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No
ano passado, vinte e cinco anos depois da morte de Pier Paolo Pasolini
(1922-1975), a rede de TV italiana Tele + convidou seis jovens diretores
italianos para produzirem curtas e médias-metragens sobre
a obra e o pensamento do cineasta italiano. O resultado é
a série Pasolini Oggi, que a 25ª Mostra exibe agora
pela primeira vez no país. Pasolini volta assim à
Mostra exatamente 20 anos depois da polêmica exibição
de Saló - 120 Dias de Sodoma, na 5ª edição
do evento.
Nascido a 25 de março de 1922 em Bolonha, Pasolini teve sua
vida marcada pela contradição: era filho de um oficial
fascista casado com uma mulher anti-Mussolini. Foi um artista brilhante,
historiador, poeta, filósofo, romancista e crítico
de cinema, entretanto ficou conhecido pelos 24 filmes que dirigiu.
Sua estréia profissional como roteirista aconteceu em 1955,
quando co-assinou a história de Prigionero della Montagna,
de Luis Trenker (1882-1990). Pasolini escreveria ainda outros dez
roteiros para cinema, incluindo os diálogos de Noites de
Cabíria (Fellini, 1957), antes de estrear como diretor, em
1961, com o longa Desajuste Social (Accatone), protagonizado pelo
ator Franco Citti, um de seus preferidos, também presente
em Mamma Roma, Édipo Rei e Decameron.
Trabalhou ainda como ator. Em 1960, atuou no longa O Corcunda de
Roma (Il Gobbo), de Carlo Lizzani. Voltaria a atuar em seus próprios
filmes Comizi d'Amore (1964), Édipo Rei (1967), Decameron
(1970) e Os Contos de Canterbury (1971).
Em seus filmes, Pasolini conseguiu criar imagens com alta densidade
intelectual. Realizaria ainda O Evangelho Segundo São Mateus
(1964), Gaviões e Passarinhos (1966), Teorema (1968), Medéia,
a Feiticeira do Amor (1969), Pocilga (1970) e As Mil e Uma Noites
de Pasolini (1974).
O cineasta nunca escondeu do público sua homossexualidade
e tornou-se uma personalidade indigesta para seu país, que
nunca aceitou suas polêmicas posições. Morreu
de maneira trágica na madrugada do dia 2 de novembro de 1975,
assassinado brutalmente em uma emboscada na praia de Óstia,
próxima a Roma. Sobre o crime, a 19ª Mostra exibiu o
filme Pasolini, Um Delito Italiano, de Marco Tullio Giordana.
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