Jornal da Mostra


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Nº 438
30ª Mostra > 19/10/2006
O CINEMA POLÍTICO ITALIANO É TEMA DE RETROSPECTIVA, DEBATE E LIVRO INÉDITO
“Feios, Sujos e Malvados”, de Ettore Scola

O CINEMA POLÍTICO ITALIANO É TEMA DE RETROSPECTIVA, DEBATE E LIVRO INÉDITO


Este importante período do cinema italiano moderno é resgatado pela 30ª Mostra numa iniciativa sem precedentes no circuito internacional de festivais.
O cinema político italiano está presente na 30ª Mostra não só em uma retrospectiva, que exibirá 26 longas-metragens, muito deles jamais vistos no Brasil, mas também por outros dois eventos. O primeiro deles, um debate sobre o tema, com a presença do mestre do cinema italiano Vittorio De Seta (Banditi a Orgosolo; Cartas do Saara), se realizará no sábado, dia 28, às 19h, no Clube da Mostra. A mesa contará ainda com as presenças das pesquisadoras Angela Prudenzi e Elisa Resegotti, do jornalista Álvaro Machado e da atriz e cineasta Florinda Bolkan, integrante do júri da 30ª Mostra.

O outro evento é o lançamento do livro Cinema Político Italiano – Anos 60 e 70, que se realizará às 20h do mesmo sábado, também no lounge. Publicação da Cosac & Naify em parceria editorial com a Mostra, o livro, que foi organizado pelo diretor da Mostra, Leon Cakoff, e pelo jornalista Álvaro Machado, é um título inédito no mundo. Cakoff diz que o interesse surgiu pelo fato de o cinema político ser um filão muito importante para o Brasil, pois, na época, o país estava no período da ditadura e vivia sob o regime da censura. Havia o temor de que os filmes não chegassem por aqui ou que fossem mutilados. Cakoff destaca ainda que as entrevistas com os diretores foram realizadas ao longo de um ano. A edição é importante ainda pelo paralelo que faz com a atualidade, novo momento de ebulição política. É possível que, depois do lançamento no Brasil, o livro também chegue ao mercado editorial italiano. O diretor da Mostra destaca que a realização do trabalho só foi possível graças à parceria com a Cosac & Naify, que ele considera “uma benção”, por esta ser uma das poucas editoras interessadas em cinema, segmento carente no mercado brasileiro.

Cinema Político Italiano – Anos 60 e 70 oferece entrevistas inéditas com importantes nomes desse recorte cinematográfico. As pesquisadoras Prudenzi e Resegotti conseguiram depoimentos surpreendentes dos realizadores que, com empenho social e político, denunciaram as mazelas da sociedade de seu país. Entre os entrevistados, estão o próprio De Seta, Marco Bellocchio, Vittorio Taviani, Bernardo Bertolucci, Damiano Damiani, Ettore Scola, Mario Monicelli, Dino Risi, Giuliano Montaldo e Francesco Rosi. Foi também entrevistada a brasileira Florinda Bolkan, protagonista do principal filme do gênero – Investigação sobre um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita –, de 1969, dirigido por Elio Petri. A publicação traz fotogramas de mais de cinqüenta filmes e fotos históricas produzidas pelos jornais italianos da época, apresentados em projeto gráfico de Flavia Castanheira.