Matt Ruskin, Aaron J. Wiederspahn, Francisco César Filho, tradutor e Charles Libin
Cineastas americanos discutem rumos do cinema independente no Clube da Mostra
Na terça-feira, dia 24, às 18h, os cineastas americanos Matt Ruskin (O Projeto Hip Hop), Aaron J. Wiederspahn (A Sensação de Ver) e Charles Libin (American Combatant) reuniram-se com o público no Clube da Mostra para discutir os rumos da produção independente nos Estados Unidos.Os diretores começaram o debate ressaltando as dificuldades de se fazer um filme independente, até mesmo nos EUA. “Meu filme foi feito com a ajuda financeira da família e dos amigos. É um filme verdadeiramente independente”, diz Charles Libin. Matt Ruskin lembrou ainda que os problemas continuam mesmo depois de o filme estar pronto. Segundo ele, a exibição só é possível em mostras e festivais e, mesmo nesses eventos, é difícil encontrar alguém disposto a distribuir seu filme: “Os produtores são muito intuitivos. Mesmo que seja um filme bem feito, eles pensam sempre nas possibilidades financeiras”, afirma. Aaron J. Wiederspahn diz não ter dificuldades em entender essa lógica de mercado. “Meu filme não é comercial. É um filme de arte. Não é um filme de gênero, por isso os estúdios acham muito difícil comercializá-lo.”
Justamente por ter de enfrentar esses obstáculos, os realizadores foram unânimes em afirmar a importância de eventos como a Mostra. Libin lembrou de ter ouvido falar pela primeira vez na Mostra ainda na década de 80, quando conheceu o cineasta Wim Wenders. “Na época, ele já se referia à Mostra como um dos acontecimentos mais importantes do calendário internacional.” Já Ruskin disse estar impressionado com a quantidade de filmes reunidos, enquanto Wiederspahn brincou ao afirmar que estava pensando em ficar por aqui mesmo: “Se alguém souber de algum lugar legal para alugar, me procure depois do debate.”
Outro ponto de concordância entre os três foi a insatisfação com a indústria de cinema de seu país. “Eu não me encaixo nessa indústria. Os filmes comerciais americanos são de muito mau gosto. Eu não faço parte desse universo”, afirma Ruskin. Wiederspahn acha que 99% dos filmes produzidos nos EUA são pobres artisticamente. “Eu me sinto um estrangeiro dentro do sistema americano. Meu objetivo é ser diferente.” Procurar outros caminhos também é o propósito de Libin: “O que importa para mim é que o conteúdo, principalmente, seja independente, diferente do que se vê por aí.”
Os diretores mostraram-se reticentes quando indagados sobre o futuro do cinema independente. Libin destacou a democratização que a tecnologia digital trouxe para o cinema, mas ressaltou que a globalização pode trazer uma padronização do olhar, o que atentaria contra a criatividade. “Eu sinto uma certa tristeza com tudo isso. Acho que pode ser o começo do fim”, diz. Menos apocalíptico, Wiederspahn acredita que a única maneira de se tornar original é descobrindo o preço da originalidade: “O importante é manter a visão individual. A única coisa que posso oferecer às pessoas sou eu. Não existe outro eu.” Para o diretor, todos deveriam estudar História, rever o passado e aprender com ele. “É uma coisa muito bonita ver que o cinema é universal, mexendo com a emoção das pessoas em qualquer parte do mundo. Ao contrário da religião, que divide as pessoas, o cinema as une”, conclui.