Jornal da Mostra

Aki Kaurismäki encerra com solidão trilogia sobre melancolias modernas
“Lights in the Dusk/ Laitakaupungin Valot”
Nº 406 > 29ª Mostra > 18/04/2006



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Leon Cakoff, para o ‘Jornal da Mostra’
Edição:
Renata de Almeida e Leon Cakoff

Aki Kaurismäki encerra com solidão trilogia sobre melancolias modernas

Documento sem título O cineasta finlandês Aki Kaurismäki anuncia a conclusão de seu filme “Lights in the Dusk/ Laitakaupungin Valot”, que completa a trilogia de filmes melancólicos “Drifting Clouds/ Nuvens Passageiras” (1996) e “The Man Without a Past/ O Homem sem Passado” (2002). O novo filme foi anunciado para a competição do próximo festival de Cannes, previsto para o período de 17 a 28 de maio. Senão em competição, certamente será destaque em uma das apresentações especiais do festival francês.

“Drifting Clouds” venceu o prêmio do público da 20ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. O filme seguinte, “The Man Without a Past” quase venceu o Festival de Cannes de 2002. Perdeu a Palma de Ouro para “The Pianist/ O Pianista”, de Roman Polanski, mas foi distinguido com dois grandes prêmios no mesmo festival: o do júri e de melhor atriz para Kati Outinen, uma ótima profissional da troupe de Kairismäki e constante em seus filmes que também já ganharam retrospectiva na Mostra de São Paulo.

A primeira parte da trilogia tratava da tragédia do desemprego e suas terríveis conseqüências psicológicas sobre os indivíduos. Esse retrato tragicômico sobre um dos maiores flagelos sociais contemporâneos, já estava no ápice do estilo narrativo de Kaurismäki, um dos maiores cineastas modernos – autor de uma linguagem minimalista com personagens da vida cotidiana elevados à categoria de heróis da resistência.

A segunda parte da trilogia construía uma narrativa surrealista, com um homem que perde a memória depois de um assalto, para tratar de outra terrível tragédia contemporânea, irmã do desemprego, que é flagelo dos sem-teto.

“Lights in the Dusk”, que vai encerrar a trilogia, parece querer atingir o ápice dos flagelos humanos com as perturbações decorrentes da solidão. A melancolia faz de novo os seus estragos. Desta vez na pele de um personagem vagabundo que perde seu trabalho, sua liberdade e seus sonhos ao testemunhar um crime e ainda se envolver, segundo Kaurismäki, com a mulher mais insensível do cinema desde a personagem de Bette Davis em “All About Eve/ A Malvada”, de Joseph L. Mankiewicz (1950). A ver, com muita expectativa.

Mais informações em:
www.festival-cannes.org




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