Manoel de Oliveira
FILMES NA 29ª MOSTRA:
- A Caça, 1963
- A Caixa, 1994
- A Carta, 1999
- A Divina Comédia, 1991
- Acto da Primavera, 1963
- Amor de Perdição, 1978
- Aniki-bóbó, 1942
- As Pinturas do Meu Irmão Júlio, 1959/65
- Benilde ou a Virgem Mãe, 1975
- Do Visível ao Invisível, 2005
- Douro Faina Fluvial, 1931
- Espelho Mágico, 2005
- Famalicão, 1940
- Francisca, 1981
- Hulha Branca, 1932
- Inquietude, 1998
- Non, ou a Vã Glória de Mandar, 1990
- O Convento, 1995
- O Dia do Desespero, 1992
- O Meu Caso, 1986
- O Pão, 1959
- O Passado e o Presente, 1971
- O Pintor e a Cidade, 1956
- O Princípio da Incerteza, 2002
- O Quinto Império – Ontem como Hoje, 2004
- O Sapato de Cetim, 1985
- Os Canibais, 1988
- Palavra e Utopia, 2000
- Party, 1996
- Porto da Minha Infância, 2001
- Portugal Já Faz Automóveis, 1938
- Seleção Manoel de Oliveira 1,
- Seleção Manoel de Oliveira 2,
- Um Filme Falado, 2003
- Vale Abraão, 1993
- Viagem ao Princípio do Mundo, 1997
- Vou para Casa, 2001
FILMES EM OUTRAS EDIÇÕES:
- O Quinto Império - Ontem Como Hoje, 2004
- UM FILME FALADO, 2003
- O PRINCÍPIO DA INCERTEZA, 2002
- VOU PARA CASA, 2001
- PORTO DA MINHA INFÂNCIA, 2001
- PALAVRA E UTOPIA, 2000
- A CARTA, 1999
- INQUIETUDE, 1998
- VIAGEM AO PRINCÍPIO DO MUNDO, 1997
- O CONVENTO, 1995
- A CAIXA, 1994
- VALE ABRAÃO, 1993
- O DIA DO DESESPERO, 1992
- A DIVINA COMÉDIA, 1991
- NON OU A VÃ GLÓRIA DE COMANDAR, 1990
- NON OU A VÃ GLÓRIA DE COMANDAR, 1990
- OS CANIBAIS, 1988
- OS CANIBAIS, 1988
- MEU CASO, 1986
- FRANCISCA, 1981
- AMOR DE PERDIÇÃO, 1978
- O PASSADO E O PRESENTE, 1972
- O ACTO DA PRIMAVERA, 1963
- A CAÇA, 1963
- O PÃO, 1959
- O PINTOR E A CIDADE, 1956
- ANIKI-BOBÓ, 1942
- ANIKI-BOBÓ, 1942
- DOURO, FAINA FLUVIAL, 1931
Além de homenageado com uma retrospectiva completa de seus filmes na 29ª Mostra, o cineasta português Manoel de Oliveira participa do lançamento de um livro sobre sua obra, editado em parceria pela Mostra e a editora Cosac Naify. Intitulado Manoel de Oliveira, o volume organizado por Álvaro Machado contém entrevista de Oliveira para Leon Cakoff em 2004/2005, ensaios do crítico Inácio Araújo, da pesquisadora Leyla Perrone-Moisés, do diretor da Cinemateca Portuguesa João Bénard da Costa, quatro artigos e um poema do próprio Manoel de Oliveira e sua filmografia completa com comentários críticos (levantamento do jornalista Orlando Margarido), além de 50 fotos, em cores e em preto e branco.
Mestre do cinema, Manoel Cândido Pinto de Oliveira é mais longevo diretor do mundo em atividade – nasceu no Porto em 12 de dezembro de 1908. Começou na profissão com um filme mudo (Douro, Faina Fluvial, 15ª Mostra), prosseguindo até o século XXI com a firme disposição de permanecer fiel à arte que o encantou desde a infância, quando seu pai o levava a assistir filmes de Chaplin e Max Linder.
Ator, diretor, produtor, roteirista, montador, diretor de fotografia, sonoplasta, dominou todas as etapas do processo de criação da arte cinematográfica. Outra marca característica é a constante atualização, movida por uma curiosidade e lucidez de quem enxerga o moderno, mas não perde de vista a História, a literatura, o teatro, a filosofia, a preocupação com o futuro da civilização. E é capaz de realizar, com vitalidade exemplar, praticamente um filme por ano nesta longa e produtiva maturidade que começou em meados dos anos 70.
