Jornal da Mostra


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Nº 441
30ª Mostra > 22/10/2006
QUANDO O SONHO ESTAVA LONGE DE ACABAR
Dandara Guerra, José Emílio Rondeau e Fábio Azevedo

QUANDO O SONHO ESTAVA LONGE DE ACABAR

A 30ª Mostra promove a pré-estréia do filme 1972, primeiro trabalho em longa da dupla José Emilio Rondeau e Ana Maria Bahiana

Levou tempo, mas aconteceu. O casal José Emilio Rondeau e Ana Maria Bahiana, ambos jornalistas internacionais especializados nas áreas de música e cinema, ele também pioneiro na criação e direção de videoclipes, tecem a história e a produção do filme 1972 desde meados de 1998. Em decorrência de inúmeras dificuldades, a pós-produção adiou a estréia do filme por muitas vezes. O primeiro longa-metragem como diretor de Rondeau finalmente pré-estreou em São Paulo no sábado, 21, na 30ª Mostra, com as presenças, além do próprio diretor, do produtor Tarcísio Vidigal, da atriz principal, Dandara Guerra, e do ator Fábio Azevedo.

Em conversa com José Emilio, ele primeiro explicou o crédito “um filme de Ana Maria Bahiana e José Emilio Rondeau”, já que apenas ele assina a direção: “É como a parceria dos irmãos Coen, apenas o Ethan costuma dirigir, mas ambos escrevem e Joel produz”. E o casal aqui inseriu no roteiro inevitáveis referências autobiográficas, como o próprio ano-título, que para Rondeau ficou marcado como o ano em que os Rolling Stones terminaram uma mega-turnê em Nova York. Partindo deste universo roqueiro, tão caro e íntimo para a dupla, criou-se então uma comédia romântica juvenil e libertária nos anos de chumbo.

Ao ser perguntado sobre como foi descobrir seu lado “diretor de atores”, José Emilio falou tanto do prazer de trabalhar com atores novatos, como Rafael Rocha e Bem Gil, como com veteranos como Louise Cardoso e Toni Tornado. Mas confessou que se atrapalhou todo com a inacreditável beleza de Dandara Guerra, filha de Claudia Ohana e Ruy Guerra, que estréia como protagonista. Na primeira cena em que ela contracena com Louise, o diretor ficou tão embevecido com a plasticidade de Dandara que, sem perceber, caminhou à frente da câmera de filmagem, meio que atordoado. O enquadramento de cinema ama o rosto de Dandara.

Outro elemento bastante comentado pelo cineasta de primeira viagem foi a trilha sonora, com a qual ficou muito satisfeito, que inclui ícones da época, como Novos Baianos, Gal Costa e Caetano Veloso. Numa cena-chave da trama, a personagem de Dandara dá uma deixa romântica citando a belíssima canção com Roberta Flack “The First Time (Ever I Saw Your Face)”. Infelizmente, não deu para declamar a letra em português, pois, apenas para isto, ele precisaria desembolsar US$ 30 mil. A referência ficou na imaginação de quem conhece a música.

Feliz com a receptividade do público ao seu filme, que é otimista mesmo se ambientando durante a ditadura militar, José Emilio entra agora ao restrito grupo de cineastas brasileiros, ao qual também pertencem, por exemplo, Antonio Calmon, o saudoso Lael Rodrigues e Jorge Furtado, que criaram obras joviais sobre jovens.