Jornal da Mostra
Audrey Taytou, atriz francesa, e Tom Hanks, correndo em Londres para “O Código Da Vinci”
Nº 409 > 29ª Mostra > 17/05/2006
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Leon Cakoff, de Cannes, para o ‘Jornal da Mostra’
Edição:
Renata de Almeida e Leon Cakoff
Edição:
Renata de Almeida e Leon Cakoff
Versão americana de “Corra, Lola, Corra” começa e termina no museu do Louvre.Mas o título do filme é “O Código da Vinci”
A corrida começa nas dependências do Museu do Louvre onde mortais comuns sequer podem tirar fotos. Imaginemos a parafernália de uma equipe gigante de superprodução e todas as liberdades que deve ter tido com a permissão federal de filmar na grande ala de seu mais famoso quadro, “Mona Lisa”, de Leonardo Da Vinci. Vai valer a pena para os franceses de Paris. O filme, mais do que o livro, deverá enlouquecer o turismo mundial em peregrinação ao Louvre, não mais para ver obras seculares de arte e sim para refazer as trilhas de um jogo de símbolos e mistérios do cristianismo e a linha de uma descendência de Jesus depois do seu suposto casamento com Maria Madalena.
A corrida contra o tempo não pára mais. A francesa Audrey Tautou e Tom Hanks têm a chave do mistério nas mãos. Por não poder faltar vilão, mesmo a Igreja como instituição plena sofrer acusações de ter guardado há mais de dois séculos a descendência de Jesus, a pior das vilanias fica a cargo da Opus Dei. E os fanatismo religioso mais os assassinatos por conta do seu membro incansável Silas (Paul Bettany). Ele sempre parece renascer das cinzas como em filmes de terror.
E a corrida termina de novo no Louvre, instigando o enigma de novos mistérios sob a pirâmide de vidro do museu. A fórmula do sucesso está cercada de todas as garantias. É um filme certo não só para Cannes. É para toda a França que tem no turismo a sua maior forte economia. Pena que o filme vá instigar um turismo que nada tem a ver com o cultural. Se antes de “O Código Da Vinci” hordas de turistas pagavam ingresso só para ver o misterioso sorriso de Mona Lisa (1503-1506), isso vai piorar. Louvre vai virar a Meca dos novos cristãos que, como os personagens do filme, pensarão estar atrás dos mais sagrados fundamentos da humanidade. Quais são eles, mesmo? Corra, espectador, corra!
Mais informações em:
www.festival-cannes.org