Heitor Dhalia e equipe de “O Cheiro do Ralo” recebem o Prêmio do Júri de Melhor Filme
Emoção Marca o Encerramento da Mostra
Apresentada em conjunto pelos diretores da Mostra, Leon Cakoff e Renata de Almeida, e por Serginho Groisman (que mediou muitos dos debates no Clube da Mostra) e Marina Person, a entrega de prêmios fluiu em clima de comemoração e agradecimento. Quando Heitor Dhalia subiu ao palco para agradecer, por O Cheiro do Ralo, o troféu Bandeira Paulista de melhor longa-metragem da competição de novos diretores, ele comentou: “Há treze anos, mudei-me para São Paulo para investir na carreira de cinema e para poder acompanhar a Mostra. Lá em Recife não se tem tanto acesso a filmes. Estar agora aqui em cima, com este prêmio, é muito especial.” Tata Amaral também relacionou sua presença ali ao evento. A cineasta sempre foi espectadora e freqüentadora da Mostra e, no primeiro ano em que participou da seleção, com Antonia, ela se disse muito feliz por ter dividido o prêmio do público – e, em conseqüência, o prêmio Petrobras Cultural de Difusão – com O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, de Cao Hamburger.Esse aspecto especial da Mostra foi reiterado por Cláudio Lembo, o primeiro governador de Estado a comparecer a uma cerimônia de encerramento em trinta anos, como observou Cakoff. Disse Lembo que é muito bom ver os frutos da abnegação de Leon, num projeto que há muito faz parte do patrimônio cultural do Estado (e do país). O governador declarou ainda que há um sabor especial em verificar que, pelo segundo ano consecutivo, um filme brasileiro venceu o grande prêmio do júri, o troféu Bandeira Paulista, no caso O Cheiro do Ralo e, no ano passado, Cinema, Aspirinas e Urubus, de Marcelo Gomes. Lembo elogiou os cineastas presentes à cerimônia, destacando sua importância para a identidade cultural do país. Observou-se também como a Mostra agora começa a premiar uma geração de profissionais formada por ela própria. Afinal, pensando nas três décadas de existência, muitos dos brasileiros que subiram ontem ao palco têm a Mostra como algo certo e anual desde que se tornaram gente!

Tomie Ohtake entrega o Prêmio Humanidade
a Vittorio de Seta
Entre inúmeros agradecimentos acalorados, houve pelo menos três momentos de emoção, que fizeram os convidados se levantar em palmas: quando Leon Cakoff buscou na platéia a artista plástica Tomie Ohtake, autora do troféu Bandeira Paulista, para esta entregar o Prêmio Humanidade ao cineasta italiano Vittorio De Seta; quando o ator Gerardo Taracena preparou Don Angel Tavira – um longo e reverente momento de silêncio – para este dar uma cancha com seu violino, em agradecimento ao prêmio especial do júri recebido pelo filme mexicano que representavam, O Violino; e quando do eloqüente discurso de Milton Gonçalves, que veio apresentar, ao lado de Maria e de Antonio de Andrade, a exibição especial da cópia restaurada de Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade – Milton falou de passado pessoal, cinema, Brasil e consciência negra.
Don Angel Tavira, músico e ator do filme "O Violino",
realiza apresentação musical na cerimônia de
encerramento da 30ª Mostra
A cerimônia brindou de forma clássica uma edição que contou com 220 mil espectadores, 20 mil a mais do que no ano passado, reflexo imediato da redefinição de classificações indicativas – até no ano passado proibida como um todo para menores de 18 anos, a Mostra este ano definiu a censura específica de cada filme, o que abriu as portas aos adolescentes. Reconfirmou-se assim o caráter de formador de público. Este assistiu, em 19 salas, a 292 longas, 99 curtas e 29 médias-metragens, de 44 países. É fôlego, curiosidade e gana para muitas outras edições comemorativas.
Premiados da 30ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo
Melhor Filme – Prêmio do Júri: O Cheiro do Ralo, de Heitor Dhalia
Prêmio Especial do Júri: O Violino, de Francisco Vargas (México)
com menção especial para o ator Don Angel Tavira
Prêmio do Júri – Melhor Ator: Adel Imam, por O Edifício Yacoubian (Egito)
Prêmio do Júri – Melhor Atriz: Maria Lundqvist, por Minha Vida Sem Minhas Mães (Finlândia)
Prêmio do Júri – Menção Honrosa (pela elaboração visual) :O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, de Cao Hamburger (Brasil)
Prêmio do Público – Melhor Curta Brasileiro: Primeira Vez, de Fabrício Bittar
Prêmio do Público – Melhor Média Brasileiro: Deus e o Diabo em Cima da Muralha, de Tocha Alves e Daniel Lieff
Prêmio do Público – Melhor Longa Estrangeiro de Ficção: Rosso Come il Cielo, de Cristiano Bortone (Itália)
Prêmio do Público – Melhor Documentário Estrangeiro: Uma Verdade Inconveniente, de Davis Guggenheim (EUA)
Prêmio do Público – Melhor Curta Estrangeiro: Eu Quero Ser Piloto, de Diego Quemada-Diez (Quênia/México/Espanha)
Prêmio do Público – Melhor Média Estrangeiro: Jana Sanskriti – Um Teatro em Campanha, de Jeanne Dosse (França)
Prêmio da Crítica – Categoria Internacional: Hamaca Paraguaya, de Paz Encina (Paraguai/França/Argentina/Holanda)
Prêmio da Crítica – Categoria Nacional: O Cheiro do Ralo, de Heitor Dhalia
Prêmio Petrobras Cultural de Difusão – Melhor Longa Brasileiro de Ficção: Antonia, de Tata Amaral (R$ 200 mil) e O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, de Cao Hamburger (R$ 200 mil)
Prêmio Petrobras Cultural de Difusão – Melhor Documentário Brasileiro: Fabricando Tom Zé, de Décio Matos Jr. (R$ 200 mil)
Prêmio da Juventude (votos de estudantes secundaristas dentro da seção Festival da Juventude): Minha Vida Sem Minhas Mães, de Klaus Harö (Finlândia)
Prêmio Humanidade: Vittorio De Seta, cineasta italiano de Banditi a Orgosolo (1961) e Cartas do Saara (2006), convidado de honra da 30ª Mostra