Jornal da Mostra
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Edição:
Renata de Almeida e Leon Cakoff
A memória do cinema resiste com festival de filmes restaurados.
A lista de 2006 de clássicos restaurados é imensa. E um dos destaques inesperados, esquecido devido a uma longa briga entre diretor e produtor, é “El Topo”, do chileno Alejandro Jodorowsky. Jodorowsky é destaque como novelista, roteirista de comics, ator e diretor de cinema e performático com a troupe Panique. O festival apresenta seus dois filmes que marcaram o cinema da década de 1970. Com “El Topo” será também apresentado “The Holy Mountain/ A Montanha Sagrada”.
Em homenagem ao Nederland Filmmuseum, que em 1995 achou e recuperou “Beyond the Rocks” (seleção da 29ª Mostra), com Gloria Swanson e Rudolf Valentino, que estava desaparecido há 75 anos, Cannes oferece mais uma raridade restaurada pela cinemateca holandesa: “Mystery of the Eiffel Tower (1927), um dos últimos filmes mudos do francês Julien Duvivier.
Outro homenageado será o ator e diretor inglês Carol Reed (1906-1976), autor de aclamado “O Terceiro Homem/ The Third Man” (1949). Cannes quatro terá quatro de seus filmes recém restaurados pelo British Film Instituto: “The Fallen Idol/ O Ídolo Caído” (1948), “Odd Man Out/ O Condenado” (1947), “The Way Ahead/ Caminho das Estrelas” (1944) e “Kid for Two Farthings/ A Rua da Esperança” (1955).
Um dos mais aclamados mestres da animação e do abstracionismo, o canadense Norman McLaren (1914-1987), será lembrado através de uma seleçãoo entre os mais de 147 curtas que ele dirigiu à frente do National Film Board of Canada. A programação de 90 minutos, com restauros em 35 mm. inclui “Blinkity Blank” (Palma de Ouro em Cannes de 1955) e “Neighbors” (Oscar de melhor curta em 1953).
A homenagem ao centenário do “Variety”, a mais antiga publicação americana do show business, será com “Boffo! Tinseltown’s Bombs and Blockbusters”, o documentário jamais lançado de Bill Couturié. O filme é maldito por analisar os vários motivos que levam ao sucesso ou ao fracasso as legiões de envolvidos nos negócios e nas artes do cinema, inclusive atuando e dirigindo.
Em homenagem ao centenário de Roberto Rossellini (1906-1977), o seu clássico “Roma, Cidade Aberta” e o documentário “Once Upon a Time... Rome Open City”, de Marie Genin e Serge July. Também da Itália, o documentário “Marcello, una vita dolce”, de Mario Canale e Annarosa Morri, lembrando os dez anos do desaparecimento do grande ator Marcello Mastroianni.
E o terceiro documentário jamais lançado será “John Ford/ John Wayne: the Filmmaker and the Legend”, de Sam Pollard, cuja apresentação antecede a exibição em digital de “The Searchers/ Rastros de Ódio”, clássico que John Ford fez em 1956.
Na atraente lista de filmes restaurados temos ainda a série “Nausicaä of the Valley of Wind”, uma raridade em animação assinada pelo mestre japonês Hayao Miyazaki (“A Viagem de Chihiro/ Spirited Away” – Oscar de melhor Animação). Graças a esse sucesso em 1984 Miyazaki fundaria o seu estúdio de animação Ghibli, em Tóquio.
Outro título regatado é o americano “Blast of Silence”, de Allen Baron (1961), uma intriga policial em Nova York com muito jazz, agora galgada à categoria de cult. De Serguei Eisenstein chega a vez de se rever restaurado o engajadíssimo “Outubro/ Oktyabr”, de 1926, em uma versão inédita com duas peças musicais de Chostakovitch.
Outro homenageado italiano é Valerio Zurlini com a cópia restaurada de “Verão Violento/Estate Violenta” (1959). Zurlini foi homenageado especial da 25ª Mostra Internacional de Cinema com uma grande retrospectiva. E de um dos pioneiros do cinema italiano, Giovanni Pastrone, o monumental e impressionante “Cabiria”, de 1914, considerado um dos marcos do cinema mudo. Outra apresentação especial entre os restaurados é “Monte-Cristo”, do francês Henri Fescourt (1928), considerado uma das últimas superproduções do cinema mudo mundial. E ainda é um dos favoritos do grande cineasta Alain Resnais, que o via seguidamente na sua juventude.
Entre os restauros do cinema francês há ainda “La Drôlesse”, de Jacques Doillon (1979) e “India Song”, de Marguerite Duras (1975). E a Cinemateca de Bolonha oferece a cópia restaurada de um clássico africano – “Harvest: 3.000 Years/ Mirt Sost Shi Amit”, de Haïlé Gerima (1975), um drama agrário comovente e um raro exemplar de cinema etíope. Da China vem “The 14 Amazons/ Shi si nu ying hão”, dirigido por Cheng Kang em 1972.
E Oliver Stone aproveita que vai exibir os primeiros 20 minutos de seu novo filme “World Trade Center” para também mostrar o restauro de seu filme “Platoon”, de 1986. O cinema tem muita memória.
Mais informações em:
www.festival-cannes.org