Destaques > 30ª Mostra > 28/10/2006
Arnaldo Jabor conversou com o público após exibição de Tudo Bem

Arnaldo Jabor
Na sexta-feira, dia 27, no Cine Bombril sala 1, foi exibida pela primeira vez a cópia remasterizada de Tudo Bem, de Arnaldo Jabor. A sessão, seguida de debate com o diretor, contou com as presenças dos cineastas Hector Babenco, Bruno Barreto e Evaldo Mocarzel e da atriz Bruna Lombardi. Filmado em 1978, Tudo Bem conta a história de uma típica família de classe média às voltas com a reforma do apartamento. Ao melhor estilo Jabor, o filme é uma comédia corrosiva sobre o conflito entre as classes sociais, que se concentram nesse microcosmos entre quatro paredes. Antes da projeção, o cineasta fez uma rápida apresentação ao público e destacou que o processo de remasterização trouxe mais legibilidade ao filme. “Na época, fiz o filme com pouco dinheiro. Hoje, as coisas melhoraram bastante, há um monte de diretores ricos. Por sinal, estou vendo uns daqui”, brincou Jabor, provocando risos na platéia.
Após a projeção, revelou em conversa com o público que Tudo Bem é um de seus filmes preferidos. “Essa mistura entre a coisa psicológica e as relações políticas dentro de casa me atrai muito.” Como era de se esperar, o diretor foi questionado sobre o porquê de ainda não ter voltado a filmar. Ele admitiu que é tomado, de vez em quando, pela vontade de voltar a dirigir, mas que o desejo arrefece quando pensa em ter de correr atrás de recursos. “Não estou com vontade de ficar puxando o saco de ninguém para poder fazer um filme.” Jabor aproveitou a ocasião para criticar o cinema atual, que em seu entendimento está desumanizando as pessoas. “A platéia não é mais chamada para refletir. O espectador contemporâneo não vai ao cinema para pensar, ele vai para esquecer o mundo lá fora”, afirma. O diretor fez questão de ressaltar, no entanto, que não é um inimigo declarado da indústria cultural. Segundo ele, o que mais detesta são artistas que se acham bons demais para pertencer à indústria e ao seu tempo. “Acho que o grande desafio dos artistas de hoje é entrar na indústria cultural e, dentro dela, conseguir fazer arte. Isso é perfeitamente possível. A indústria cultural não impede a arte.”