Fosco Dubini, Rubens Ewald Filho, tradutor e Donatello Dubini
Hedy Lamarr: A Personificação da Sedução
No Clube da Mostra, os diretores Donatello e Fosco Dubini falam do documentário Hedy Lamarr: Segredos de uma Estrela de HollywoodOs irmãos Donatello e Fosco Dubini, co-realizadores do documentário Hedy Lamarr: Segredos de uma Estrela de Hollywood, tiveram um encontro com o público neste domingo, dia 22, no Clube da Mostra. O debate foi mediado pelo crítico Rubens Ewald Filho. A idéia de fazer um documentário sobre a estrela austríaca foi da co-diretora Barbara Obermaier, que convidou os irmãos Dubini para o projeto. “Não sabia quem era verdadeiramente Hedy Lamarr antes de começar a fazer o filme”, diz Donatello. A produção traça um retrato psicológico da atriz por meio de depoimentos de amigos de Lamarr, como Mickey Rooney, Lupita Kohner, Kenneth Anger e muitos outros. Mas os diretores fizeram questão de ressaltar que a intenção não foi chegar a um perfil definitivo: “Nós não somos psicólogos, apenas nos preocupamos em retratar a vida de Lamarr da melhor maneira para que os espectadores tirassem suas próprias conclusões”, afirma Donatello.
Lamarr ganhou fama pelo escândalo que protagonizou em 1933, ao fazer a primeira cena de nudez do cinema no filme Ecstasy. Fosco Dubini revela uma curiosidade: “Na cena do orgasmo, o diretor Gustav Machatý ficava espetando Lamarr com uma agulha para que ela fizesse caras e bocas.” Depois disso, a atriz teve uma carreira extraordinária, com mais de 25 filmes em Hollywood, muitos deles de qualidade questionável, como ressaltou Ewald Filho. O crítico perguntou aos diretores qual seria a explicação para tanto êxito, mesmo sendo Lamarr uma atriz limitada e com diversos filmes ruins no currículo. “Sei que ela não foi uma grande atriz. Era muito mais interessante como pessoa”, diz Donatello. Os irmãos Dubini frisaram, no entanto, que a Hollywood da época necessitava de uma estrela com seu perfil. “Ela personificava o modelo de mulher sedutora vinda da Europa. Seu tipo exótico tinha lugar garantido na indústria”, conclui Fosco.
Inteligência a serviço dos aliados
Mas Hedy Lamarr não entrou para a história apenas por sua beleza exuberante e por seus filmes. Curiosamente, a atriz foi a inventora de uma tecnologia usada pelos aliados durante a Segunda Guerra para guiar torpedos, evitando que eles fossem desviados por emissões de rádio interferentes. A tecnologia, chamada Spread Spectrum, é usada até hoje em sistemas de comunicação sem fio, inclusive nos telefones celulares. Para Donatello, a descoberta de Lamarr não serve para ratificar sua tão propalada inteligência. “Ela tinha uma boa educação, uma mente independente, mas acho que não era tão inteligente como diziam”, conclui.
Outro ponto polêmico na carreira da atriz foram os dois episódios em que foi flagrada praticando furtos em lojas de departamento. “Da primeira vez, o escândalo coincidiu com o lançamento de sua autobiografia. Não dá para afirmar, mas pode ter sido uma jogada de marketing”, especula Donatello. Hedy Lamarr morreu em 2000, na Flórida, Estados Unidos. Naturalizada americana em 1953, casou-se seis vezes e teve três filhos. Como outras estrelas dos anos 1940, ela também foi engolida pela fábrica de sonhos e publicidade. “Lamarr vivia diferentes freqüências. Ela criou para si um estilo diferente de vida”, conclui Fosco.
Hedy Lamarr: Segredos de uma Estrela de Hollywood tem sessões nos dias 24, às 22h20, na Sala UOL de Cinema, e 25, às 19h, na FAAP.