Mona
Gadelha trabalha atualmente a divulgação do seu
novo CD TUDO SE MOVE, que começa com uma marcha de carnaval
antiga, "Bloco da Solidão", escrita pela dupla
Evaldo Gouveia/Jair Amorim, gravada por Maysa e Altemar Dutra.
A faixa produzida, arranjada e executada pelo pianista carioca
Fernando Moura, com percussão de Marcos Suzano, ganhou
sonoridade jazzística com levadas de drum´n´bass.
O disco prossegue marcado pela forte presença dos recursos
da música eletrônica - samplers, loops, ruídos,
efeitos, texturas que se mesclam com canção brasileira,
bossa, samba, jazz e rock (este sob a forma de balada, na regravação
de "A Última Guerra", de Samuel Rosa, Lô
Borges e Rodrigo Leão).
Além de resgatar um clássico de carnaval, ela também
relê um standard eternizado por Billie Holiday, "Love
me or Leave", que na versão em português de
Fernando Cali Pereira ganhou o título de "Suspense",
transformado num samba-canção d&b também
por Fernando Moura.
Para alcançar a sonoridade múltipla que almejava,
a cantora contou com a colaboração de cinco produtores:
Fernando Moura, Alexandre Fontanetti (com quem trabalhou em seu
primeiro CD), Alvaro Fernando (produtor de faixas do seu segundo
disco), DJ Mau Sacht e Paulo Bira, além do DJ e produtor
italiano Roby J.C., que assina a faixa 13, o remix "Saint-Denis-Ceará
- Panaphonic". "Foi enriquecedor trabalhar com vários
produtores", conta Mona. "De cada um ganhei sugestões,
parcerias e novas experiências".
Preoduzidas pelo DJ e guitarrista Mau, as faixas "Saint-Denis-Ceará",
"Na Estação (A Moça do Metrô)"
e "29 Beijos", esta última com batida house e
percussão brasileira resgatada do baú dos Novos
Baianos, têm apelo para ganhar as pistas.
Com o novo CD, Mona insere seu trabalho na MPB contemporânea,
valendo-se de variados ritmos e estilos, num álbum em que
prevalecem as personagens femininas - com suas fantasias, dramas,
descobertas e aventuras. O trabalho é resultado do seu
apego à canção e de suas andanças
pela Europa (foi ao Midem duas vezes, apresentou-se na Alemanha,
foi ao Womex, na Espanha). Em Paris, reencontrou o compositor
cearense Valdo Aderaldo, de quem gravou "Saint-Denis-Ceará"
(parceria com o gaúcho Celso Gutfreind), que originou o
primeiro videoclipe, um "diário eletrônico"
da viagem à França editado pela VJ e diretora Fabiana
Prado (a mesma do primeiro clipe de Mona, "Cinema Noir").
"Tudo se Move", título inspirado na obra do sociólogo
polonês Zygmunt Bauman, traz a participação
de grandes músicos em suas 13 faixas, como os pianistas
Fernando Moura, Lelo Nazário e Jether Garothi, os percussionistas
Marcos Suzano e Alvaro Fernando ( produtor e autor de duas faixas
do CD - "Felicidade pra Mim" e "Escuro"),
os baixistas Caco Faria e Paulo Bira (produtor e autor de "De
Onde Você Vem?", do repertório da Nomad, pioneira
banda paulistana de reggae), os guitarristas-violonistas Alex
Fornari,Edu Gomes e Alexandre Fontanetti (produtor e arranjador
de "A Última Guerra" e "Louca,Nua").
Como compositora, Mona assina parcerias com Moura (na faixa-título
e "Noturna", uma balada lounge com sotaque francês),
Ricardo Cunha (na bossa pouco ortodoxa "Louca,Nua")
e Sergio Cruz (na dançante "Na Estação").
Desde o lançamento do segundo CD ("Cenas & Dramas"),
Mona passou a ter o seu próprio selo, depois transformado
também em produtora cultural, a Brazilbizz Music.
Mona
Gadelha lançou seu segundo disco, "Cenas & Dramas", no final
de 1999, pelo seu próprio selo, Outubro Produções.
