Destaques > 30ª Mostra > 02/11/2006
Ruy Castro divulga livro Um Filme É para Sempre no Clube da Mostra

Ruy Castro, Rubens Ewald Filho e Leon Cakoff
O livro Um Filme É para Sempre (Companhia das Letras), de Ruy Castro, atende a um antigo desejo de seus leitores: reler seus melhores artigos sobre cinema publicados na imprensa nos últimos trinta anos. O volume, com organização de Heloisa Seixas, reúne ao todo sessenta artigos, como perfis de atores americanos e europeus do período clássico, pequenos ensaios sobre diretores e comentários sobre filmes famosos e obscuros. “Deixei a seleção a cargo de minha mulher. Eu não teria o distanciamento necessário para fazer essa escolha”, diz Castro.
Os textos do livro foram agrupados em catorze capítulos com temas como “musicais”, “seriados” e “a vida conturbada de atores, atrizes e diretores”, entre muitos outros. Com a verve de quem é apaixonado pelo assunto, Castro apresenta também personalidades menos conhecidas do grande público, como os diretores Preston Sturges e Mark Sandrich, os dançarinos negros Nicholas Brothers e os coreógrafos Busby Berkeley e Stanley Donen. Apesar da experiência e do profundo conhecimento sobre cinema, o autor revelou que em todos esses anos nunca quis fazer crítica cinematográfica, apesar das inúmeras oportunidades. “Eu nunca quis ser um crítico. Sempre preferi continuar gostando de cinema”, diz Castro, acrescentando que seria difícil para ele escrever críticas justamente pelo fato de acreditar que não há filmes bons ou ruins: “Você pode achar uma coisa interessante em qualquer filme.”
Ao final do bate-papo, que contou com as presenças do crítico de cinema Rubens Ewald Filho e do diretor da Mostra, Leon Cakoff, o autor fez questão de revelar seu descontentamento com a indústria cinematográfica atual: “Um mês antes de um blockbuster estrear, os jornais e revistas começam a falar dele como se este fosse a última maravilha do cinema.” Para Castro, esse bombardeio de informação funciona como uma espécie de armadilha para o público. “Daí o filme estréia em 6 mil salas ao mesmo tempo em todo o mundo e, no dia seguinte, quando se descobre que ele não é lá essas coisas, já é tarde demais, porque a divulgação maciça já o vendeu para milhões.”
Ele ressalta que a diferença em relação ao passado é que os estúdios já faziam esse trabalho de fornecer material antecipado aos jornais e revistas, mas nenhum filme estreava ao mesmo tempo em todas as cidades do mundo. As produções levavam pelo menos um ano para chegar ao Brasil e, quando isto acontecia, o público já estava mais do que avisado sobre as verdadeiras qualidades (ou defeitos) do mesmo. Um Filme É para Sempre é, portanto, um panorama do século em que o cinema reinou absoluto, escrito por um apaixonado declarado pela sétima arte. “Cinema é uma coisa de grande importância na minha vida. Sempre foi,” conclui.