"Cenas & Dramas"

(Por Sergio Ricardo Barbo)

Mona Gadelha lança seu segundo disco, "Cenas e Dramas", trazendo algumas novidades: intervenções eletrônicas ao lado de ritmos mais simples e despojados. Trip hop e guitarras distorcidas e melódicas com tons de baladas, blues e vaudeville. Puro reflexo da vivência consistente da cantora, que nasceu no Ceará e vive em São Paulo.

Cada vez mais cosmopolita, ela vem com este segundo disco solo amadurecendo as idéias projetadas no primeiro e elogiado álbum, "Mona Gadelha", que trazia "Cinema Noir", propagado em algumas rádios do país e na MTV. O clipe também chegou a ser veiculado em outros países, como México, Espanha e Portugal, atestando a versatilidade da artista.

Assim, é de se esperar que o atual trabalho supere o primeiro, pois Mona está cantando e compondo cada vez melhor. São composições que evocam os fatos da vida como o abandono do lar, a paixão, a desilusão e a consequente solidão. Temas estes que se encaixam perfeitamente na voz "bluesy" de Mona.

O cinema também é motivo recorrente, e as climáticas "Cine Insane Blues", "Mais um Romance" e "Johnny Vai Pra Guerra?" sugerem pequenas histórias de filmes. Aliás, sugestiva é a canção ³Crepúsculo de uma Deusa², um hit em potencial que mistura trip hop com pop de acento brasileiro. De qualquer forma, o CD tem vários sotaques, muitas cenas, dramas e diversas canções candidatas a hits. Em um produtivo cenário de vozes femininas, Mona Gadelha é uma artista que trata de forma não ortodoxa a MPB, o pop rock e o blues, definindo assim, um sutil estilo pessoal.

Produzido por André Magalhães (baterista do Aquilo Del Nisso), e por Alvaro Faria (do VU Studio e premiado produtor de trilhas para publicidade), o novo disco traz as participações especiais de Lelo Nazario, Paulo Brioschi, Toninho Ferragutti, Cesar Maluf, Mauricio Pereira, Paulo Padilha, Claudio Faria, Emerson Vilani e Ricardo Cunha.

Além de suas canções, Mona canta compositores como Edvaldo Santana e Lobão, e gente nova como Fernando Pereira, Marcos Andrada e Wilson Ferreira (ex-Vultos, grupo paulistano dos anos 80) e os conterrâneos Lúcio Ricardo e Siegbert Franklin, este autor da capa do disco, também parceiro da cantora.

Comentários de Mona sobre as faixas do disco

1.Crepúsculo de uma deusa (Mona Gadelha)
- Quando assisti "Sunset Boulervard" (Crepúsculo dos Deuses) fiquei impressionada com a interpretação de Gloria Swanson na pele de "Norma Desmond". Comecei a pensar sobre a fama e a decadência. Escrevi a canção, quase como um lullaby, para "ninar" estrelas.

2.Mais um Romance (Mona Gadelha)
- Nasceu com a intenção nostálgica da "disco music". Mas o arranjo do Alvaro Faria trouxe outra linguagem e mais sensualidade.

3.Johhny vai pra guerra? (Mona Gadelha)
-Um diálogo com os adolescentes. Fiz pensando num amigo de 17 anos, que estava querendo deixar a casa dos seus pais.

4.O Amante (Mona Gadelha)
-Uma brincadeira com a infidelidade, esse sentimento que de vez em quando acomete todos nós, mortais.

5.Farsantes amantes( Marcos Andrada/Wilson Ferreira)
-Uma música dos tempos da Banda Vultos, pioneira do rock paulistano dos anos 80. Foi lançada num LP do Vultos e resolvemos regravar com outro arranjo. Cheguei a ver show deles, quando desembarquei em São Paulo, em 86.

6.Bem-me-quer (Onde você anda?) (Siegbert Franklin/Mona Gadelha)
-Esta é uma das várias parcerias com o cantor, guitarrista e artista plástico cearense Siegbert Franklin. Quando éramos adolescentes, em Fortaleza, criamos a Banda de rock Kaleidoscópio. Era o final dos anos 70 e a gente se divertia sendo rebelde no Ceará.

7.Ouvindo o Coração (Edvaldo Santana/Gildo Passos)
-Edvaldo é um dos meus compositores favoritos. Quando fiz o primeiro disco ele preparou uma fita com várias músicas que gostei. A primeira que gravei foi "Sinal". Esse é um blues, absolutamente passional.

8.Duro (Fernando Pereira)
-O Fernando é outro compositor que adoro. É a primeira vez que é gravado e fico honrada com isso. Tinha uma fita com várias músicas dele, mas "Duro" foi lembrada pelo Alvaro Faria. É o tipo da letra que gostaria de ter escrito.

9.Cine Insane Blues (Lúcio Ricardo)
-Lúcio Ricardo, cantor e compositor cearense. Juntamente com o Siegbert Franklin formava o lendário grupo de rock "Perfume Azul" em Fortaleza. Fizemos muitos show juntos e estou feliz por poder gravá-lo. É minha homenagem à geração que inaugurou a cena pop-rock no Ceará.

10.Por Tudo Que For (Lobão/Bernardo Vilhena)
-Gosto muito das canções de Lobão e esta é uma das minhas preferidas. Como mostrei ao André numa fita só com voz e violão, ele sugeriu fazer assim, com poucos instrumentos, num tom mais baixo.