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Amos Gitai |
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filmes na 28ª MOSTRA:
11 de Setembro, 2002
Uma Casa em Jerusalém, 1998
Alila, 2003
Abacaxi, 1984
Bangcoc Bahrein (trabalho à venda), 1984
A Casa, 1980
Berlim Jerusalém, 1989
Brand New Day, 1987
A Trilogia Neofascista 1 – No Vale do Wupper, 1993
Eden, 2001
Ester, 1985
Golem, o Jardim de Pedras, 1993
Golem, o Espírito do Exílio, 1992
Laços Sagrados, 1999
Kedma, 2002
O Dia do Perdão, 2000
O Nascimento de um Golem, 1991
Terra Prometida, 2004
A Trilogia Neofascista 3 – Queen Mary, 1993
Wadi 1981-1991, 1981
Wadi Dez Anos Depois, 1991
Wadi Grand Canyon, 2001
Um Dia depois do Outro, 1998
Diário de Campanha, 1982
A Arena da Morte, 1996
Coisas, 1995
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Retrospectiva Amos Gitai
Além de homenageado com uma retrospectiva na 28a. Mostra, o cineasta israelense Amos Gitai prestigia o lançamento mundial de Bem-Vindo a São Paulo, filme produzido pela Mostra do qual ele dirigiu o segmento Modernidade. O cineasta apresentará na Fundação Álvares Penteado a exposição Percursos, reunião de 50 fotos de seus filmes cuja textura foi retrabalhada por ele.
Esta exposição foi anteriormente sediada pelo Centro Georges Pompidou, em Paris, de outubro a novembro de 2003 e seu livro-catálogo será lançado pela Cosac & Naify em parceria com a Mostra. A mesma editora lança durante a 28a. Mostra o livro Amos Gitai, uma densa análise de sua obra da autoria de Serge Toubiana com Baptiste Piégay. Gitai é o autor do cartaz da 28a. Mostra.
Nascido Amos Weinraub, em Haifa, em 1950, o futuro cineasta adotou também o sobrenome Gitai no final de sua adolescência quando seu pai, o arquiteto Munio Weinraub, mudou o nome da família. A princípio, o jovem seguiu a carreira paterna, estudando no Instituto Technion, em Haifa, e lá mesmo filmando seus primeiros curtas.
Interrompendo a faculdade para o serviço militar obrigatório em Israel, em 1973, vivenciou a experiência dramática de um acidente de helicóptero, atingido em combate, o que quase custou sua vida. A visão próxima da morte desviou-o drasticamente dos compromissos de longo prazo exigidos pela arquitetura, introduzindo-o na urgência do cinema . O jovem que andava com uma câmera Super-8, dada pela mãe (ironicamente, não estava com ela no dia do quase fatal acidente de helicóptero), começou a filmar com mais empenho, experimentando primeiro o gênero documentário, também na bitola 16 mm. Depois da guerra, completou os estudos inclusive nos EUA, onde fez seu doutorado em arquitetura na Universidade de Berkeley.
Profissionalizando-se como cineasta, realiza dez documentários para a então única emissora israelense de televisão. Aí mesmo tem seu primeiro encontro com a censura: House (1980) e Field Diary (1982), filmes que abordam o dilema palestino, são proibidos. Depois da amarga experiência, muda-se para Paris, onde vive uma década e continua dirigindo documentários, como o inusitado Abacaxi (1984), sobre o cultivo de abacaxis, e Brand New Day, sobre uma turnê da roqueira Annie Lennox e a banda Eurythmics no Japão. Sua câmera atenta detecta o surgimento do neofascismo na Europa, tornando-se o fio condutor de uma poderosa trilogia de 1994: In the Valley of the Wupper (na Alemanha), In the Name of the Duce (retratando a campanha política da Alessandra Mussollini, neta do ditador italiano Benito Mussollini) e The Queen Mary (sobre um grupo de rock da periferia parisiense). Em 1996, o assassinato do primeiro-ministro israelense Itzhak Rabin desvia de novo sua atenção para os assuntos domésticos no documentário A Arena da Morte (20a. Mostra).
