi Strauss em 1935. Os motivos são relativamente simples, tais como espirais, "esses", cruzes, losangos, gregas e volutas, mas combinados de tal forma que cada obra possui um caráter original.




As castas nobres só costumavam pintar a testa. Apenas o "plebeu" ornamentava todo o rosto.

Também nessa época, só as mãos seguiam a moda.

 


Essa cirurgia pictural enxerta a arte no corpo humano!

Era raro que as mulheres mais velhas perdessem tempo com esses desenhos, pois contentavam-se com o que os anos gravavam em seus rostos.

As artes gráficas das mulheres Cadiueu, com sua misteriosa sedução e sua complicação, são como um fantasma de uma sociedade que procura, com uma paixão insatisfeita, o meio de expressar simbolicamente suas instituições que poderia ter, se seus interesses e suas supertições não lhe impedissem.

Adorável civilização, cujos sonhos as rainhas contornam com suas pinturas faciais: hieróglifos que descrevem uma inacessível idade de ouro que, na falta de código, elas celebram em seus adereços, e cujos mistérios elas desvendam ao mesmo tempo em que revelam a própria nudez.

Dentro deste contexto, é interessante comparar a arte do povo indígena brasileiro Cadiueu, fazendo uma analogia com os Maori (nativos da Nova Zelândia), assim como os povos da China arcaica, povos da costa oeste do Canadá e do Alasca, bem como alguns povos africanos.

Por que os homens se pintam? Qual a relação metafórica entre as sociedades humanas, os animais e os pássaros?

Talvez porque o homem sempre teve anseios de transmutar, fazendo assim parte do meio, fundindo-se com o reino animal.

Transvestindo-se de formas diversas - seja pássaro, bicho ou peixe - o homem busca abstratamente uma chave para que, entre cultos e cerimônias, possa ficar semelhante aos animais ou pássaros que ele tanto respeita e também inveja.

A partir dessas informações, baseadas em pesquisas e fotografias, veio a inspiração de criar um conceito onde as mulheres estão com seus rostos pintados, evocando assim tanto o antigo povo Cadiueu como também os Maori da Nova Zelândia e a tribo dos Nuba, no interior do Sudão. Este conceito encaixa-se na parte de make-up.

Quanto aos adereços, a proposta baseia-se em utilizar de forma sutil (e com aparições bem esparsas) um ou outro adorno de arte plumária, visto que a arte plum·ria confeccionada pelas tribos brasileiras é uma das mais ricas e elaboradas do mundo.

E, por falar em pássaros e aves, em índios e seus desejos de se fundir com a natureza, temos também de nos lembrar de Ícaro, que na mitologia representava o desejo do homem de voar.