Jornal da Mostra
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Edição:
Renata de Almeida e Leon Cakoff
Aki Kaurismäki encerra com solidão trilogia sobre melancolias modernas
“Drifting Clouds” venceu o prêmio do público da 20ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. O filme seguinte, “The Man Without a Past” quase venceu o Festival de Cannes de 2002. Perdeu a Palma de Ouro para “The Pianist/ O Pianista”, de Roman Polanski, mas foi distinguido com dois grandes prêmios no mesmo festival: o do júri e de melhor atriz para Kati Outinen, uma ótima profissional da troupe de Kairismäki e constante em seus filmes que também já ganharam retrospectiva na Mostra de São Paulo.
A primeira parte da trilogia tratava da tragédia do desemprego e suas terríveis conseqüências psicológicas sobre os indivíduos. Esse retrato tragicômico sobre um dos maiores flagelos sociais contemporâneos, já estava no ápice do estilo narrativo de Kaurismäki, um dos maiores cineastas modernos – autor de uma linguagem minimalista com personagens da vida cotidiana elevados à categoria de heróis da resistência.
A segunda parte da trilogia construía uma narrativa surrealista, com um homem que perde a memória depois de um assalto, para tratar de outra terrível tragédia contemporânea, irmã do desemprego, que é flagelo dos sem-teto.
“Lights in the Dusk”, que vai encerrar a trilogia, parece querer
atingir o ápice dos flagelos humanos com as perturbações
decorrentes da solidão. A melancolia faz de novo os seus estragos. Desta
vez na pele de um personagem vagabundo que perde seu trabalho, sua liberdade
e seus sonhos ao testemunhar um crime e ainda se envolver, segundo Kaurismäki,
com a mulher mais insensível do cinema desde a personagem de Bette Davis
em “All About Eve/ A Malvada”, de Joseph L. Mankiewicz (1950). A
ver, com muita expectativa.
Mais informações em:
www.festival-cannes.org