Jornal da Mostra
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Edição:
Renata de Almeida e Leon Cakoff
Mexicano “El Violin” fica entre os destaques do cinema latino-americano
A principal força motriz do filme é a impressionante atuação do septuagenário Don Angel Tavira, também violinista na vida real e fonte de inspiração para este filme tenso e comovente. Ele está no papel de Don Plutarco que, junto ao filho Genaro e o neto Lucio vivem uma dupla vida: músicos e camponeses na vida real e colaboradores da guerrilha camponesa contra um governo militar opressivo. A referência ao Chiapas fica apenas como sugestão.
Uma luxuosa fotografia em preto-e-branco remete aos anos de ouro do cinema mexicano, onde triunfou o mestre Gabriel Figueroa. Muitas seqüências de “El Violin” parecem homenagens a esta época. O personagem de Don Angel faz o elo tenso entre os dois lados em conflito. Por gostar de música, o capitão do exército permite que o violinista volte para o seu rancho (onde há munição escondida) e parta diariamente para os montes onde a sua família e muitos outros refugiados preparam a resistência.
A afinidade de Don Angel Tavira com o diretor Francisco Vargas já é
grande. Embora curta, toda a carreira de Vargas é dedicada ao violinista
descoberto pelo diretor em Tierra Caliente, no estado mexicano de Guerrero,
e que desde a idade de seis anos toca violino e ajuda a preservar a herança
musical de sua comunidade. Somente aos 60 anos de idade é que Don Angel
Tavira finalmente foi ao Conservatório Musical de Morelia a fim de transcrever
em partituras a tradição musical que herdara de ouvido. Foi assim
que Vargas rodou com ele o seu primeiro documentário “Tierra Caliente...
Se Mueven los que la Mueven”, em 2004. No ano seguinte apresentou a versão
curta de “El Violin” na seleção Cinéfuondation
do Festival de Cannes. O salto para esta nova versão eleva o longa de
Francisco Vargas para a categoria de um novo clássico do cinema latino-americano.
E para comover as platéias de todo o mundo.
Mais informações em:
www.festival-cannes.org