Jornal da Mostra

Sexo com política provoca a ira da censura chinesa mais uma vez
“Summer Palace”, de Lou Ye
Nº 412 > 29ª Mostra > 21/05/2006



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Renata de Almeida e Leon Cakoff
Edição:
Leon Cakoff, de Cannes, para o ‘Jornal da Mostra’

Sexo com política provoca a ira da censura chinesa mais uma vez

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Filme em competição, 59º Festival de Cannes – “Summer Palace”, de Lou Ye, faz parecer que todo festival é a mesma coisa. Isto é, basta o filme ter destaque na seleção de algum festival que surgem notícias assustadoras sobre a reação das autoridades do governo da China que se diz comunista. Desta vez a ira está voltada contra “Summer Palace” que tem uma mistura menos explosiva do que ameaçava ter – sexo com política. O governo chinês pediu a todos os jornalistas do seu país credenciados no festival francês que retornem imediatamente para o país. Argumento – o filme teria deixado a China sem passar pela censura.

“Summer Palace” relembra o eufórico ano de 1989, com jovens universitários cheios de amor e de energia, mas pouco campo para extravasar fora o sexo à beira de uma incrível promiscuidade. Como termina esta história real? No massacre dos estudantes idealistas na Praça da Paz Celestial que todos guardam na lembranças pelas cenas de um transeunte desafiando a passagem de um tanque de guerra. Esta imagem não está no filme que também não reconstitui bem o movimento estudantil.

O melhor do movimento estudantil do ousado filme de Lou Ye fica mesmo ao nível das camas, nos movimentos sexuais. São cenas inéditas em um filme chinês. Mas a ousadia se desgasta nas repetições. O que fica de positivo é o retrato idealista de jovens chineses sem rumo certo, sem ideologia, sem convicções e sem medos. Até que vem a repressão violenta cujas imagens guardamos na memória aturdida. E o que se guarda de triste do filme é uma capacidade sempre renovada de regimes repressores como a China, que é a de ceifar uma nova geração de jovens, dispersá-la pelo mundo e frustrar seus sonhos e ideais de liberdade. E na China esta tragédia não deixa de se repetir geração após geração.

Parece marketing mais esta notícia de repressão a um filme chinês, mas o histórico do país mostra que esta ira infelizmente deve ser real.

Mais informações em:
www.festival-cannes.org




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