Jornal da Mostra


Assine aqui o 'Jornal da Mostra'

Nº 458
30ª Mostra > 31/10/2006
Diálogo para Resolver Conflitos
Jay Jonroy, tradutor, Rubens Ewald Filho e Julia Bacha

Diálogo para Resolver Conflitos

Brasileira, descendente de libaneses, Julia disse que seu interesse pelo conflito entre israelenses e palestinos surgiu quando ela foi estudar História do Oriente na Universidade de Columbia, em Nova York, em 1998. Em sua opinião, há solução para o conflito, mas as pessoas diretamente envolvidas têm que aceitar o acordo de paz e isso só ocorrerá por meio do diálogo. Os governantes sentam-se à mesa para assinar o acordo, mas se os que vivem o cotidiano do conflito não o aceitarem, este será apenas um cessar-fogo.

Jay, um curdo iraquiano, disse ter saído do Iraque ainda adolescente para estudar. Chegou a morar no Brasil, em Ipanema (Rio de Janeiro), nos anos 1980, mas foi embora devido à alta inflação. Ele reclamou da imprensa, para a qual todos os muçulmanos são iguais, mesmo quando de países diferentes. Apontou que isso não ocorre com os cristãos: franceses e alemães, por exemplo, não são confundidos por seguirem a mesma religião. Os curdos estão distribuídos por vários países árabes, não possuem uma pátria e não encontram ninguém interessado em contar sua história. Ele acrescentou ainda que os palestinos clamam por um território e são ouvidos, enquanto que os curdos sofrem o mesmo e não conseguem atrair a atenção da mídia. Julia, por sua vez, reclamou que a mídia tradicional vende apenas a violência, talvez por medo de perder mercado ao relatar atos não-violentos. Ronit Avni, co-diretora de Zona de Conflito, uma canadense israelense, por exemplo, é fundadora da Just Vision, organização que foi criada para dar visibilidade às ações de não-violência. O documentário foi realizado justamente com esse objetivo.

Jay e Julia apontaram a emissora de TV árabe Al Jazeera como um veículo dependente dos árabes, o que interfere em seu relato dos fatos. Jay relatou que seus sobrinhos, filhos de sua irmã, que é casada com um árabe, viram os ataques terroristas de 11 de setembro por aquele canal e assim acreditaram na versão dada pela emissora, a de que tudo foi uma armação de Israel e Estados Unidos para invadir o Iraque. Outro fato levantado pelos diretores foram os relatos de violação de direitos humanos em prisões como Abu Ghraib, como se elas só tivessem ocorrido agora. Jay lembrou que o local foi usado por Saddam Hussein para eliminar os curdos.

Julia considerou que a violação de direitos humanos ocorre porque o serviço de inteligência dos Estados Unidos não está devidamente organizado. “Eles são bem menos organizados contra o terrorismo do que nós pensamos”, disse a diretora e roteirista. Israel, por exemplo, tem maior controle de situações de terrorismo porque se preparou para isso. Ela acha importante a divulgação de ações de não-violência e informou que Zona de Conflito será exibido a partir de 17 de novembro nos cinemas norte-americanos, pois o público ligou para as salas requisitando essa exibição. Eles foram atendidos.