Destaques > 30ª Mostra > 31/10/2006
Boas novas: fica mais fácil o acesso direto ao BNDES
Com a criação do Departamento de Economia da Cultura, o banco abre novas possibilidades para o audiovisual, como declarou Luciane Gorgulho no Clube da Mostra

Sérgio Sá Leitão and Luciane Gorgulho
Ao fazer a apresentação da nova política de fomento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), na segunda-feira, dia 30, no Clube da Mostra, a chefe do Departamento de Economia da Cultura do banco, Luciane Gorgulho, anunciou em primeira mão a abertura do acesso direto às linhas de crédito do BNDES para aqueles que estejam fazendo investimentos a partir de R$ 1 milhão. Para investimentos abaixo desse valor, o interessado deve continuar recorrendo à rede bancária. Nesse caso, a taxa de juros (é usada a TJLP, taxa de juro de longo prazo) está atualmente em 6,75% ao ano, mais o spread da instituição bancária, que gira entre 1,8% a 3,8% ao ano, dependendo do porte da empresa. Acompanhada do assessor da presidência do BNDES, Sérgio Sá Leitão, Luciane também detalhou que, além das garantias reais exigidas (hipoteca de imóvel e alienação fiduciária de equipamentos, entre outras), abriu-se a possibilidade para o setor audiovisual, mais especificamente o cinema, de garantias diferenciadas, como o penhor de ações vinculado aos recebíveis. Uma sala de exibição, por exemplo, pode dar como garantia parte da receita de ingressos a serem vendidos.
Com essa opção, viabiliza-se o acesso de maior número de empresas às linhas de crédito do banco. Luciane destacou ainda que as empresas podem usar o cartão BNDES, semelhante ao cartão de crédito pessoal, que permite crédito rotativo com taxa de juro de 1,14% ao mês, para aquisição de equipamentos nacionais de empresas fornecedoras cadastradas. Para equipamentos importados, o financiamento só ocorre se não houver similar nacional. Sá Leitão detalhou que o BNDES possui uma linha de crédito de R$ 175 milhões, a serem investidos até o final de 2008, no programa de apoio à cadeia produtiva de audiovisual. Ele considera o setor estratégico e com grande potencial de crescimento e de desenvolvimento para o país, pois além dos empregos diretos que gera, há também reflexos em outros segmentos industriais, como o de eletroeletrônicos, já que gera conteúdo para televisão, aparelhos de som, computadores, videogames etc. Os recursos do BNDES podem ser usados na produção e na comercialização de obras audiovisuais. Ou seja, tanto o produtor quanto o distribuidor podem tomar empréstimos do banco. Os empréstimos podem ser usados para a produção ou distribuição do produto audiovisual, mas também podem ser aplicados pelo segmento de exibição, para a reforma ou abertura de salas ou para a aquisição de equipamentos.
Luciane, responsável pelo departamento criado em junho de 2006, diz que o BNDES, aberto em 1952, sempre atuou financiando a indústria pesada, de equipamentos. Mas progressivamente passou a atuar em setores mais à margem da estrutura econômica, como o de software e o de exportação, entre outros. Dentro dessa lógica, há dois anos passou também a financiar o setor audiovisual, mas com ações isoladas. Agora, com o departamento de Luciane concentrando essas ações, o segmento passa a ter mais linhas de crédito, com financiamentos a longo prazo. Sá Leitão relembrou que já foram financiados restauro de monumentos, acervos de museus, igrejas e bibliotecas, bem como investimento em realização ou finalização de filmes. Ele explicou que para cinema é publicado um edital de seleção anual, para os gêneros ficção, animação e documentário. Uma comissão, formada por seis membros externos ao banco e três internos, avalia os projetos inscritos. A comissão externa faz uma pré-seleção escolhendo trinta projetos. Os diretores ou produtores desses selecionados fazem uma defesa oral de seus projetos para a comissão inteira, que faz, então, a escolha final. Em 2006, foram selecionados vinte projetos. Entre estes, dezesseis já tinham contrato de distribuição assinado e quatro, cartas de intenção, o que reforçava serem projetos viáveis.