Em outubro de 2000 a Gravadora Eldorado passou a distribuir o
CD. E um mês depois a faixa "Johnny vai pra Guerra?"
entrou na coletânea da Fnac espanhola "Música
do Caribe e da América Latina". A edição
luxuosa, acompanhada de um livro com glossário de ritmos
e histórico de cada artista, foi distribuída apenas
no mercado europeu.
"Cenas
& Dramas" mostra o amadurecimento da cantora e continua a temática
das canções do primeiro disco solo (Movieplay - 1996), marcadas
por letras irônicas, existencialistas, líricas, neo-romaânticas.
A diferença ficou por conta da sonoridade, concebida pela cantora e pelos
dois produtores musicais, ambos bateristas, Alvaro Faria e André Magalhães,
além da pré-produção de Paulo Bira Brioschi. As referências
são os sons eletrônicos e as guitarras distorcidas. Mas o blues,
a mpb e o rock continuam presentes no trabalho da cantora-compositora. Inquieta,
curiosa e sem preconceitos, Mona procura sempre novas texturas para suas canções.
Os compositores que grava são aqueles que escrevem do jeito dela, permitindo
que a cantora se "apodere" dos versos, como em "Ouvindo o Coração",
um blues visceral de Edvaldo Santana e Gildo Passos, e "Duro", de Fernando
Pereira.
Mona escolheu o Teatro Augusta (SP) para apresentar o repertório do segundo
disco, acompanhada por uma banda de cinco integrantes, com direção
musical de André Magalhães, cenário de Jessica e Rômulo
Cavalcante e luz de Rodolfo Ribeiro. O show, com diferentes formações,
já foi apresentado em São Paulo (Sesc Pompéia, Teatro Crowne
Plaza, Centro Cultural São Paulo, Sesc Ipiranga, Sesc Baurú, em
Presidente Prudente, entre outros) e, em grande estilo, no Centro Cultural Dragão
do Mar, em Fortaleza, cidade natal da cantora, onde se apresentou ao ar livre
para um público de três mil pessoas. Fã
dos escritores da geração beatnick, em alguns shows, a cantora mostra
trechos de poemas de Claudio Willer, poeta, autor de traduções de
Allen Ginsberg e um dos maiores representantes do movimento beat do país.
O
disco "Cenas & Dramas", a exemplo do que ocorrera com o primeiro,
foi elogiado pelos críticos Luís Antonio Giron, Carlos Calado, Marcelo
Fróes, Vilmar Ledesma, Kiko Ferreira e Floriano Martins, entre outros.
Algumas músicas, como "Mais um Romance", "Crepúsculo
de uma Deusa", "Por Tudo o que For" (Lobão e Bernardo Vilhena)
e "Ouvindo o Coração", hits em potencial, conseguiram
entrar na programação de emissoras segmentadas.
A
seguir um pouco da história da cantora, que foi a "musa dos roqueiros"
na Fortaleza dos anos 70/80, responsável, juntamente com os cantores Lúcio
Ricardo e Siegbert Franklin, também artista plástico e guitarrista,
pela introdução do rock e do blues no cenário cearense. Esse
fato é citado no livro "ABZ do Rock Brasileiro", de Marcelo Dolabela. Mona
estudou comunicação em Fortaleza, cidade onde nasceu. Começou cantando suas próprias
canções em bandas de rock locais, como "Kaleidoscópio" e "Emoções Perigosas".
Com esta última, chegou a gravar um single e excursionar pelo nordeste.
Terminada a faculdade, mudou-se para São Paulo no final de 85. Nessa época o jornalismo
era sua atividade principal. Escreveu sobre moda, marketing, propaganda, turismo,
negócios e informática. Mesmo com a música em segundo plano, conheceu os
guitarristas paulistanos Sergio Cruz e João Alberto, que se tornaram seus parceiros.
Enquanto não voltava definitivamente para a música, em 94 praticamente largou
o jornalismo e foi trabalhar como produtora executiva de discos para selos independentes.