Na juventude, tornou-se ator, depois de cursar a escola de Rino Lupo no Porto. Estreou como figurante, ainda sob o pseudônimo de Rudy Oliver, em Fátima Milagrosa (1928), de Lupo. Na época, mereceu da revista Imagem a definição de “um dos mais glamourosos atores de sua época”. O elogio não o desviou, porém, da intenção de tornar-se cineasta.
Ainda no ano de 1928, comprou uma câmera Kinamo, começando a filmar seu primeiro curta, o documentário Douro, Faina Fluvial, que só seria lançado em 1931. Um trabalho hoje considerado de vanguarda, em que Oliveira volta suas lentes pela primeira vez para sua terra natal, como fará diversas outras vezes, de maneira documental ou não. Como em Porto da Minha Infância (2001, 25ª Mostra), lançado exatamente 70 anos depois da primeira exibição de Douro, Faina Fluvial (um filme que foi sonorizado posteriormente à filmagem , com música do compositor Luís de Freitas Branco). E, outra vez, filmará sua cidade em parceria com o documentarista francês Jean Rouch, En Une Poignée de Mains Amies (1996).
Oliveira começa, assim, como documentarista. Continua no gênero com dois curtas, Estátuas de Lisboa e Hulha Branca, ambos de 1932. No ano seguinte, volta a atuar no primeiro filme sonoro totalmente rodado em Portugal, Canção de Lisboa, de Cotinelli Telmo. Depois de alguns anos sem filmar, retorna em 1938 aos curtas documentais Miramar, Praia de Rosas, Portugal Já Faz Automóveis e Famalicão - no qual inspira-se pela primeira vez na figura do escritor Camilo Castelo Branco, a cuja obra retornará em Amor de Perdição, 3ª Mostra) e Francisca (15ª Mostra).
A estréia na ficção, em 1942, Aniki-Bobó (15ª Mostra), é outro trabalho pioneiro. Filmado com crianças, nas ruas do Porto, foi considerado pelo crítico e pesquisador francês Georges Sadoul como precursor do neo-realismo que se desenvolveu na Itália poucos anos depois. Mas, em sua época, o filme não teve acolhida imediata, como muitas vezes acontece a obras que estão à frente do seu tempo. Quase 20 anos depois, em 1961, recebeu o Diploma de Honra no Encontro de Cinema para a Juventude no Festival de Cannes.
No auge da ditadura salazarista, Oliveira deixa temporariamente de filmar. Volta para trás das câmeras em 1956, depois de um estágio na Alemanha, visando dominar a filmagem em cores. O novo filme é O Pintor e a Cidade (15ª Mostra), mais uma vez ambientado no Porto, sobre a obra do pintor António Cruz. O filme recebeu um prêmio em Cork, na Irlanda.
Em 1967, Oliveira torna-se o ponto de referência do manifesto do chamado “cinema novo”, que reúne os cineastas que, naquele momento, se reunirão em torno do Centro Português de Cinema (CPC), cooperativa que cria um plano de produção para os anos 1970. A primeira obra produzida pelo CPC é O Passado e o Presente (1971, 15ª Mostra), adaptação de uma peça de Vicente Sanches e primeira parte da chamada “tetralogia de amores frustrados” na obra do cineasta. Os três outros filmes com esta temática são Benilde ou a Virgem-Mãe (1974), Amor de Perdição (1978, 3ªMostra) e Francisca (1981, 15ª Mostra). Três adaptações literárias, outra marca registrada na obra deste diretor.
Francisca é, aliás, a primeira das muitas colaborações entre Oliveira e a escritora Agustina Bessa-Luís – cujas obras inspiraram, até agora, sete roteiros: Francisca (1981), Vale Abraão (1993, 17ª Mostra), O Convento (1995, 19ª Mostra), Party (1996, 20ª Mostra), Inquietude (1998, 22ª Mostra), O Princípio da Incerteza (2002, 26ª Mostra) e O Espelho Mágico (2005, 29ª Mostra).
