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| RETROSPECTIVA SEIJUN SUZUKI |
O CINE-AUDÁCIA DE SEIJUN SUZUKI Um pensador radical, debochado, cheio de ironia e magia, de coração sempre adolescente. Assim é o mestre Seijun Suzuki, um cineasta que busca, ao longo de uma tumultuada carreira, fórmulas para romper com linhas narrativas convencionais. Suzuki é um dos exponentes da Nouvelle Vague japonesa, uma corrente anos 60 contagiada pela onda original francesa de Godard, Truffaut e adjacentes.
Herético, sacro e profano, onírico, devasso, sarcástico, sobretudo transgressivo, o cinema ousado de Suzuki rompe convenções e reserva sempre surpresas, especialmente agora, para os espectadores distanciados pelo tempo em que cada um de seus filmes foi realizado. A 23ª Mostra, com a colaboração da Fundação Japão, a vibração de Carlos Reichenbach e a imprescindível assistência de Lúcia Nagib, tem o privilégio de apresentar a retrospectiva da polêmica obra de Seijun Suzuki. Veremos em seus filmes uma vigorosa demolição de símbolos e valores, ruptura de convenções, um cinema ousado que se revela moderno mesmo quando se vale das tradições e do cerimonial para criticar o seu Japão rendido aos modismos do ocidente. (Leon Cakoff) |
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SEIJUN SUZUKI |
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Em 1954, mudou-se para a produtora Nikkatsu, ainda como assistente. Em 1956, tornou-se finalmente diretor, a princípio sob o pseudônimo de Seitaro Suzuki. Durante onze anos filmou exclusivamente para a Nikkatsu, que o considerava um bom diretor 'comercial', até tornar-se um ídolo dos estudantes e intelectuais, com seu estilo pessoal, que cultivava o absurdo e o humor negro, e suas paródias do gênero yakuza. Em 1967, seu filme A Marca do Assassino provocou um escândalo na Nikkatsu, e Suzuki foi considerado 'incompreensível' para o público. Ao ser despedido da empresa, moveu contra ela um processo que se estendeu até 1976, valendo-lhe a vitória, mas também quase dez anos sem poder filmar. Nesse período, trabalhou na televisão e escreveu livros, enquanto tentava em vão conseguir financiamento para seus filmes em outras produtoras. A volta ao cinema se deu com História de Melancolia e Tristeza, em 1977, mas foi Zigeunerweisen, de 1980, que inaugurou a sofisticação plástica que caracteriza sua obra atual. (do livro Em Torno da Nouvelle Vague Japonesa, Editoria Unicamp, de Lúcia Nagib). |