22 ª Mostra Internacional de Cinema
 

RETROSPECTIVA KENJI MIZOGUCHI (JAPÃO)


        No ano do centenário de seu nascimento, um dos maiores expoentes do cinema japonês, Kenji Mizoguchi é homenageado na 22ª Mostra com uma retrospectiva de suas mais importantes obras. Reconhecido por sua genialidade e coerência, levou para as telas de cinema temas da história de seu país e da vida cotidiana de sua época: a repressão feminina no sistema feudal; a oposição entre a vida da cidade e a vida no campo e as conseqüências do feudalismo no Japão contemporâneo.

        Sempre com preocupações sociais e políticas, realizou filmes aclamados pelo público e crítica, mas considerados "perigosos" pela censura, por sua visão progressista. Foi um cineasta que viveu um importante período de transição no cinema, passando dos filmes mudos para os falados, do branco-e-preto para o colorido.

        Mizoguchi nasceu em Tóquio, em 1898. De família pobre e filho de um carpinteiro, viu a irmã ser vendida como gueixa, um fato que acabou tendo fortes reflexos em sua obra. Em 1915, com a morte da mãe, foi viver com a irmã, "protegida" de um nobre. Estudou pintura em Tóquio e depois trabalhou como desenhista publicitário para um jornal de Kobe, a partir de 1917.

       Voltou à sua cidade natal em 1920 para tentar a carreira de ator nos estúdios Nikkatsu, onde logo passou a trabalhar como assistente de direção. Nessa época o cinema japonês lutava para quebrar as tradições do teatro e se estabelecer como uma nova forma de arte. Um de seus mais importantes trabalhos desta fase é Furusato No Uta (Canção do Lar/Song of Home), filme mudo que dá seqüência a uma inacreditável série de 25 outros que realiza em apenas dois anos.

        Nos anos 30, revelou sua grande elaboração formal, em filmes como A Feiticeira da Água (Taki no Shiraito/The Water Magician), que integra esta retrospectiva. É neste período também que estabelece parceria com Yoshikata Yoda, com que fez Elegia de Osaka (Naniwa Ereji/Osaka Elegy) e As Irmãs de Gion (Gion no Shimai/Sisters of Gion), ambos selecionados para essa retrospectiva, que apresenta ainda Crisântemos Tardios (Kangiku Shori/The Story of the Last Chrysantemus). A obra é de uma fase em que Mizoguchi relutou em realizar filmes de encomenda para o governo militar que se instalara no Japão.

        Depois da guerra, engajou-se ainda mais, expondo sua marcante preocupação social e política. Destaca-se desta fase A Vitória das Mulheres (Josei no Shori/Victory of Women) e Mulheres da Noite (Yoru Non Onnatachi), que podem ser visto nesta mostra especial do diretor. Nos anos 50, atingiu um sereno equilíbrio entre arte e reflexão social, com Senhorita Oyu (Oyusama/Miss Oyu) e o belíssimo Oharu – A Vida de uma Cortesã (Saiakaku Ichidai Onna/The Life of Oharu), também selecionados.

        Premiado no Festival de Veneza, em 1952, Oharu abriu definitivamente as portas do Ocidente ao cineasta japonês.

A FEITICEIRA DA ÁGUA (TAKI NO SHIRAITO) – 1933, 110’
AS IRMÃS DE GION (GION NO SHIMAI) – 1936, 68’
ELEGIA DE OSAKA (NANIWA EREJI) – 1936, 69’
CRISÂNTEMOS TARDIOS (KANGIKU MONOGATARI) – 1939, 142’
A VITÓRIA DAS MULHERES (JOSEI NO SHORI) – 1946, 84’
MULHERES DA NOITE (YORU NON ONNATACHI) – 1948, 73’
SENHORITA OYU (OYUSAMA) – 1951, 95’
OHARU – A VIDA DE UMA CORTESÃ (SAIAKAKU I CHIDAI ONNA) – 1952, 148’
OS MÚSICOS DE GION (GION BAYASHI) – 1953, 84’
CONTOS DA LUA VAGA DEPOIS DA CHUVA (UGETSU MONOGATARI) – 1953, 97’
OS AMANTES CRUCIFICADOS/ A HISTÓRIA DE CHIKAMATSU (CHIKAMATSU MONOGATARI) – 1954, 102’
O INTENDENTE SANSHO (SANSHO DAYU) – 1954, 126’
A NOVA SAGA DO CLÃ TAIRA (SHIN HEIKE MONOGATARI) – 1955, 108’