Jornal da Mostra

Mexicano “El Violin” fica entre os destaques do cinema latino-americano
“El Violin”, de Francisco Vargas
Nº 420 > 29ª Mostra > 31/05/2006



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Leon Cakoff, de Cannes, para o ‘Jornal da Mostra’
Edição:
Renata de Almeida e Leon Cakoff

Mexicano “El Violin” fica entre os destaques do cinema latino-americano

Documento sem título “El Violin”, do estreante Francisco Vargas já chegou consagrado ao 59º Festival de Cannes. Depois de apresentar uma versão mais curta, de 40 minutos, um ano antes, no mesmo festival, o projeto de “El Violin/ O Violino” ganhou fortes apoios internacionais para se chegar a esta nova versão com 98 minutos. Os principais foram dos festivais de Toulouse, na França, e San Sebastian, na Espanha. O resultado foi uma das maiores ovações a um filme pelas platéias do festival.

A principal força motriz do filme é a impressionante atuação do septuagenário Don Angel Tavira, também violinista na vida real e fonte de inspiração para este filme tenso e comovente. Ele está no papel de Don Plutarco que, junto ao filho Genaro e o neto Lucio vivem uma dupla vida: músicos e camponeses na vida real e colaboradores da guerrilha camponesa contra um governo militar opressivo. A referência ao Chiapas fica apenas como sugestão.

Uma luxuosa fotografia em preto-e-branco remete aos anos de ouro do cinema mexicano, onde triunfou o mestre Gabriel Figueroa. Muitas seqüências de “El Violin” parecem homenagens a esta época. O personagem de Don Angel faz o elo tenso entre os dois lados em conflito. Por gostar de música, o capitão do exército permite que o violinista volte para o seu rancho (onde há munição escondida) e parta diariamente para os montes onde a sua família e muitos outros refugiados preparam a resistência.

A afinidade de Don Angel Tavira com o diretor Francisco Vargas já é grande. Embora curta, toda a carreira de Vargas é dedicada ao violinista descoberto pelo diretor em Tierra Caliente, no estado mexicano de Guerrero, e que desde a idade de seis anos toca violino e ajuda a preservar a herança musical de sua comunidade. Somente aos 60 anos de idade é que Don Angel Tavira finalmente foi ao Conservatório Musical de Morelia a fim de transcrever em partituras a tradição musical que herdara de ouvido. Foi assim que Vargas rodou com ele o seu primeiro documentário “Tierra Caliente... Se Mueven los que la Mueven”, em 2004. No ano seguinte apresentou a versão curta de “El Violin” na seleção Cinéfuondation do Festival de Cannes. O salto para esta nova versão eleva o longa de Francisco Vargas para a categoria de um novo clássico do cinema latino-americano. E para comover as platéias de todo o mundo.

Mais informações em:
www.festival-cannes.org




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