Na capital francesa dá-se o decisivo encontro de Gitai com a ficção, a partir de Ester (1986), livremente inspirado na personagem bíblica, e com o renomado diretor de fotografia Henri Alekan (que fotografou A Bela e a Fera, de Jean Cocteau, em 1946) – com quem o cineasta fará cinco filmes, a partir deste. Exibido na Semana da Crítica do Festival de Cannes, Ester também é considerado o primeiro capítulo de uma “trilogia do exílio”, seguido por Berlim Jerusalém (1989), que aborda a imigração de judeus europeus para a Palestina sob domínio britânico (tema que será retomado em Kedma, 26a. Mostra) e venceu o Prêmio da Crítica no Festival de Veneza. A terceira parte desta trilogia é Golem: O Espírito do Exílio, que se relaciona, por sua vez, a outros dois filmes sobre a lenda judaica do Golem: Golem: Birth of Golem (1991) e Golem: o Jardim Petrificado (1992).
Na ficção, Gitai combina sua experiência como documentarista a um agudo senso de colocação da câmera, encontrando nos longos planos-seqüência a gramática ideal para a profundidade humanista de suas histórias. Aí virão Kadosh – Laços Sagrados (23a. Mostra), reflexão sobre a permanência da opressão familiar contra a mulher na sociedade judaica e seu primeiro filme a concorrer à Palma de Ouro em Cannes; O Dia do Perdão - Kippur (2000), relato que exorciza sua experiência na Guerra do Yom Kippur e onde, não por acaso, o protagonista chama-se Weinraub, como sua família; Éden (2001) em que adapta Homely Girl, uma história de Arthur Miller e consegue que o próprio dramaturgo interprete um papel; Kedma (Prêmio da Crítica na 26a Mostra), retomando o choque da chegada dos imigrantes europeus à Palestina ainda sob domínio inglês; e a comédia dramática Alila (27a. Mostra), onde os atritos entre os moradores de um condomínio funcionam como metáfora para os dilemas de Israel.
Nem por ter aderido à ficção, Gitai abandonou o documentário. Continua um trabalho excepcional numa série de filmes sobre as transformações de um vale a oeste de Haifa a partir dos curtas Wadi Rushima (1978) e Wadi (1981) até o mais recente Wadi Grand Canyon (25a. Mostra), quando visita a mesma região 20 anos depois do primeiro filme. Com o segmento Israel, integra o projeto coletivo 11 de Setembro (26a. Mostra), mosaico de visões de diversos cineastas em torno da tragédia de Nova York em 2001.
Filmografia
1974 Ahare
1976 Charisma
1977 Shikun
1977 Political Myths
1978 Wadi Rushima
1978 Architectura
1979 M’Ora’ot Wadi Salib
1979 Cultural Celebrities
1979 Bikur Carter B’Israel
1980 In Search of Identity
1980 Bayit (House)
1981 Wadi
1981 American Mythologies
1982 Yoman Sadeh (Field Diary)
1984 Reagan: Image for Sale
1984 Bagkok Bahrain
1984 Abacaxi
1986 Ester
1987 Brand New Day
1989 Berlim Jerusalém
1991 Wadi 1981-1991
1991 Birth of a Golem
1992 Golem, O Espírito do Exílio
1992 Gibellina, Metamorphosis of a Melody
1993 Golem, O Jardim Petrificado
1994 In the Valley of the Wupper
1994 In the Name of the Duce
1994 Queen Mary
1994 Te’atron Hahaim
1995 Zihrom Devarim
1996 A Arena da Morte (Zirat Ha’Rezach)
1996 Milim
1997 War and Peace in Vesoul
1998 Yom Yom
1998 Zion Auto-Emancipation
1998 Orange
1998 A House in Jerusalem
1999 Kadosh – Laços Sagrados
2000 O Dia do Perdão
2001 Éden
2002 Kedma
2002 11 de Setembro
2003 Alila
2004 Terra Prometida
filmes em outras edições:
ALILA, 2003
KEDMA, 2002
WADI GRAND CANYON, 2001
KADOSH - ABENÇOADOS, 1999
A ARENA DA MORTE, 1996
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