No ano seguinte resolveu produzir seu primeiro CD, juntamente com o guitarrista
Alexandre Fontanetti, Vladimir Ganzerla (co-produção) e Rosely Lordello
(produção executiva), lançado pela Gravadora Movieplay no final
de 1996. Bem
recebido pela crítica, algumas faixas entraram na programação de rádios brasileiras
(em São Paulo as músicas "Cinema Noir", "Imagine Nós" e "Cor de Sonho"; no Rio
"Cinema Noir"; em Fortaleza "Cor de Sonho", "Blues Diário" e "Ingazeiras", e em
Recife "Sete Vidas"). "Cinema Noir" (meu amigo Jack) apresentou Mona
a São Paulo, sendo bastante tocada na Rádio Musical FM e entrando
na coletânea "A Gema do Novo", lançado pela própria
emissora. A cantora se apresentou em todo o circuito paulistano, no Rio (Teatro
Sergio Porto e Hipódromo UP), Fortaleza, Belo Horizonte, Salvador, Recife,
Curitiba,João Pessoa, Santos, Campinas, Baurú, Presidente Prudente,
Sorocaba, São Carlos, entre outras.
Durante
todo o ano de 97, até julho de 98, Mona percorreu várias cidades do país para
mostrar suas canções nos shows de lançamento do primeiro CD, com influências de
rock, blues e música popular brasileira.Também lançou o videoclipe da música "Cinema
Noir" (dirigido por Fabiana Prado e Marcelo Timtim), exibido na MTV, no Canal
21, X Cine Ceará, TVC e em Tvs a cabo da Espanha, México e Portugal.
Em
agosto de 98 entrou em estúdio para gravar seu segundo CD, produzido por André
Magalhães (Aquilo Del Nisso), diretor do Estúdio Zabumba e Alvaro Faria
(sócio do VU Studio). Recentemente teve a música "Crepúsculo
de uma Deusa" incluída no disco "Pra Lua Tocar", da cantora
Eliana Printes, que ficou entre as 10 mais tocadas em várias rádios
do país, especialmente no Rio. Também já foi gravada pelas
cantoras Ione Papas ("Cinema Noir"), Ana Torres ("Pessoas",
em parceria com Flávio Paiva), Karla Karenina ("Cor de Sonho")
e Lívia França ("Cor de Sonho").
Desde
que voltou para a música, Mona vem conquistando admiradores de seu trabalho.
Espalhados por todo o país, eles a "descobrem" na Internet, na
execução de uma música no rádio, nos palcos por onde
se apresenta, em publicações especializadas. São estas pessoas
que fizeram com que a música "Duro" chegasse ao topo da parada
pop do site Submarino. Depois
da temporada de shows em várias cidades do país para mostrar o repertório
do "Cenas & Dramas", durante 1999 e 2001, com os músicos
André Magalhães (bateria e programação musical), Marcelo
Félix (baixo e vocais), Marcelo Watanabe (violão,guitarra, gaita
e vocal) e Ricardo Cunha (guitarra), Mona fez uma pausa para escrever o perfil
biográfico do escritor cearense "José de Alencar". Em
seguida participou do Mercado Cultural da Bahia/Strictly Mundial 2001, onde começou
o trabalho do selo e produtora Brazilbizz Music. Participou
do MIDEM, em Cannes, no stand brasileiro de selos independentes, e divulgou um
novo single, "Quando Escurece" (autoria e produção de
Alvaro Fernando) nas rádios de Paris. Na
volta, durante temporada em Fortaleza, participou do show de Paula Tesser e Valdo
Aderaldo e gravou uma faixa no CD "Solo Feminino", do compositor Pingo
de Fortaleza. Em agosto Mona se apresentou no Bardentreffen Festival, em Nüremberg,
cantando para um público de mais de duas mil pessoas, acompanhada pelos
músicos Alvaro Fernando (bateria e percussão), André Namur
(baixo) e Sergio Zurawski (guitarra). Entre os 300 artistas que participaram deste
grande evento, que toma conta de toda a cidade, Mona Gadelha foi citada pelo Jornal
The Nurenberger como "a brasileira que encantou os alemães".
Em Berlim, cantou na casa de música brasileira Taba, ao lado dos músicos
Jabuti, Guilherme e Jorge. Na
temporada da Alemanha Mona concedeu entrevistas para vários jornais e rádios,
que executaram suas músicas, como "Crepúsculo de uma Deusa",
"O Amante" e "Duro" (esta de Fernando Pereira).
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