Destaques > 30ª Mostra > 31/10/2006

Cinema Sem Fim conta trinta anos de história da Mostra

Leon Cakoff, Rubens Ewald Filho e Renata de Almeida

Em comemoração aos trinta anos da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, seu idealizador e diretor, Leon Cakoff, escreveu e editou o livro Cinema Sem Fim: A História da Mostra 30 Anos, lançado na noite de segunda-feira, dia 30, nas dependências do Clube da Mostra. Antes de autografar o livro, o autor participou de um bate-papo com o público ao lado de Renata de Almeida, produtora e diretora de programação da Mostra, e do crítico de cinema Rubens Ewald Filho.

No livro, Cakoff apresenta a história da Mostra em ordem cronológica, ano a ano, comentando os filmes que se destacaram e ressaltando os principais fatos ocorridos a cada edição. “Eu nunca vi um livro comemorativo desse tamanho. Ele escreveu demais, muitas coisas pessoais. Mas é o estilo dele. O livro tem muitas histórias”, diz Renata, fazendo um comentário bem-humorado a respeito das 456 páginas da publicação. Leon se defende: “Eu acho que está de bom tamanho, não está grande não, afinal, são trinta anos de Mostra.”


Leon Cakoff, Hubert Alquéres, Rubens Ewald Filho e Renata de Almeida
Leon Cakoff, Hubert Alquéres, Rubens Ewald Filho e Renata de Almeida


Na edição de luxo do livro, os capítulos são abertos com os cartazes originais da Mostra. A publicação conta também com prefácios escritos por amigos e parceiros de longa data (Walter Salles, Abbas Kiarostami, Manoel de Oliveira e o próprio Rubens Ewald), além de um posfácio do professor Hubert Alquéres, diretor-presidente da Imprensa Oficial. Cakoff deixa claro que não tem preferência por esta ou aquela Mostra ao longo dessas três décadas, mas fez questão de lembrar os momentos difíceis que passou na época da ditadura militar. “Da primeira à sétima Mostra, tive de submeter os filmes à censura. Só a partir da oitava edição pude exibir os filmes sem censura prévia”, comenta.

Cinema Sem Fim acompanha não apenas a trajetória de um evento cultural sólido e de repercussão internacional, mas também um pouco da história do país. “Não são trinta anos de Mostra apenas, são trinta anos de história do Brasil”, afirma Cakoff. Ele afirmou também nunca ter pensado em ver a Mostra chegar a seu trigésimo aniversário. “Nunca imaginei chegar tão longe. Tomei um choque quando vi que a primeira Mostra havia sido um sucesso. Na época, já havia uma cobrança para que acontecesse uma segunda”, relembra.


Leon Cakoff
Leon Cakoff autografa o seu novo livro "Cinema Sem Fim: A História da Mostra 30 Anos"


Em determinado momento da conversa, Cakoff foi questionado pelo cineasta Evaldo Mocarzel sobre como via filosoficamente o cinema. De pronto respondeu: “Vamos com simplicidade, não vamos complicar. Não vamos tirar do público o valor da descoberta.” Talvez o segredo de sucesso da Mostra seja justamente essa capacidade de seu organizador de valorizar e respeitar seu público. Em meio a centenas de convidados, com celebridades como Hector Babenco, Dráuzio Varela e sua mulher Regina Braga, Cakoff fez questão de apontar a figura de Lídia Maria Lisboa de Menezes, médica sergipana que, desde 2001, viaja de Aracaju a São Paulo para assistir à maratona de filmes. É para pessoas como a doutora Lídia que Cakoff faz a Mostra. Filosoficamente falando, é simples assim.