Jornal da Mostra

Berlusconi promete caridade com bolso alheio e sofre sequestro em comédia anárquica alemã
Bye Bye Berlusconi!
Nº 403 > 29ª Mostra > 05/03/2006



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Leon Cakoff, de Berlim, para o ‘Jornal da Mostra’
Edição:
Renata de Almeida e Leon Cakoff

Berlusconi promete caridade com bolso alheio e sofre sequestro em comédia anárquica alemã

A notícia atravessa as fronteiras da Itália. O primeiro ministro Silvio Berlusconi, magnata das mídias italianas e em campanha pela sua reeleição, busca ainda mais a simpatia dos idosos conservadores de seu país, prometendo-lhes uma série espantosa de privilégios. Com um detalhe ainda mais espantoso, como convém a políticos descarados: caridade com o bolso alheio, dos contribuintes e do setor privado.

Berlusconi diz que se reeleito os italianos com mais de 70 anos terão um cartão de gratuidade ilimitada para viajar de trem, ir quantas vezes quiser aos cinemas, aos museus e aos estádios, e ainda ajuda aos seus animais domésticos. A seqüência da nota publicada pelo diário francês ‘Libération’, suspeita que Berlusconi faz esse apelo absurdo por estar perdendo o apoio dos aposentados italianos por quem nada teria feito até agora.

Outra notícia que ultrapassa fronteiras sobre o político que lembra Benito Mussolini é sobre a impressionante semelhança do ator Maurizio Antonini com o político Berlusconi. Antonini aparece no filme alemão “Bye Bye Berlusconi!”, de Jan Henrik Stahlberg, que talvez nunca chegue a ser exibido na Itália. A especulação sobre o futuro do filme começa já dentro dele onde os atores que participam do seqüestro político de Berlusconi devem interromper as filmagens porque os advogados estão preocupados com as conseqüências jurídicas da brincadeira. Sugerem que o personagem político seja chamado de Topolino (na Itália) e Micky Laus na versão inglesa.

“Quando fazemos um filme contra um dos homens mais ricos da Europa corremos o risco de parar com ele nos tribunais e não nas salas de cinema”, diz uma nota de produção reproduzida no catálogo do 56º Festival de Berlim, onde “Bye Bye Berlusconi!” foi exibido na seção Panorama. “Este filme quer tirar a Itália da letargia e botar fora o seu primeiro ministro nas próximas eleições em abril de 2006”, diz outra nota da produção. A imprensa italiana foi em peso à primeira sessão do filme em Berlim. Um jornalista italiano, disse em off que o filme será mais um bom desafio para se provar que existe censura na Itália já ele dificilmente será exibido por lá, mesmo em festivais, pois eles também dependem da rede noticiosa de Berlusconi para serem promovidos.

Questões políticas a parte, “Bye Bye Berlusconi!” é uma ótima comédia anárquica, no melhor estilo dos pastelões. Mesmo transferindo a Itália para a Patolândia, o filme de Stahlberg traz acusações reais e promove o julgamento do seu personagem com acusações de conivência com a Máfia, evasão de divisas, fraudes fiscais e corrupção. O mais hilariante é mesmo a absurda semelhança de Maurizio Antonini com o próprio Berlusconi. Filmado em Gênova, na Itália, o filme alemão se basta com Antonini e faz lembrar os melhores tempos das comédias italianas com Totó, cuja presença em cena também era suficiente para anular os fracos recursos de suas produções.


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