Jornal da Mostra
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Nº 470
30ª Mostra > 12/02/2007
30ª Mostra > 12/02/2007
Edição: Leon Cakoff e Renata de Almeida
Redação: Christian Petermann
Redação: Christian Petermann
“Hamlet”, de Svend Gade e Heinz Schall
AS RETROSPECTIVAS E HOMENAGENS DA 57ª BERLINALE
Uma das atrações do fim-de-semana no 57o Festival de Berlim foi a estréia da cópia restaurada da obra-prima Berlin Alexanderplatz, de Rainer Werner Fasbinder; conheça os outros clássicos em exibição nas retrospectivas e homenagensForam exibidas em sessão as 13 partes (mais um epílogo) da clássica epopéia do cineasta Rainer Werner Fassbinder, o maior dos cineastas alemães do pós-guerra: Berlin Alexanderplatz, visão extremamente pessoal e radical que Fassbinder traçou da obra literária de Alfred Döblin. A cópia inteiramente restaurada deste clássico de 1980 serve também para registrar os 25 anos da morte do mestre germânico (1945-1982). A exibição contou com as presenças do sobrinho de Döblin, Stefan Döblin, e dos protagonistas Günter Lamprecht (o inesquecível Franz Biberkopf), Hanna Schygulla, Barbara Sukowa e Gottfried John. A projeção em alta definição na sala Admiralpalast teve acompanhamento musical de Max Raabe e da Palast Orchester. Há toda uma geração de espectadores que ainda não teve contato com esta que é uma das expressões mais apuradas do melodrama no cinema. E com uma urgência histórica e existencial que define as obras eternas. As treze partes e epílogo da saga foram exibidas na 9ª Mostra.
O grande homenageado do ano, com retrospectiva de sua obra, é o cineasta americano Arthur Penn, nascido em 1922 e autor de títulos importantes como Bonnie & Clyde – Uma Rajada de Balas (1967), Um Lance no Escuro (1975) e Amigos para Sempre (1982). O cineasta veio também participar de um debate com Robert McFüller, co-autor da única monografia escrita em alemão sobre o diretor.
Berlim programou também a cópia restaurada do épico mudo italiano Cabiria (1913/14), de Giovanni Pastrone, que foi um dos principais destaques da 30a Mostra. Considerado o primeiro filme monumental de sucesso internacional da história do cinema, será projetado tanto na versão original, com acompanhamento musical, quanto na de 1931, que inclui trilha sonora e se acreditava irremediavelmente perdida. A restauração é responsabilidade do Museo Nazionale del Cinema, de Turim.
Outro grande destaque da programação da Berlinale 2007 é a primeira exibição mundial de uma cópia restaurada da versão colorizada – e recém-descoberta – de Hamlet, produção alemã de 1920/21 dirigida por Svend Gade e Heinz Schall e estrelada por Asta Nielsen, um dos maiores nomes do cinema mudo germânico. Boa parte de sua filmografia perdeu-se por aí, mas até hoje conhecia-se apenas uma versão em preto-e-branco deste filme. O compositor e clarinetista de vanguarda Michael Riessler escreveu uma trilha sonora original que mistura instrumentos acústicos e eletrônicos, além de sons da natureza. A restauração foi um projeto conjunto do DIF, o instituto alemão de cinema, com as emissoras de TV ZDF e ARTE.