RETROSPECTIVA MÉXICO


A ÉPOCA DE OURO DOS MELODRAMAS MEXICANOS

     Houve um tempo em que o cinema sabia arrancar suspiros e arrastava multidões para os cinemas, falando em espanhol. Com filmes que sabiam manter uma fórmula, como se fossem bastiões de uma vigília moralista que a fé e o arrependimento regenerava. Seus elementos: noivas seduzidas e abandonadas, mães desconsoladas , prostitutas, gigolôs, sedutores e miseráveis. Nesse caldeirão de luxúria e devassidão, todos os elementos se misturavam e sempre se renovavam com a riqueza dos cenários e muitas outras qualidades artísticas que fizeram história e hoje são lembradas como uma época de ouro.

     Era um tempo em que esse cinema falava invariavelmente espanhol e era produzido no México para se espalhar por toda a América Latina com furor e adoração. Seus astros galantes e suas divas carnudas e seus sedutores tinham legiões de admiradores. Maria Félix, Dolores del Río, Andrea Palma, Julián Soler, Ninón Sevilla, Agustin Lara, Domingo Soler, Pedro Armendáriz, Tito Junco, Arturo de Córdova, até hoje são legendas.

     Essa indústria poderosa de sonhos sequer se abalava com a concorrência dos filmes americanos. Ao contrário, eram os americanos que se preocupavam em associar-se aos seus estúdios e produções, importando ainda os seus talentos. Esse cinema tinha o seu próprio espaço e era até mesmo mais visto do que os produtos de Hollywood. Seus técnicos, principalmente o fotógrafo Gabriel Figueroa (homenageado com um livro e uma retrospectiva na 19ª Mostra), deram ao cinema mexicano obras de primorosa qualidade artísticas, transformando-as em verdadeiras peças de antologia.

     A revisão do cinema mexicano oferece uma fonte inesgotável de descobertas, pela estética, a suntuosidade, o realismo mágico, suas utopias, o moralismo, a abundância barroca e os interlúdios mais supremos que existam para encurtar uma distância entre céu e inferno, entre pureza e perdição, entre crime e castigo. Uma fórmula que, certamente, ainda comanda o inconsciente coletivo. Um modelo consagrado de cinema que teve o seu apogeu entre os anos 40 e 50. Uma fonte na qual ainda bebem muitos novos discípulos e imitadores baratos e até expoentes do cinema contemporâneo. (Leon Cakoff)

   



"LAS ABANDONADAS"



"DOÑA BARBARA"

 
 
 
 
 
 
 
 


"EL REBOZO DE SOLEDAD"

 
 
 
 

A presente seleção de títulos contou com a colaboração da Filmoteca da Universidade do México, da Cineteca Nacional do México e de Mario Aguiñaga/Imcine - Instituto Mexicano de Cinematografia.