ESTA NOITE ENCARNAREI NO TEU CADÁVER
Brasil

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21/10 21:45 ESTAÇÃO VITRINE


     O filme mais popular da carreira de José Mojica Marins está de volta, totalmente restaurado. Pela primeira vez em quase 20 anos, a famosa cena da descida de Zé do Caixão ao inferno - inspirada pelo pesadelo que levara Mojica a criar o personagem Zé do Caixão - poderá ser vista na íntegra. Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver começa exatamente onde termina À Meia-Noite Levarei Tua Alma. Após sobreviver ao ataque sobrenatural do final de À Meia-Noite, Zé do Caixão continua na busca obsessiva da mulher ideal, capaz de gerar o filho perfeito. Com ajuda do fiel criado Bruno, ele rapta seis belas moças, submetendo-as às mais terríveis torturas. Só a mais corajosa sobreviverá ao teste e poderá ser a mãe de seu filho. Mas Zé comete um crime imperdoável ao assassinar uma moça grávida. Atormentado pela culpa de ter assassinado uma criança inocente, ele sofre um pesadelo no qual é levado para um inferno gelado, onde reencontra suas vítimas - numa espetacular seqüência em cores, com cerca de 12 minutos.

     Esta Noite foi totalmente rodado numa sinagoga abandonada no bairro do Brás, em São Paulo, que Mojica transformou em estúdio. A filmagem foi marcada por tragédias, incluindo a morte de um assistente de câmera, depois de uma noite de bebedeiras. Em algumas cenas, Mojica utilizou dezenas de tarântulas e cobras, e por pouco não foi preso, acusado de "maus tratos" às atrizes. Como todos os filmes de Zé do Caixão, Esta Noite ofendeu os censores, que exigiram cortes em pelo menos uma dúzia de cenas (a versão atual está completa, sem cortes).

     A cena que mais enfureceu os censores foi a da morte de Zé do Caixão, em que o personagem leva vários tiros, cai num lago e, antes de morrer, confirma sua descrença em Deus. Um padre implora a Zé do Caixão para que ele peça perdão por seus pecados, mas Zé grita: "Eu não creio! Não creio!", enquanto afunda nas águas pestilentas do lago. O censor Augusto da Costa - ex-zagueiro do Vasco e capitão da Seleção Brasileira na Copa de 50 - exigiu a mudança para algo "mais positivo". Mojica teve de dublar novamente a cena, fazendo de Zé do Caixão um sujeito crédulo: "Deus, Deus... Sim, Deus é a verdade! Eu creio em tua força! Salvai-me! A cruz, a cruz, padre! A cruz, o símbolo do filho..." (André Barcinski)

   
Diretor : José Mojica Marins
Argumento e Roteiro : José Mojica Marins
Dialogos : Aldenoura de Sá Porto
Fotografia : Giorgio Attili
Elenco : José Mojica Marins, Roque Rodrigues, Nádia Tell, William Morgan, Tina Wohlers, Nivaldo de Lima, Tânia Mendonça, Osvaldo de Souza, Arlete Brazolin, Mina Monte
Produtor : Augusto Pereira (de Cervantes)
Produção : Ibéria Filmes
 

P&B./Col., 107min., 1996

 

Nasceu em 13 de março de 1935. Era sexta-feira. O pai foi gerente de um cinema de bairro, onde viveu suas primeiras experiências cinematográficas. Aos 11 anos seu pai lhe deu uma máquina fotográfica, com a qual fazia seu "cineminha de horror". Aos 12 ganhou uma câmera Super-8, o que lhe permitiu realizar um ano depois seu primeiro curta, O Juízo Final. Foi o primeiro passo para uma carreira que seria, mais tarde, reconhecida no no mundo todo.