Destaques > 30ª Mostra > 19/10/2006

Sempre Bela: Uma Carta Aberta de Manoel de Oliveira

Belle Toujours e Saudação

O que é Belle Toujours? É o meu último filme. Em 2001, fui convidado para um festival no México e gostei muito de lá estar.

Fui a um museu dos Maias e fiquei surpreendido com estes tão simples dizeres, mas tão claros como evidentes:

"Semeia para colheres. Colhe para comeres. Come para viveres."

Depois de ter lido isto, nunca mais perdi uma refeição – pelo que não estou nada, mesmo nada arrependido.

Acontece que, quando dessa visita à cidade do México, encontrei lá algumas pessoas conhecidas e, entre elas, a Bulle Ogier que há muito tempo não via, e deu-se outro caso ainda mais inesperado: eu que nunca tivera oportunidade de ter conhecido pessoalmente Buñuel em vida, dou ali com um dos filhos seus. Aliás, muito simpático e irônico como o pai. Foi aí que me assaltou à mente fazer um filme em homenagem ao realizador Luís Buñuel, realizador que desde sempre muito admirei. E não levou grande tempo para me agarrar a esta idéia, que me levaria a pensar: e se eu desse continuidade a Belle de Jour e pegasse em duas das suas principais personagens e as fizesse reviver uma certa situação, cerca de trinta e oito anos depois? Meu dito, meu feito e assim fiz com duas das personagens principais – Severine e o Husson. E, como resultado, saiu este filme de homenagem a Buñuel e Carrière: Belle Toujours.

O Festival de São Paulo me desejava presente nesta 30ª Mostra Internacional de Cinema, mas compromissos inadiáveis me impedem de viajar desta vez. Felizmente, rabisquei um desenho como único modo de poder estar sempre convosco durante a 30ª Mostra.

Aqui deixo as minhas cordiais saudações a todo o público e a cada um dos espectadores em particular, e também as minhas felicitações à Comissão Organizadora do Festival como prova da enorme pena de não poder estar convosco.

Manoel de Oliveira