Jornal da Mostra
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Edição:
Renata de Almeida e Leon Cakoff
‘Day After’ da saída brasileira da Copa do Mundo registra 40% a mais de espectadores nos cinemas
Filme premonidor, mesmo que ainda possa ser visto por platéias não francesas como um culto à personalidade do jogador, é impressionante sob um único e indiscutível aspecto: o preparo físico do atleta Zinédine Zidane. Portanto, não foi ironia do destino ver a atuação de Zidane no embate clássico da seleção francesa contra o Brasil. Zidane, em forma, foi eleito o melhor jogador em campo na partida que eliminou da Copa 2006 o favorito Brasil. Nada a espantar do lado dos brasileiros com jogadores atuando como atuariam atores de verdade em um filme mal dirigido.
Cinema e futebol raramente se entendem para conquistar mais espectadores. Uma coisa é a Copa do Mundo, com o massacre de todas as mídias para que os jogos sejam vistos na televisão e quebrem recordes de lucros a cada quatro anos, e os espectadores reajam pateticamente em nome de suas pátrias e as cores de suas bandeiras. Outra coisa é levar espectadores aos cinemas para ver filmes com a temática do futebol. Diz a teoria que são as mulheres que decidem o sucesso de um filme e aí estaria a resistência delas por filmes sobre futebol. No Brasil, ao menos filmes com esta temática não fazem sucesso, mesmo que mereçam fazer. Pelé pode ser a segunda marca mais conhecida do mundo, só atrás da Coca Cola, mas o mais completo documentário que já lhe foi dedicado “Pelé Eterno”, de Anibal Massaini Neto, confirmou nas salas médias de espectadores bem abaixo do normal.
“Driblando o Destino/ Bend it Like Beckham”, de Gurinder Chadha, foi exceção internacional. Fez sucesso (menos no Brasil, de novo), mas tinha fortes apelos femininos e anti-racistas. Era uma adolescente de imigrantes indianos em Londres que queria jogar futebol feminino e namorar um rapaz inglês, provocando duplas reações negativas de seus pais e da comunidade indiana.
A boa notícia para o cinema, ao menos no Brasil, com a eliminação do seu time da Copa do Mundo, do sábado (30/6) ao domingo do ‘day after’, houve um acréscimo de 40% em número de espectadores nas salas de cinema pelo país. Uma resposta popular inconsciente de volta à normalidade. No cinema, ao menos, os efeitos especiais, de fantasia, de transposição, fazem parte do prometido e não estão nos comerciais que antecedem o espetáculo. Na Copa do Mundo o espetáculo com efeitos especiais ficou mais por conta da publicidade dos patrocinadores, com raríssimas partidas desempenhadas como show e arte. As mulheres devem estar certas por não se deixar iludir pelas falsas promessas de espetáculo no futebol. Nem nos estádios e nem no cinema.
Mais informações em:
www.festival-cannes.org