Os maiores festivais internacionais reconheceram seu talento. Cinco vezes o diretor concorreu à Palma de Ouro: Os Canibais (1988, primeiro trabalho com a atriz Leonor Silveira, 12ª e 15ª Mostra), O Convento (1995), Viagem ao Princípio do Mundo (1997, vencedor do prêmio da FIPRESCI e do Júri Ecumênico, 21ª Mostra), A Carta (1999, vencedor do Prêmio do Júri, 23ª Mostra), Vou para Casa (2001, 25ª Mostra) e O Princípio da Incerteza (2002, 26ª Mostra).
Outras cinco vezes o diretor disputou o Leão de Ouro em Veneza:
A Divina Comédia (1991, vencendo o Grande Prêmio do Júri, 15ª Mostra), Party (1996, 20ª Mostra), Palavra e Utopia (2000, 24ª Mostra), Um Filme Falado (2003, 27ª Mostra) e Espelho Mágico (2005, 29ª Mostra). O festival outorgou-lhe, em 2004, um Leão de Ouro em homenagem à sua carreira. Outro festival, o de Berlim, entregou-lhe já em 1981, o prêmio Interfilm pelo conjunto de sua obra. A 15ª Mostra realizou uma retrospectiva completa de sua obra. Na 28ª Mostra, ele venceu o prêmio Humanidade, especialmente criado em sua homenagem.
Também os maiores atores do mundo integram seus elencos. Além da já citada Leonor Silveira, atriz portuguesa que faz presença constante em seus filmes, já os estrelaram John Malkovich, Maria de Medeiros, Catherine Deneuve, Irene Papas, Michel Piccoli e Marcello Mastroianni (cujo último filme foi justamente Viagem ao Princípio do Mundo, 21ª Mostra).
Eventualmente, ainda Oliveira trabalha como ator, seja em filmes de colegas de profissão como Wim Wenders (Lisbon Story) ou nos próprios (Porto de Minha Infância, 25ª Mostra). E tem, desde 1982, pronto o filme Visita ou Memórias e Confissões, seu testamento e que por seu desejo expresso só será exibido após a sua morte.
Filmografia como diretor
1931 Douro, Faina Fluvial (Working on the Douro River)
1932 Estátuas de Lisboa (Estátuas de Lisboa)
1938 Miramar, Praia das Rosas (Miramar, Praia das Rosas)
1938 Já se Fabricam Automóveis em Portugal (Portugal Já Faz Automóveis)
1941 Famalicão (Famalicão)
1942 Aniki-Bobó (Aniki-Bobó)
1956 O Pintor e a Cidade (The Artist and the City)
1963 Acto de Primavera (Rite of Spring)
1964 A Caça (A Caça)
1965 As Pinturas de meu Irmão Júlio (As Pinturas de meu Irmão Júlio)
1966 O Pão (O Pão)
1972 O Passado e o Presente (Past and Present)
1975 Benilde ou A Virgem Mãe (Benilde or the Virgin Mother)
1979 Amor de Perdição (Ill-Fated Love)
1981 Francisca (Francisca)
1982 Visita ou Memórias e Confissões (Memories and Confessions)
1983 Nice - À Propos de Jean Vigo (Nice - À Propos de Jean Vigo)
1983 Lisboa Cultural (Cultural Lisbon)
1985 O Sapato de Cetim (The Satin Slipper)
1986 O Meu Caso (My Case)
1988 Os Canibais (The Cannibals)
1990 Non, ou a Vã Glória de Mandar (No, or the Vain Glory of Command)
1991 A Divina Comédia (The Divine Comedy)
1992 O Dia do Desespero (The Day of Despair)
1993 Vale Abraão (Abraham’s Valley)
1994 A Caixa (Blind Man’s Bluff)
1995 O Convento (The Convent)
1996 Party (Party)
1997 Viagem ao Princípio do Mundo (Voyage to the Beginning of the World)
1998 Inquietude (Anxiety)
1999 A Carta (The Letter)
2000 Palavra e Utopia (Word and Utopia)
2001 Vou para Casa (I’m Going Home)
2001 Porto da Minha Infância (Porto of my Childhood)
2002 O Princípio da Incerteza (The Uncertainty Principle)
2003 Um Filme Falado (A Talking Picture)
2004 Quinto Império - Ontem como Hoje (The Fifth Empire - Yesterday as Today)
2005 Espelho Mágico (Magic Mirror)