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Apresentação Especial

A Bela da Tarde (1967)

França / Itália

Não se deve nunca confiar cegamente numa sinopse de um filme de Luís Buñuel. Lido friamente, o resumo dessa obra-prima do cinema, que parte do romance de Joseph Kessel, pode tratar apenas das aventuras e desventuras de uma mulher, Séverine, que é frígida em seu casamento, mas que descobre o prazer nos sonhos ou como prostituta em meio-período. O entrecho pode ser lido de inúmeras maneiras, pois tudo que se vê nas telas pode ser real ou imaginário. Para os surrealistas, este clima misterioso que perpassa o filme é a feliz concretização da vida como um sonho em suspenso. Para cinéfilos, é o pretexto para um dos mais vigorosos ensaios de narrativa buñueliana. Para o português Manoel de Oliveira, é o ponto de partida para uma homenagem/continuação que é um dos destaques da 30ª Mostra, Belle Toujours – Sempre Bela, também com Michel Piccoli no elenco. A Bela da Tarde foi o maior sucesso de bilheteria da carreira de Buñuel, inclusive por mostrar a diva Catherine Deneuve em várias e delirantes situações eróticas, nua ou de lingerie. Fiel às maiores obras do cineasta, também aqui não há distinção entre humor, sexualidade e terror, sob o peso da crueldade e da solidão humanas. Para o diretor, não há salvação ou complacência entre uma vida esmaecida e o êxtase da imaginação.

diretor
Luis Buñuel

roteiro
Luis Buñuel, Jean-Claude Carrière

fotografia
Sacha Vierney

montagem
Louisette Hautecoeur

elenco
Catherine Deneuve, Jean Sorel,Genviève Page, Michel Piccoli,Francisco Rabal, Macha Méril, Pierre Clementi

produtor
Henri Baum, Raymond Hakim, Robert Hakim

produtora
Paris Film, Five Films


101 minutos
color, 35mm