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O
filme mais popular da carreira
de José Mojica Marins está de volta, totalmente restaurado. Pela primeira
vez em quase 20 anos, a famosa cena da descida de Zé do Caixão ao inferno
- inspirada pelo pesadelo que levara Mojica a criar o personagem Zé do
Caixão - poderá ser vista na íntegra. Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver
começa exatamente onde termina À Meia-Noite Levarei Tua Alma. Após sobreviver
ao ataque sobrenatural do final de À Meia-Noite, Zé do Caixão continua
na busca obsessiva da mulher ideal, capaz de gerar o filho perfeito. Com
ajuda do fiel criado Bruno, ele rapta seis belas moças, submetendo-as
às mais terríveis torturas. Só a mais corajosa sobreviverá ao teste e
poderá ser a mãe de seu filho. Mas Zé comete um crime imperdoável ao assassinar
uma moça grávida. Atormentado pela culpa de ter assassinado uma criança
inocente, ele sofre um pesadelo no qual é levado para um inferno gelado,
onde reencontra suas vítimas - numa espetacular seqüência em cores, com
cerca de 12 minutos.
Esta
Noite foi totalmente rodado numa sinagoga abandonada no bairro do Brás,
em São Paulo, que Mojica transformou em estúdio. A filmagem foi marcada
por tragédias, incluindo a morte de um assistente de câmera, depois de
uma noite de bebedeiras. Em algumas cenas, Mojica utilizou dezenas de
tarântulas e cobras, e por pouco não foi preso, acusado de "maus tratos"
às atrizes. Como todos os filmes de Zé do Caixão, Esta Noite ofendeu os
censores, que exigiram cortes em pelo menos uma dúzia de cenas (a versão
atual está completa, sem cortes).
A
cena que mais enfureceu os censores foi a da morte de Zé do Caixão, em
que o personagem leva vários tiros, cai num lago e, antes de morrer, confirma
sua descrença em Deus. Um padre implora a Zé do Caixão para que ele peça
perdão por seus pecados, mas Zé grita: "Eu não creio! Não creio!", enquanto
afunda nas águas pestilentas do lago. O censor Augusto da Costa - ex-zagueiro
do Vasco e capitão da Seleção Brasileira na Copa de 50 - exigiu a mudança
para algo "mais positivo". Mojica teve de dublar novamente a cena, fazendo
de Zé do Caixão um sujeito crédulo: "Deus, Deus... Sim, Deus é a verdade!
Eu creio em tua força! Salvai-me! A cruz, a cruz, padre! A cruz, o símbolo
do filho..." (André Barcinski)
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